Notícia

A Tribuna (Santos, SP)

Pré-sal versus Aquecimento Global

Publicado em 15 junho 2011

A exploração de petróleo e gás na camada pré-sal da Bacia de Santos pode gerar uma demanda extra para as 16 cidades do Litoral Paulista.

Apenas no Litoral Norte, de acordo com dados do Censo 2010, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população aumentou 11% nos últimos 10 anos - um índice acima das médias estadual e nacional.

Juntas, segundo o Censo, as cidades de Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião e Ubatuba ganharam mais de 50 mil habitantes no período de 2000 a 2010.

Adaptações

De olho nesses números, cientistas brasileiros, em parceria com instituições de pesquisa dos Estados Unidos, Inglaterra e Austrália, decidiram investigar a situação do ponto de vista socioambiental.

O trabalho, que envolve 39 pesquisadores e 58 alunos de graduação, quer saber quais os impactos que a região sofrerá e as adaptações que terão que ser feitas por causa das mudanças climáticas, somadas ao crescimento populacional causado, em grande parte, pelos empreendimentos voltados à exploração de petróleo e gás.

"Há locais na faixa litorânea onde a área disponível para ocupação humana, que vai do sopé do morro ao mar, é muito pequena. Qualquer alteração no nível do oceano nessas áreas pode provocar impactos violentos", afirma a coordenadora do estudo, Lúcia da Costa Ferreira, do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam/ Unicamp).

Recursos

A pesquisa "Crescimento urbano, vulnerabilidade e adaptação: dimensões ecológicas e sociais de mudanças climáticas no litoral de São Paulo", parte do princípio de que com o aumento do número de moradores, atraídos pela oferta de emprego principalmente no setor petrolífero, a infraestrutura das cidades litorâneas do Estado de São Paulo tende apiorar.

Em função disso, elas podem se tornar mais frágeis para enfrentar os riscos de acidentes e desastres naturais, como deslizamentos de encostas e inundações.

"O litoral paulista é uma área de alta vulnerabilidade ambiental. Será preciso alocar recursos e material humano para pensar o futuro da região", afirma a coordenadora.

Nova Realidade

Para definir quais as melhores ações a serem colocadas em prática, Lúcia está trabalhando em parceria com cientistas da Embrapa Monitoramento por Satélite, Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Instituto de Geologia, Defesa Civil, Universidade Vale do Paraíba, Universidade Federal de São Carlos, Durhan University (Reino Unido), Indiana University (EUA) e Griffith University(Austrália).

"Na Austrália, as pesquisas que buscam entender os impactos decorrentes do aumento do nível do mar, por exemplo, já estão bem desenvolvidas. Vamos aproveitar esse conhecimento".

A pesquisa, iniciada em 2009, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), deve ser concluído em 2013.

"Nosso trabalho não se limita a apenas medir o aumento no nível do mar. Vamos avaliar diversos desdobramentos que podem ser provocados pelas mudanças climáticas, identificando que áreas mais sofrerão com esse processo e quais as medidas para se adaptar a essa nova realidade", explica.