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Pragas/Embrapa: projeto usa nanotecnologia para desenvolver métodos de controle em lavouras

Publicado em 05 fevereiro 2019

Um grupo de pesquisadores brasileiros e estrangeiros iniciou um projeto que tem por objetivo desenvolver alternativas mais seguras para o controle de pragas na agricultura, reduzindo a aplicação de defensivos e ampliando o controle biológico por meio da nanotecnologia.

Conforme nota da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), baseada na revista Unesp Ciência, serão utilizadas diferentes estratégias para encapsular, em micropartículas, agentes de controle (de pragas), como agrotóxicos sintéticos e inseticidas ou repelentes de origem botânica, além de potencializar o uso de fungos e bactérias para controle biológico. Ao mesmo tempo, minimizar o efeito de controle de pragas em organismos não-alvos e que têm importância para a agricultura e o meio ambiente.

O projeto, que é coordenado pelo professor Leonardo Fraceto, do Instituto de Ciência e Tecnologia de Sorocaba (SP), da Universidade Estadual Paulista (ITCS-Unesp), foi recentemente aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Fraceto explica que a partir do desenvolvimento desses sistemas serão feitos estudos de transporte e toxicidade de diferentes tipos de micro e nanopartículas com potencialidade para aplicação em agricultura. "Dentre os desafios, destaca-se o fato de que poucos estudos avaliaram questões relativas ao mecanismo de ação de agentes de controle de pragas em associação com micro/nanotecnologia", ressalta.

Algumas atividades já foram realizadas. Em especial, destaca-se um sistema baseado em nanopartículas poliméricas carreadoras de atrazina, um herbicida largamente utilizado em cultivos de milho e cana-de-açúcar. Essas formulações mostraram-se mais eficientes que a formulação convencional de atrazina no controle de plantas daninhas. Dessa forma, foi possível reduzir em 10 vezes a dosagem do herbicida sem afetar sua atividade biológica, o que implicaria menor contaminação ambiental. Por outro lado, as mesmas formulações não levaram a efeitos persistentes no milho, que é uma cultura resistente à atrazina, bem como reduziram a toxicidade da atrazina em células humanas. Como esses ensaios foram realizados em casa de vegetação, o próximo passo que já está em andamento é a avaliação da eficiência desse produto em condições de campo.

Participam do projeto Leonardo Fernandes Fraceto e Gerson Medeiros (Unesp Sorocaba), Ricardo Polanczyk (Unesp Jaboticabal), Juliana Mayer e Marcelo Jesus (Unicamp), Renato Grillo (Unesp Ilha Solteira), Renata de Lima (Uniso), Vera Castro e Claudio Jonsson (Embrapa Meio Ambiente), Alejandra Bravo (Unam, México) Daiana Avila e Luciana Pinto (UFLA), Claudia Martinez e Halley Oliveira (UEL) e Daiana Avila (Unipampa).

(Tânia Rabello - tania.rabello@estadao.com)

São Paulo, 05/02/2019