Notícia

A Tribuna (Santos, SP)

PRÉDIOS TORTOS - Engenheiro destaca ações no Núncio Malzoni

Publicado em 20 novembro 2003

"Uma coisa é você falar com quem já executou um projeto desse tipo. Outra, é falar com aqueles que ficam só no campo do pensamento". Foi desta forma que o engenheiro José Eduardo Carvalho Pinto Filho avaliou algumas das propostas apresentadas durante o seminário Passado, Presente e Futuro dos Edifícios da Orla Marítima de Santos. O evento, promovido pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-SP), foi realizado entre segunda e terça-feira no Mendes Convention Center. O comentário de Carvalho Pinto, responsável pela execução das obras de reaprumo do Edifício Núncio Malzoni, se referia às alternativas que previam acabar com a inclinação por valores inferiores ao gasto para a recuperação do Malzoni (R$ 1,5 milhão), a exemplo do que ocorre no México. As críticas do engenheiro foram feitas ontem durante reunião com o diretor regional do Sinduscon, João Batista de Azevedo, a engenheira civil Nilene Janini de Oliveira Seixas e o síndico do Núncio Malzoni, Ari José Ribeiro Gomes. "Especialistas de renome reconhecem que o Núncio não foi caro. O destaque sempre são as obras adotadas no México, que têm valor baixo. Mas as soluções implementadas no local não são definitivas". De acordo com Carvalho Pinto, no México as intervenções são baseadas na modificação da espessura das camadas que integram o subsolo, ao contrário da intervenção promovida no Núncio Malzoni. O prédio santista foi recuperado com a colocação de oito estacas com 55 metros de profundidade cada, apoiadas sobre a faixa rochosa. Esta camada está localizada abaixo da faixa de argila marinha, que por sua vez fica sob a camada de areia. "Fazer intervenções geotécnicas (nas camadas do subsolo) tem um custo muito menor que o Núncio. Mas a diferença é que fizemos uma obra definitiva, que não irá apresentar recalques no futuro". Já Nilene, que também é professora da Universidade Santa Cecília (Unisanta), contestou a alegação de que tem sido inexpressivo o número de estudos feitos nos últimos anos em relação à prospecção dos terrenos. De acordo com Nilene, em 1999, a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) destinou uma verba de R$ 100 mil para que a Universidade de São Paulo (USP), em convênio com a Unisanta, desenvolvesse duas teses de mestrado sobre os solos e os edifícios inclinados de Santos. Durante as pesquisas, foram retiradas quatro amostras de argila do subsolo de Santos, três de uma área onde está construído um dos prédios da Unisanta, no Boqueirão, e outra do Núncio Malzoni. As pesquisas também incluíram 21 leituras de recalques de prédios localizados na orla e do edifício da universidade. "Chegamos à conclusão de que o prédio da Unisanta apresentou um recalque dentro do previsto no projeto inicial. No entanto, os prédios da orla necessitam de mais estudos para que se chegue a uma definição".