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Por trás do código da Vinci

Publicado em 11 outubro 2006

Por Washington Castilhos, Agência FAPESP

Projeto Universal Leonardo, do Reino Unido, mostra como a tecnologia pode ser usada para interpretar obras do grande gênio do Renascimento. Marina Wallace, diretora do projeto, conta detalhes da experiência

Como separar a obra de arte do objeto científico nos trabalhos de Leonardo da Vinci (1452-1519)?
"Para da Vinci tudo era holístico. Podemos ver que ele, nos esboços iniciais de suas telas mais famosas, experimentava o tempo todo", disse Marina, diretora do projeto Universal Leonardo, do Reino Unido.
Marina esteve na terça-feira (10/10) no RJ, para participar do Simpósio Ciência e Arte 2006, que termina nesta quarta-feira no campus da Fundação Oswaldo Cruz.
Criado em 1998, o Universal Leonardo foi concebido com o objetivo de aumentar a compreensão do trabalho do gênio do Renascimento por meio da análise de uma de suas obras mais célebres, a Madona do Fuso.
Utilizando tecnologia contemporânea — raio X, tomografia computadorizada, scanners e raios ultravioleta — as análises feitas pelos pesquisadores do projeto revelam detalhes de como a pintura foi realizada e de quais eram as técnicas usadas pelo artista.
"O uso dessa tecnologia moderna na análise do trabalho de Leonardo da Vinci tem nos feito compreender melhor o que se passava na mente desse gênio da pintura", disse Marina.
Segundo a também professora da Escola de Arte de Central Saint Martin, em Londres, talvez o resultado mais impressionante tenha sido a análise realizada por um scanner de infravermelho capaz de produzir imagens em alta resolução.
"Ao capturar partes da pintura, descobrimos os esboços feitos enquanto pintava a tela, sugerindo uma experimentação contínua por parte do artista. Também concluímos que algumas mudanças foram feitas quando o trabalho já estava terminado, o que nos fez perceber que o grande gênio talvez tivesse sentido a necessidade de revisar sua obra", observou Marina.
Segundo a análise feita pelo projeto, entre as mudanças feitas por da Vinci na obra está a retirada de uma estrutura arquitetônica, que no início do trabalho ficava no lado esquerdo da Madona.
Outra mudança é que a pintura originalmente mostrava um grupo de pessoas posicionadas em frente a essa estrutura. "Da Vinci sempre foi tido como cientista, artista ou engenheiro e nosso projeto torna a sua arte um objeto científico", disse Marina.