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Por que os homens evitam ir ao médico?

Publicado em 11 maio 2007

Coincidindo com a criação da Política Nacional de Atenção à Saúde do Homem, anunciada em março pelo Ministério da Saúde e que, entre outras ações, visa a elaborar uma pauta de projetos voltados ao combate de problemas como câncer de próstata, tabagismo e obesidade, a revista Cadernos de Saúde Pública destacou o tema na edição do mesmo mês.

Um artigo destaca os resultados de uma pesquisa realizada no Instituto Fernandes Figueira (IFF) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, e que teve como objetivo identificar os principais motivos da baixa freqüência com que os homens vão ao médico.

O estudo teve como ponto de partida trabalhos anteriores que constataram que, em geral, a presença masculina nos serviços de atenção primária à saúde no Brasil é menor do que a feminina.

Foram entrevistados 28 homens divididos em dois grupos, dez com baixa escolaridade e 18 com ensino superior completo. Como um dos enfoques da pesquisa era a prevenção do câncer de próstata, todos os entrevistados tinham mais de 40 anos de idade.

A representação do cuidar como tarefa feminina foi o motivo que apareceu com mais freqüência informa Romeu Gomes, coordenador do estudo e professor do programa de pós-graduação do IFF, à Agência Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo).

"Ao contrário do que ocorre com as mulheres, que aprendem desde criança a ter cuidados com a beleza e com a saúde, tradicionalmente o homem não é educado para se cuidar", disse. O estudo aponta que, para os indivíduos de menor escolaridade, os horários de funcionamento dos serviços públicos de saúde também dificultam a procura por consultas médicas.A falta de serviços mais bem organizados e voltados exclusivamente para o universo masculino foi uma das principais justificativas entre os entrevistados com ensino superior.

Segundo a pesquisa, para os homens em geral, os serviços de saúde costumam ser percebidos principalmente como um espaço feminino. O medo de descobrir doenças graves foi outro motivo comum nos dois grupos analisados. (Agência Fapesp)