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Agora São Paulo

Pós para ajudar o país

Publicado em 17 julho 2017

Há dois anos e meio, o cirurgião dentista Rodrigo Salazar Gamarra, 29 anos, formado pela Universidad Cayetano Heredia, em Lima, mudou-se para o Brasil com a intenção de aperfeiçoar os estudos, iniciados em seu país.

Preocupado com a falta de profissionais especializados em sua área, Salazar aceitou um convite do cirurgião dentista de São Paulo, Luciano Dib, professor na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e na Unip, e iniciou mestrado na capital paulista. "Não havia um único especialista no Peru", lembra o pesquisador. "Lá, como aqui no Brasil, dois entre três pacientes a serem assistidos estão abaixo da linha da pobreza", frisa.

"Procurei o que achei melhor para me aperfeiçoar e conseguir ajudar a população de meu país", explica Salazar, que atualmente está em Lima, capital peruana, onde realiza trabalho voluntário junto a uma ONG (Organização Não Governamental), que atende pessoas de baixa renda que sofrem com câncer da boca.

"Desde que comecei minha pós-graduação, aproveito as férias e os congressos para poder fazer esse trabalho aqui", disse, através de videoconferência.

Atualmente, Salazar faz doutorado em Reabilitação Bucomaxilofacial na Unip em São Paulo.

Além de atuar em seu pais e também no Chile, onde também auxilia uma ONG, Salazar é secretário da Sociedade Latino-americana de Reabilitação Bucomaxilofacial e membro do conselho diretivo da Associação Internacional de Anaplastologia.

Salazar reconhece a dificuldade de ficar longe da família e amigos. Mas garante que tem obtido sucesso no conhecimento adquirido. "Não seria a mesma coisa se ficasse no meu país", acredita. "Mas hoje, entendo que posso fazer mais. Também pretendo continuar com meus estudos e pesquisas", garante Salazar. Em seu doutorado, o profissional aprimora técnica que desenvolveu para a produção de próteses faciais.

(Renê Gardim)

Doutorando desenvolveu técnica inédita para a face

O cirurgião dentista, Rodrigo Salazar Gamarra, especialista em reabilitação bucomaxilofacial e mestre em odontologia, utilizou a câmera de um smartphone comum e o aplicativo Recap 360 para criar uma técnica mundialmente nova para a reconstrução protética da face utilizando protótipos impressos em três dimensões.

O ineditismo do trabalho está na técnica. O dentista usa a câmera simples de um smatphone para tirar uma série de fotos do paciente com deformidade facial para captar sua anatomia.

O rosto é então digitalizado em 30 a partir do software online Recap 360 e, em seguida, o arquivo é enviado ao designer Cícero Moraes, conhecido especialista em modelagem de próteses humanas e veterinárias. Uma das técnicas usadas consiste em utilizar uma imagem espelhada do lado saudável da face ou de regiões únicas como a do nariz ou dos lábios do paciente ou de outra pessoa. O protótipo é impresso nos materiais precisos para terminar a prótese facial sob medida, em silicone e com acabamento próximo à natureza da pele humana.

Estudo do imaginário

Carioca escolhe SP para fazer a sua pós e defende sua atuação no mercado antes de partir para o mestrado

Foram praticamente duas voltas no planeta para fazer mestrado em São Paulo. Leonardo de Souza Torres Soares, 27 anos, agora se prepara para o doutorado, mas já fez sua mudança do Rio de Janeiro para a capital paulista.

Carioca, ele foi estimulado pelo orientador de seu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). "Minha monografia foi sobre a mania que tomou conta de todo mundo de fazer selfie", lembra.

Empolgado pelo estímulo, Soares resolveu fazer pós-graduação sobre o estudo do imaginário coletivo. "Consegui uma bolsa da Capes e conclui meu mestrado", diz.

Com disposição em seguir a carreira acadêmica, Soares ingressou, em seguida, no doutorado. Mas já iniciou na profissão como professor na Unicid (Universidade Cidade de São Paulo). "Também já dei aula na pós-graduação da Unip", afirma.

Apesar de ter seguido da graduação para o mestrado diretamente, Soares entende que o melhor caminho é fazer um curso lato sensu (especialização) e iniciar na carreira para, depois, partir para o mestrado e o doutorado.

(Renê Gardim)

EAD é uma boa opção

Disciplina, motivação e organização são essenciais para quem pretende realizar uma pós a distância

Uma opção mais barata e acessível para quem quer se aperfeiçoar ou trocar de profissão é o Ensino a Distância, ou EAD, como é chamado hoje pelas instituições de ensino superior. Mas que exige disciplina, dedicação, organização e motivação.

Além de ter um custo menor do que os cursos presenciais, o EAD também tem a vantagem de aluno não precisar se locomover sempre para ir às aulas. Mas engana-se quem pensa ser uma opção mais fácil para se fazer um curso. Na maioria das universidades, as exigências chegam a ser maiores do que em cursos presenciais e a reprovação é alta.

Por isso, segundo o professor Jesuíno Irineu Argentino Júnior, diretor de Pós-Graduação da Unip, a cultura do EAD vem melhorando no país. "As pessoas começaram a ver que encaramos com seriedade essa modalidade e veem que mantemos a qualidade dos cursos."

Júnior lembra também que a dedicação do aluno de EAD cresceu. "Viram que não dá para fazer corpo mole só porque estão estudando em casa, sem ir até a sala de aula", explica.

Vagas estão disponíveis

Inscrições já estão abertas e candidato pode obter descontos ou até isenção nas intituições de ensino

As instituições de ensino superior já abriram inscrições para os interessados em um curso de pós-graduação neste segundo semestre de 2017. Algumas com isenção da taxa de inscrição.

E o conceito de educação continuada é hoje uma necessidade para o profissional e vista como fundamental pelas empresas que perceberam que um profissional com uma pós-graduação apresenta vantagens sobre aqueles que pararam seus estudos após se formarem na faculdade. A análise é do professor Jesuíno Irineu Argentino Júnior, diretor de Pós-Graduação Lato Sensu da Unip.

"O profissional que faz uma especialização está voltado para sua profissão, preocupado com sua carreira, e isso faz a diferença na hora de uma seleção ou promoção", afirma. Júnior lembra ainda que os profissionais com pós-graduação têm salários até 60% maiores. "Além disso, pesquisas realizadas em São Paulo indicam que 70% dos gestores de empresas tinham pós lato sensu", diz.

Já Adriano Magrinelli, gerente de Marketing da Faculdade Drummond, lembra que o mercado é algo em constante evolução, sobretudo do ponto de vista técnico. "Por isso, estar adaptado é condição para conseguir um lugar de destaque nesse cenário, que é extremamente competitivo", acredita.

"Sem dúvida, ter no currículo uma pós-graduação _'evidencia às corporações sua preocupação com a busca por conhecimento e por informação, o que irá agregar no processo produtivo daquela entidade."

Júnior lembra ainda que em um momento de crise no emprego, a pós se torna mais importante. "A concorrência pela vaga é maior, pois é possível encontrar profissionais mais bem preparados no mercado."

Mas também a crise traz a dificuldade em conseguir bancar uma pós-graduação. Nesse momento, afirma Magrinelli, o planejamento é o melhor caminho. "Abrir mão de alguns itens por um período pode ser uma boa saída", afirma.

(Renê Gardim)

Existem várias bolsas para quem quer fazer uma pós

Existem várias maneiras de alcançar o sonho de realizar uma pós-graduação sem gastar muita grana. A Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) é a fomentadora governamental da pós-graduação gratuita stricto sensu. Esse é um caminho se o negócio do profissional é desenvolver pesquisa.

Já o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) é um órgão do governo que fomenta pesquisas no Brasil. Os valores das bolsas são similares ao da Capes.

Já a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) tem o objetivo de fomentar o desenvolvimento de tecnologia, ciência e inovação empresarial e também fornece financiamento para a pós, assim como a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) que oferece oportunidade de se fazer pós grátis, mas apenas no estado de São Paulo. Além disso, praticamente todos os bancos possuem programas de financiamento estudantil. Eles financiam parte da parcela a ser paga e o estudante paga anos depois de formado, com juros.