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A Gazeta (Cuiabá, MT) online

Porção sutil e delicada dos modos de ser negra

Publicado em 02 novembro 2009

Treze cantoras, ligadas aos universos da canção brasileira e do jazz, amparam a abordagem do livro Solistas Dissonantes (Letras e Vozes), do jornalista e historiador, Ricardo Shantiago. Ultrapassando a associação cristalizada entre artista negro e sambista, comum no panorama artístico e midiático brasileiro, elas constituíram e consolidaram um campo de trabalho com possibilidades alargadas.

Resultante do projeto de pesquisa Entre a harmonia e a dissonância, desenvolvido entre 2006 e 2009 com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), Solistas Dissonantes reúne histórias orais de Adyel Silva, Alaíde Costa, Arícia Mess, Áurea Martins, Eliana Pittman, Graça Cunha, Ivete Souza, Izzy Gordon, Leila Maria, Misty, Rosa Marya Colin, Virgínia Rosa e Zezé Motta. As narrativas são acompanhadas por fotografias das artistas provenientes de seus acervos pessoais e de autoria de fotógrafos de renome.

Apresentadas e discutidas por Santhiago, as histórias foram constituídas sob a perspectiva da história oral, método de pesquisa surgido nos anos 1940, na Columbia University, e que chegou ao Brasil na década de 1970. Ela consiste em um processo de construção de conhecimento fundado nos testemunhos, que valoriza a experiência dos narradores e a proximidade entre objetos e sujeitos de pesquisa, em um processo colaborativo.

O livro tem prefácio da cantora Cida Moreira e posfácio da pesquisadora Heloísa de Araújo Duarte Valente. Jerusa Pires Ferreira, professora da PUC-SP e especialista em manifestações da oralidade, assina o texto da orelha afirmando que o autor, "cúmplice, apresenta e situa histórias de mulheres que lidam com uma porção sutil e delicada dos modos de ser negra".

Serviço: O livro já chegou às livrarias mas pode ser adquirido também pelo site www.letraevoz.com.br