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Universia Brasil

Porcentual do PIB investido em São Paulo em P&D supera o da China

Publicado em 13 abril 2010

Calculado como porcentagem do PIB (Produto Interno Bruto), o investimento do estado de São Paulo em Pesquisa e Desenvolvimento (Pamp;D) supera o de gigantes emergentes, como a China, a Índia e o próprio Brasil. E também fica à frente daquele de nações desenvolvidas da Europa, como a Itália e a Espanha, e de todos os países da América Latina. O dispêndio total paulista em P&D alcançou, em 2008, 1,52% do PIB estadual, perfazendo, em valores absolutos, aproximadamente R$ 15,5 bilhões.

A informação será levada à Conferência Paulista de Ciência, Tecnologia e Inovação, que será realizada na sede da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), nos próximos dias 12 e 13 de abril. O encontro é preparatório para a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, que se reunirá em Brasília, de 26 a 28 de maio.

Na composição do investimento paulista em 2008, o setor privado contribuiu com 62,8%, o governo estadual com 24,0% e o governo federal com 13,1%. Um detalhamento da composição mostra que, no setor público, o setor que mais investiu em 2008 foi o de instituições de ensino superior estaduais, que cobriu 17% do dispêndio no estado.

O dispêndio público estadual foi o que mais cresceu desde 1995, atingindo, em 2008, um valor real (corrigido pelo IGP-DI) 47% maior do que o de 1995. No mesmo período, o dispêndio empresarial aumentou em 30% e o federal, em 3%.

Dada a relevância de São Paulo na produção científica brasileira e suas implicações no desenvolvimento do país, o indicador de aumento de apenas 3% em 15 anos no dispêndio federal em Pamp;D em São Paulo reforça o argumento dos organizadores da conferência sobre a necessidade de um maior equilíbrio entre investimentos federais na expansão do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia e na promoção da qualidade dos centros de excelência existentes em São Paulo e no país.

"São Paulo forma 48% dos doutores brasileiros, concentra 30% dos que estão em atividade de pesquisa, produz 50% dos artigos científicos publicados e recebe, em média, pouco mais de 20% dos recursos das agências federais de fomento à ciência e tecnologia", afirma Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP. "Ao mesmo tempo em que é essencial que se expanda o sistema nacional de C&T, é também fundamental que sejam apoiados os centros mais avançados e que dão maior contribuição ao desenvolvimento científico e tecnológico do país", resume.

Entre outras medidas, a Conferência Paulista deverá propor a articulação de políticas estaduais e federais para aproveitamento da capacidade instalada de CT&I de São Paulo na formação de pesquisadores para o Brasil, apoiando a inovação e o desenvolvimento de grupos de pesquisa. Estudo recente mostrou que 18% dos bolsistas da FAPESP trabalham em outros estados da união.

"Esse critério pode melhorar a distribuição do investimento nacional para valorizar os centros de pesquisa já desenvolvidos e gerar conhecimento para sustentar a inovação", afirma Eduardo Moacyr Krieger, professor emérito da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, ex-presidente da Academia Brasileira de Ciências e membro da comissão organizadora da Conferência. Os núcleos de excelência podem dar impulso ao desenvolvimento e à competitividade internacional da ciência brasileira, fazer inovação por meio de parcerias com o setor privado e ser o local onde as empresas encontram não só recursos humanos qualificados, como também o conhecimento, que precisa ser gerad o para ser usado, explica Krieger, que é membro do Conselho Superior da FAPESP.

Conferência Paulista discutirá o futuro do Sistema Paulista de Ciência, Tecnologia e Inovação nas vertentes acadêmica, empresarial e privada sem fins lucrativos

A Conferência Paulista de Ciência, Tecnologia e Inovação será composta por cinco painéis temáticos. A programa está no site www.fapesp.br/cpcti . Na segunda-feira, 12 de abril, o diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, apresentará o "Plano para C,T&I em São Paulo - 15 anos". Também serão debatidos desafios e oportunidades de desenvolvimento de pesquisa no ambiente empresarial e Áreas Focais para Pesquisa e Desenvolvimento em São Paulo. Na terça-feira, 13, os te mas são: Pesquisa Acadêmica (quantidade X qualidade da produção científica), Formação de Recursos Humanos (demandas de mercado e necessidade de ampliação na formação de doutores) e São Paulo e o Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Fonte: Assessoria de Comunicação da FAPESP