Notícia

Engenharia Automotiva

Powertrain em debate

Publicado em 01 outubro 2007

Pela quinta vez consecutiva a SAE BRASIL, Seção Campinas, realizou na Unicamp mais um seminário, que já se tornou tradicional.

Mais de 250 profissionais da mobilidade, pesquisadores, engenheiros e estudantes tiveram a oportunidade de se atualizar nas tecnologias aplicadas aos componentes do powertrain, ou trem de força, que englobam o motor e os sistemas de transmissão de potência.

Controle de qualidade de caixas de engrenagens automotivas foi a primeira palestra, proferida pelo professor Samir N. Y. Gerges, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Discorreu sobre ruído e vibrações de caixas de engrenagens, técnicas para detecção de defeitos, sua avaliação e controles. É necessário segregar os defeitos antes de instalar a caixa no veículo, finalizou.

O professor Georg Rill, da Universidade de Ciências Aplicadas de Regensburg, Alemanha, deu seu depoimento técnico sobre Drivetrain modeling for real-time applications. Em exposição substanciosa sobre o motor, transmissão, diferencial, rodas e dinâmica do freio, apresentou fórmulas complexas e equações do movimento.

Evolução dos amortecedores torcionais do sistema de embreagem foi a palestra dada por Ricardo ltoo, da ZF Sachs do Brasil. Segundo informou, descobriu-se na década de 1030 que a vibração torcional/ ruído de transmissão podia ser reduzida por meio da diminuição da rigidez torcianal entre o motor e a transmissão. A partir de então, iniciou-se o desenvolvimento de amortecedores torcionais dos discos de embreagem, que têm papel funda mental no controle dessas vibrações.

O painel Universidade-empresa-montadoras x dinheiro público/privado x formação dos engenheiros teve a participação de lonara Pontes Domingues, do Isvor Fiat (Instituto para o desenvolvimento organizacional), e de Carlos Américo Pacheco, Secretário-adjunto de Desenvolvimento do Estado de São Paulo. E, como moderador, Luso Ventura, da SAE BRASIL e da Netz Automotiva.


Longo Caminho

lonara Domingues apresentou o grupo Fiat, que conta com 32 mil em pregados e opera nove centros de desenvolvimento espalhados pelo País. O carro-chefe é a parte técnica, tanto no desenvolvimento de produtos como na estabilização de processos. A Fiat mantém parceria com a PUC-MG, UFSC (que ofereceu 15 cursos a distância), UFMG, USP São Carlos, Unicamp, UFRJ. Apesar disso, a relação empresa-universidade tem um longo caminho a percorrer. Não é culpa só da empresa nem só da universidade. É questão de encontrar um ponto de convergência de interesse das duas instituições, finalizou.

Carlos Américo Pacheco afirmou que o Estado de São Paulo está num processo de reforma para incrementar a política industrial e tecnológica. O governo vai expandir o ensino tecnológico no Centro Paula Sonza com a duplicação das Fatecs, de 25 para 52. E o técnico, de 70 mil matrículas saltará para 170 mil nos próximos quatro anos. Está aberto para mapear na área de engenharia que tipo de ações podem ser organizadas e tocadas em conjunto, setor público e privado, e que não possam ser cobertas pela Fapesp (pesquisa). Por último fez um convite às empresas e à SAE BRASIL para avaliar o tamanho do suposto déficit na formação de engenheiros e sua atual demanda no mercado de trabalho.

Em outra palestra Start stop e a evolução para sistemas híbridos, Flávio Vicentini, da Robert Bosch, falou sobre os veículos híbridos, uma combinação de motor de combustão interna com sistema inteligente de propulsão elétrica. Essa tecnologia atende de forma ideal tanto ro anseio dos motoristas por menor consumo de combustível e maior conforto e prazer ao dirigir, quanto às disposições legais sobre a redução de emissões de poluentes. O sistema Start stop, que desliga, automaticamente, o motor sempre que o automóvel parar, como num semáforo, bastando calcar o acelerador para o motor voltar a funcionar, é outro exemplo de como é possível reduzir consumo e emissões.

Álvaro Antunes, da Eaton Hidráulica, desenvolveu o tema Sistema híbrido hidráulico HLA — Energia, eficiência e sustentabilidade. Parte significante do ciclo de trabalho de um veículo, um ônibus ou caminhão de lixo, por exemplo, é gasta nos processos de frear ou acelerar. Durante a frenagem, 40% da energia é desperdiçada. A transmissão do sistema HLA (Hydraulic Launch Assist), hidráulica, veio para armazenar e reutilizar essa energia, a exemplo dos sistemas híbridos combustão-elétrico. A tecnologia híbrida, comprovada para empilhadeiras ou pequenos veículos, agora está migrando para carros, como os híbridos elétricos Toyota Prius (lançado em 1997), e, mais recentemente, Honda Civic e Lexus GS.


Pensar o Futuro

Automação de transmissão mecânica - A interface controle do transmissão versus gerenciamento do motor foi o tema desenvolvido por Pedro Henrique Monnerat Jr., da Magneti Marelli. Após apresentar o grupo Magneti Marelli, enfatizou o controle do motor e a interface como controle do câmbio. A eletrônica é peça-chave nessa tarefa. A ASR (4cceleration Slip Rego lation), por exemplo, evita que as rodas patinem nas pistas escorregadias devido ao excesso de torque. O MSR (Modula te System Regulation) leva o motor a dar torque em caso de forte desaceleração para que as rodas motrizes não exerçam força frenante e deslizem. E Free Choice é um sistema de transmissão convencional comandado por um kit eletroidráulico. O sistema de câmbio é o normal e entram os atuadores em substituição à alavanca de mudanças; e não há pedal de embreagem, pois ela é automática. O motorista pode escolher entre passar as marchas manual e sequencialmente por leves toques na alavanca, ou deixar que sejam feitas de maneira automática.

Tendências de transmissões e seus impactos sobre lubrificantes, por Thomas Schmidt, da ZF Sistemas de Transmissão. O óleo é um componente essencial de um projeto, disse. Para o funcionamento perfeito da transmissão e os custos do ciclo de vida, são exigidos óleos com características especialmente adaptadas. E o mercado de óleos para transmissões não oferece esses produtos especiais para as modernas transmissões. Daí a necessidade de desenvolvimentos caseiros em cooperação com fornecedores. A tendência dos óleos especiais de transmissão é de se tornarem permanentes, sem trocas por toda a vida do veículo. Eles ajudam a melhorar a temperatura, aumentam a força do motor e reduzem o consumo de combustível.

O último painel, Empregabilidade e capacitação do engenheiro brasileiro no setor automobilístico, teve a participação do moderador Sérgio Pin, da INA FAG - América Latina e da Seção Regional da SAE BRASIL; de Edson Furlan, da GM do Brasil; e de Sérgio Queiroz, da Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo. Edson abordou a visão da GM sobre os engenheiros brasileiros. A GM tem entre seus quadros funcionais 1.100 engenheiros, 40% deles com pós-graduação. A experiência adquirida ao longo do tempo com o motor a álcool, a S10 de cabina dupla, o Celta, entre outros, deu-lhes experiência para enfrentar mais desafios. Tanto que há hoje engenheiros brasileiros trabalhando no mundo todo.

Sérgio Queiroz afirmou que para crescer de maneira sustentável é necessário melhorar a articulação dos agentes do sistema de inovação e incrementar o quadro institucional. É preciso pensar um programa de desenvolvimento de engenharia automotiva.