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Possíveis casos de reinfecção pelo novo coronavírus são analisados no Pará

Publicado em 11 novembro 2020

Por Cleide Magalhães

No mundo existem pelo menos seis pacientes que tiveram a doença pela segunda vez. No estado, Belém analisa possíveis casos.

No Pará, ainda não há casos registrados de reinfecção pela covid-19, doença ocasionada pelo novo coronavírus (Síndrome Respiratória Aguda Grave - Sars-Cov-2). É o que afirma a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). Em Belém, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) informa que está analisando casos que foram relatados como possíveis reinfecções e, até o momento, não tem nenhum confirmado.

Consultadas pela Redação Integrada de O Liberal, ambas as secretarias divulgaram apenas notas sobre o assunto, mas não forneceram maiores informações sobre os possíveis casos no estado e na capital.

Hoje os pacientes reinfectados pela covid-19 confirmados de que se tem notícia mundo afora não chegam a meia dúzia. Ainda segundo a Revista Fapesp, revista de divulgação científica brasileira publicada mensalmente pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, o primeiro caso de reinfecção pela covid-19 documentado por cientistas ocorreu no fim de agosto, quando a covid-19 já havia atingido 25 milhões de pessoas.

Até esta segunda-feira (9), já existem no mundo 50.266.033 casos confirmados e 1.254.567 mortes pela covid-19, segundo dados da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). E no mundo os casos suspeitos de reinfecção estão na casa de centenas. Houve registros documentados também na Holanda, no Equador, na Bélgica e nos Estados Unidos.

No Brasil, pelo menos 93 casos de possíveis reinfecções por covid-19 estavam sendo estudados no fim de outubro, segundo levantamento divulgado em reportagem da CNN Brasil. Todavia, segundo o Ministério da Saúde, no momento, não há comprovação de reinfecção pela covid-19 no Brasil.

O Ministério da Saúde (MS) considera como suspeitos de reinfecção, casos que apresentam sintomas sugestivos da covid-19 em intervalo superior a 90 dias, e que tenham resultado de RTPCR (utiliza técnicas de biologia molecular para detectar se o vírus Sars-CoV-2 está presente no corpo) positivo nos dois episódios. Somente após análise criteriosa, os casos poderão ser considerados ou não como reinfecção pelo novo coronavírus.

POSSIBILIDADES

A infectologista Helena Brígido, vice-presidente da Sociedade Paraense de Infectologia (SPI), explica que a reinfecção da covid-19 é uma nova infecção pelo novo coronavírus (Síndrome Respiratória Aguda Grave - Sars-Cov-2) em período mínimo de dois meses entre uma infecção e outra.

A infectologista enfatiza que existem todas as possibilidades para se contrair a doença mais de uma vez. “Os coronavírus conhecidos podem infectar novamente uma mesma pessoa. Assim, a imunidade é temporária e variável de dois a seis meses”.

Para identificar ou confirmar um contágio reincidente no paciente, a médica esclarece que é necessário ter uma amostra reagente de RT-PCR do primeiro episódio e outra amostra também de RT-PCR em outro episódio de infecção. “Diante das amostras é necessário fazer o sequenciamento genético e encontrar cepas diferentes”, afirma.

Se as reinfecções são mais ou menos graves que o primeiro contágio, Brígido frisa que “não há estudos suficientes para afirmar que a reinfecção é mais branda ou mais severa; depende da nova cepa infectante. Com a comprovação de existência de infecção, quando houver a vacina, ela provavelmente será reaplicada periodicamente devido à diminuição de anticorpos contra o Sars-CoV2.

A infectologista Helena Brígido, que também atua na Universidade Federal do Pará, enfatiza que pessoa pode evitar a reinfecção. Os cuidados são sempre os mesmos: uso de máscaras, distanciamento social e uso de álcool a 70%.

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