Notícia

Revista Meio Ambiente Industrial e Sustentabilidade

Potencial bioeconômico

Publicado em 01 janeiro 2018

A transição do modelo econômico apoiado pela bioeconomia foi foco do 6º Diálogo Brasil-Alemanha de Ciência, Pesquisa e Inovação, realizado nos dias 8 e 9 de novembro de 2017, no auditório da Fapesp - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, com organização do Centro Alemão de Ciência e Inovação – São Paulo, e Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

Para José Goldemberg, presidente da Fapesp, o objetivo do evento de fortalecer o diálogo entre pesquisadores alemães e brasileiros foi uma grande oportunidade, principalmente tendo em vista a discussão internacional sobre a importância do uso da biomassa para a geração de energia em todo o mundo. O pesquisador Georg Backhaus, presidente do Instituto Julius Kühn - Instituto Federal de Pesquisa do Cultivo das Plantas na Alemanha, convidado especial do evento, destacou que a mudança para a economia do futuro passa pela produção baseada em recursos biológicos.

“E para isso, precisamos acabar com a dependência dos recursos fósseis e investir nos recursos biogenéticos”, afirmou o especialista. O pesquisador avalia que a bioeconomia é uma via para superar vários problemas e isso inclui muitos desafios e avanços. “Sabemos, por exemplo, que é preciso manter a saúde do solo para que haja plantas (e alimentos) saudáveis. No entanto, não sabemos ainda como ocorre exatamente essa interação entre solo e planta”, disse. Questionado pela plateia sobre a necessidade de inserir transgênicos na produção de alimentos e, com isso, fazer com que as lavouras se tornem mais resistentes às mudanças climáticas, Backhaus foi taxativo: “É uma ótima solução, mas infelizmente, na Alemanha, a população não apoia. E sabemos que quando a população não quer, os políticos também não querem”, observou.

Para Backhaus, o Brasil é visto como parceiro em potencial. O desenvolvimento em pesquisas na área de melhoramento genético é apontado como possível tema de cooperação. “O Brasil tem bons laboratórios e centros de pesquisa, já trabalha com recursos genéticos de plantas. Juntos, ambos podemos chegar bem longe”, afirmou. Conforme a programação do evento, os palestrantes também apresentaram pesquisas na área de segurança alimentar com foco em plantas e em animais, uso integrado da terra, prospecção da biodiversidade, tecnologia em biomassa e química renovável.