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POR QUE OS JOVENS COMETEM CRIMES

Publicado em 07 março 2021

Por Pluralidade do Cotidiano

No mês passado, o Pluralidade do Cotidiano publicou uma resenha sobre o livro “Gritos no vazio”, que em sua nova edição, lançada pela editora Vestígio, trouxe o nome de “Por que crianças matam”, algo que, claro - não respondido na obra. Pensando nisso, o blog foi atrás de respostas para essa pergunta.

A autora de “Por que crianças matam - a história real de Mary Bell” estava certa, por um lado, em sua teoria. Para ela, o sofrimento que Mary Bell passou durante a infância pode tê-la induzido a cometer os crimes.

O psiquiatra Robinson Yaluzan, disse ao portal G1 que: “adolescentes e crianças que passaram por algum trauma no meio em que viviam, assim como abusos físicos ou psicológicos durante a infância podem vir a cometer crimes violentos”.

Mas, obviamente, os especialistas são cautelosos. Eles explicam que cada caso é um caso. Algumas crianças dispõem de algum tipo de distúrbio genético, porém a forma como elas são criadas também provoca efeitos distorcidos em sua cabeça, já que seu córtex pré-frontal não está totalmente desenvolvido, isso só ocorre na fase adulta quando completamos 25 anos.

Significa que esses jovens possuem uma grande vulnerabilidade, as emoções estão sempre à flor da pele e seu caráter ainda não está completamente formado. Então tudo que aconteceu dentro de casa, durante sua educação e cuidados básicos são completamente influenciáveis durante seu processo de desenvolvimento. Nessa fase, a criança e o adolescente ainda estão aprendendo a distinguir entre o certo e o errado, o justo e o injusto.

Por esse motivo, é impossível para os psiquiatras avaliarem se esses indivíduos são ou não psicopatas ou se tendem a se tornar no futuro. A avaliação precisa só é realizada após os 18 anos. Antes disso, a análise traz como resultado o transtorno de conduta, ou seja, ainda é possível recuperar essas jovens para que se transformem em pessoas com bom discernimento.

“Queremos um dia poder identificar precocemente os indivíduos com risco elevado de apresentar transtornos mentais”, explica Euripedes Constantino Miguel, professor do Departamento de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP) para a Revista Fapesp, em uma entrevista sobre uma pesquisa realizada com um grupo de 2.512 crianças e adolescentes de São Paulo e Porto Alegre referente à saúde mental dos jovens.

Segundo ele, se isso ocorrer, talvez seja possível “planejar ações para trazer o cérebro de volta à sua trajetória normal de desenvolvimento”.

O estudo mostrou que das 2.512 crianças e adolescentes, cerca de 60% delas estão com alto risco de desenvolver transtornos psiquiátricos. Eles passaram por exames de ressonância magnética no Instituto de Radiologia da Universidade de São Paulo (USP).