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Prato feito pode causar obesidade, diz estudo

Publicado em 14 janeiro 2019

A obesidade é considerada uma epidemia global pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A estimativa da OMS é que 1,9 bilhão de adultos tenham sobrepeso, dos quais 600 milhões estão obesos. Segundo um estudo realizado pela Universidade Tufts, dos Estados Unidos, e publicado no dia 12 de dezembro de 2018 no periódico científico British Medical Journal, as porções de comida servidas em restaurantes está entre os principais fatores para o excesso de peso da população.

A pesquisa pesou e mediu o valor calórico de uma refeição completa, em cinco países: Brasil, China, Finlândia, Gana e Índia. Excetuando a refeição chinesa, o volume calórico por prato feito (PF), como se diz no Brasil, chega a ser, em média, 33% maior do que a de um lanche de fast food (comida rápida).

Foram 223 amostras de pratos populares e de 111 refeições escolhidas aleatoriamente à la carte e de fast foods de restaurantes de Ribeirão Perto (Brasil), Pequim (China), Kuopio (Finlândia), Acra (Gana) e Bangalore (Índia). Eram considerados restaurantes que ficam a um raio 25 km de cada centros de pesquisa. Conforme as medições, o tradicional PF brasileiro, com arroz, feijão, frango, mandioca e salada, com 841 gr, possui 1.656 kcal. O clássico ganês fufu, com carne de bode e sopa, tem 1.105 gr e 1.151 kcal. Já o indiano biryani de carneiro, com 1.012 gramas, chega a 1.463 kcal.

O consumo das porções servidas em restaurante populares fornece entre 70% e 120% das necessidades calóricas diárias para uma mulher sedentária, que é de cerca de duas mil quilocalorias (kcal).

“Os profissionais da área da saúde que lidam com pessoas obesas estão muito preocupados em orientar a população para não comer fast food, mas, na hora que vai ver a refeição completa, ela também está exagerada”, comenta a pesquisadora brasileira Vivian Suen, da Universidade de São Paulo (USP), uma das autoras do estudo, em entrevista para a Agência Fapesp.

De acordo com o artigo recém publicado, na média, os fast foods oferecem refeições com 809 kcal, enquanto as servidas à la carte (que constam do cardápio), chegam a 1.317 kcal. A cientista brasileira alerta que o resultado não indica que o fast food é uma refeição mais saudável, pois não foi analisado cada nutriente, mas chama a atenção para o PF, que poderia ser uma refeição equilibrada e que, na verdade, está contribuindo para o ganho de peso.

Além da quantidade de comida oferecida pelos restaurantes em uma única refeição, também foram percebidos preparos que fazem aumentar o ganho calórico. Vivian cita como exemplo o arroz, que comumente está brilhante, indicando cozimento com excesso de óleo.

“O estudo não focou na qualidade, mas podemos dizer que tanto no aspecto quantitativo quanto no qualitativo, essa alimentação não é saudável. Precisa prestar atenção nesse prato feito, que é uma refeição completa, mas que não está sendo saudável”, diz Vivian. Os dados mostram que 94% os pratos à la carte e 72% dos servidos em fast foods continham mais de 600 kcal, mais que o consumo energético por refeição recomendado pelo Sistema de Saúde Pública da Inglaterra (NHS).

(com Agência Fapesp e Agência Brasil)