Notícia

Diário do Litoral (Santos, SP) online

Praias da Baixada Santista estão entre as mais contaminadas por microlixo

Publicado em 06 fevereiro 2020

Após constatar que quase metade de todo o microlixo recolhido nas praias de Santos em 2019 era plástico, o Instituto Mar Azul (IMA) segue aprofundando a investigação desse tema. Dados preliminares de um dos trabalhos conduzidos pela ONG e pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) já apontaram que as praias santistas atingem as mais altas categorias de contaminação por microlixo.

O estudo 'Avaliação do microlixo nas praias de Santos: uma iniciativa de Ciência Cidadã' foi idealizado pelo Prof. Dr. Ítalo Braga de Castro, docente e pesquisador da universidade, e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). A pesquisa está investigando o tipo e a quantidade de micro e meso lixo nas praias que margeiam a Baía de Santos, nas quatro estações do ano. Por meio da parceria com o IMA, ela foi transformada no Projeto Ciência Cidadã e começou a ser executada em maio de 2019.

Pioneira no Brasil, a iniciativa consiste na realização de campanhas de limpeza de praia a cada estação. Nessas ações, grupos de voluntários fazem coletas simultâneas em seis pontos da orla, nas praias de Santos e São Vicente. Para completar as quatro campanhas, falta apenas a do verão, marcada para o próximo dia 15. Mas, nas primeiras coletas, que aconteceram no outono e inverno, já foi possível observar que "as praias não estão para banhistas" no quesito microlixo.

De acordo com os dados iniciais, a maioria das praias estudadas está classificada como 'suja' ou 'muito suja'. Essas categorias correspondem ao topo do Coastal Cleaning Index (CCI), uma escala de cinco níveis adotada internacionalmente para classificar zonas costeiras quanto aos impactos do lixo. "O trabalho realizado pelo IMA é eficaz na conscientização sobre o lixo no mar e nas praias de Santos. Com esse estudo, estamos provando o quanto ele é necessário", afirma Castro.

Os resultados do estudo serão divulgados em maio deste ano e também devem auxiliar o poder público na implementação de políticas eficazes no combate a esse problema, bem como outros números cedidos anualmente pelo Instituto. Além disso, na etapa de limpeza de praia, a finalidade também é envolver voluntariamente os cidadãos e entidades, estimulando a participação em atividades científicas. "Brincamos que todos os cidadãos podem ser cientistas para que a sociedade entenda a importância das pesquisas na tomada de qualquer decisão. Queremos que cada voluntário se sinta parte do diagnóstico que a Unifesp está formulando, e possa atuar como agente da mudança", completa o diretor presidente da ONG, Hailton Santos.

Mutirão de verão

O 4º Mutirão do Projeto Ciência Cidadã (ou mutirão de verão) contará com seis grupos, cada um com cerca de 20 voluntários, espalhados em seis pontos da orla, entre Santos e São Vicente. A concentração será a partir das 9h, e a ação completa dura cerca de duas horas. Todos os voluntários farão coleta e separação dos resíduos encontrados.

Para participar, os interessados devem preencher o formulário disponível nas redes sociais do IMA (Facebook: /InstitutoMarAzul e Instagram: @imaoficial_013). As inscrições podem ser feitas até a próxima quinta-feira (13) às 23h59.

Serviço

4º Mutirão do Projeto Ciência Cidadã

Data: 15 de fevereiro

Horário: a partir das 9h

Concentração: cada grupo receberá o seu ponto de encontro e monitores

Inscrições: os interessados devem preencher o formulário disponível nas redes sociais