Notícia

Jornal da Unesp

Pós e pesquisa em foco

Publicado em 01 novembro 2014

Por Cínthia Leone

A Unesp realizou no dia 9 de outubro o Fórum de Pró-Reitores de Pesquisa e Pós-Graduação da Região Sudeste (FoPROP), evento preparatório para o encontro nacional (o EnPROP), que acontecerá de 19 a 21 de novembro, em Águas de Lindoia (SP). Este ano, os dois encontros são organizados pela Unesp sob a coordenação da pró-reitora de Pesquisa, Maria José Giannini. Os temas predominantes foram as possíveis mudanças no sistema de avaliação da pós-graduação, financiamento de pesquisa e impacto das publicações.

Os pró-reitores pactuaram um consenso de que a avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) deve passar de trienal para quadrienal, para todos os programas. A alegação é de que o período de três anos é muito curto para enviar o volume de informações exigidas para a avaliação. No Brasil, os cursos de mestrado e doutorado são avaliados pela Capes, que atribui conceitos nos níveis 1 e 2 para os programas de pouco mérito acadêmico e que não podem mais receber alunos; 3 para cursos que podem funcionar regularmente; 4 e 5 para programas de excelência nacional; e 6 e 7 para cursos de qualidade internacional.

Jorge Luis Nicolas Audy, representante da Comissão de Acompanhamento do Plano Nacional de Pós-Graduação de 2011 a 2020, fez a primeira apresentação e falou sobre essa possível alteração. Ele afirmou que a Comissão recomenda apenas que os cursos de nota 6 ou 7 passem a ser avaliados em um prazo mais longo e que a avaliação seja feita somente por pareceristas internacionais.

Diretor de Avaliação da Capes, Lívio Amaral solicitou que os pró-reitores discutam a nova proposta de avaliação e apresentem um documento no EnProp. Ele defendeu o uso da plataforma Sucupira, um novo software que coleta os dados para os relatórios da avaliação trienal da Capes. “São as mesmas informações que pedíamos antes. O que precisamos agora é de uma A sinalização de vocês das universidades para saber como aperfeiçoar a ferramenta”, comentou.

Quadro geral

O tom do encontro foi de apreensão. “Estamos preocupados porque não vemos uma ação para dar uma política de Estado à ciência brasileira, ao mesmo tempo em que vivemos uma estagnação quanto ao financiamento e à criação de infraestrutura de pesquisa”, afirmou Giannini.

Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader apresentou indicadores negativos do impacto das publicações brasileiras e os níveis de citação dos autores. Ela também abordou o investimento insuficiente em pesquisa e desenvolvimento e enfatizou que o gargalo está no setor industrial. “Se não fosse o desempenho das universidades, nossos índices seriam muito piores nesse setor”, alertou.

Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor-científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), afirmou que o país ainda não tem nenhuma revista científica de relevância internacional, embora registre mais de 600 periódicos. Entre os obstáculos que ele apontou para o desenvolvimento da ciência no Brasil está o fato de que as universidades não protegem o tempo do cientista contra tarefas não acadêmicas. “A burocracia para pesquisas com uso de dinheiro público é normal e pode ser até maior em outros países, a diferença é que nas melhores universidades há escritórios com profissionais especializados em lidar com essas questões”, acentuou.

No que diz respeito à internacionalização, Audy ressaltou que o programa Ciência sem Fronteiras (CsF) alcançou no seu primeiro ano as metas de mobilidade que o Plano Nacional de PósGraduação havia estabelecido para 2020. Ele explica que isso obrigou a Comissão a estabelecer novos objetivos para a internacionalização da pós, como a desburocratização da contratação de pesquisadores estrangeiros e a modernização curricular. Nesse sentido, Nader ponderou que o CsF drenou excessivamente os recursos do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Audy falou ainda sobre a necessidade de adoção de mais centros de parcerias internacionais para tecnologia e inovação e citou como exemplo a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que criou um polo com investimentos de diversas multinacionais.

André Cabral de Souza, superintendente da Área de Apoio à Ciência, Inovação, Infraestrutura e Tecnologia (ACIT) da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), enfatizou que até há pouco tempo seu departamento enfrentava desafios como projetos com problemas técnicos graves, sendo que alguns nunca tinham recebido a visita de um analista da ACIT. Os valores desembolsados não eram suficientes para os projetos contemplados e muitos pesquisadores reclamavam da burocracia. De acordo com Souza, o número de projetos visitados subiu de 4% para 37%; o tempo de resposta para responder a pedidos de verba caiu de 367 dias para 34 e os valores liberados saíram de R$ 273 milhões em 2012 para R$ 388 milhões em 2013, e R$ 299 milhões até setembro deste ano. “Sabemos que houve muitos problemas, mas estamos recuperando a credibilidade e a eficiência”, ressaltou.

No encerramento do encontro, o presidente do Diretório Nacional do EnPROP, Mauro de Sá Ravagnani, destacou o peso que os representantes do Sudeste terão no encontro nacional em novembro e reforçou seu apoio quanto à discussão das mudanças na pós-graduação do país.

Ouça Podcasts sobre o evento:

Julio Cezar Durigan, reitor da Unesp

<http://goo.gl/rgK3gX>

Maria José Soares Mendes Giannini

<http://goo.gl/ISZuzd>

Carlos Henrique de Brito Cruz

<http://goo.gl/oTtYEV>

Helena Nader

<http://goo.gl/CXfOFw>

Livio Amaral

<http://goo.gl/JLdy02>

André Cabral de Souza

<http://goo.gl/FXdCVZ>

Jorge Audy

<http://goo.gl/IDA1hN>