Notícia

Jornal da Cidade (Bauru, SP)

Por que 'eles' não valorizam ciência!

Publicado em 05 janeiro 2019

Nada, absolutamente nada, é de graça! Você está pagando de alguma forma. Shows gratuitos não existem, prefeituras, empresas e pessoas estão pagando e ganhando. Na cultura e religião, assim como na educação e ciência, nada é de graça! Você está pagando, não se iluda. Sempre vivemos no capitalismo puro! As universidades estaduais e federais são “gratuitas” e as demais pagas diretamente pelo estudante. As “gratuitas” são pagas também pelo e para o estudante, via impostos. A ciência no Brasil é exercida nas universidades e seus professores obrigatoriamente também são pesquisadores. A grande maioria das pesquisas no Brasil são feitas nas universidades estaduais e federais, e não nas privadas. Pesquisas ainda são feitas nos poucos institutos de pesquisas em alguns estados.

RIQUEZA ATUAL

Ciência e tecnologia requerem muito dinheiro. Estes investimentos geram novos processos, medicamentos, objetos e equipamentos com melhora na vida das pessoas a médio prazo. O produto final são patentes e marcas registradas e as pessoas logo pensam em coisas complexas. Nada disso e vou dar um exemplo! Os ícones ou desenhos nas telas dos celulares para indicar calculadora, aplicativo, lanterna e outras estão em quadrados com cantos arredondados. Isto é patente da Apple e se alguém usar também em seus celulares, deve pagar uma taxa para a empresa.

Patente e marca são coisas que podem ser simples. O brasileiro é criativo, mas não registra suas criações! Seria a “síndrome de vira-latas”? Países ricos e desenvolvidos no contexto das nações são os que têm mais patentes e marcas. Quando se obtêm uma patente e marca, qualquer pessoa no mundo que for usar o que foi registrado, precisa pagar uma taxa de uso. Desta forma, o país fica rico e ganha muito dinheiro, impulsionando ainda mais o progresso. Os países com mais patentes e marcas são Coreia do Sul, China, Japão, Alemanha e EUA. Este último está perdendo a primazia, por isto briga com a China que, de consumidor de marcas e patentes, passou a ser fornecedor e isto deixa Trump furioso, retalhando os produtos chineses. Quanto mais investimento em ciência e tecnologia, mais poderoso ficaria o Brasil, mas os resultados não são imediatos, demoram uma ou mais décadas!

NÃO VALORIZAM

Os presidentes, ministros, governadores e secretários, há 20 anos, eram formados nas boas universidades estaduais e federais com um ambiente científico e professores em tempo integral, onde valorizam o questionamento, a reflexão e a criatividade com tempo para isto. As universidades privadas, quase todas, pagam professores por hora/ aula. Sem ambiente cientifico e nem laboratórios de pesquisa, eles têm que ir embora, não há tempo para reflexões em reuniões cientificas e tecnológicas, tal qual os colégios de segundo grau. Por esta e outras razões são poucas as pesquisas nas universidades privadas. Ultimamente a maioria dos governantes advém das universidades privadas. Logo, tendem não valorizar a ambiência científica, nem sabem o que é isso, pois não a viveram! Assistiam as aulas e iam embora sem compromisso em criar conhecimento novo, sem ter uma noção definida de ciência e tecnologia.

Estes governantes estão tirando o pouco dinheiro dedicado a ciência como as verbas para o CNPq, Capes, Finep e a Fapesp (ver observatório ao lado). Eles nem têm ideia do que estão fazendo: 1. Reduzindo-nos a consumidores de ciência e tecnologia de outros países, 2. Nos condenando à eterna pobreza e dependência intelectual e tecnológica. Governantes, senadores e deputados implicam com as universidades e com as nossas instituições financiadoras da ciência e tecnologia. Não se tem como valorizar o que não se conhece profundamente. Como eles não viveram o ambiente cientifico e tecnológico onde a criatividade, reflexão e questionamentos devem ser livres da lógica de mercado, querem o dinheiro para “outras coisas”. Investir maciçamente na ciência e tecnologia é colocar o país entre os mais desenvolvidos daqui a 20 anos. Os celulares, computadores, robôs e outros avanços de hoje foram concebidos há 20 anos. Isto requer planejamento, pensar no país dos filhos ou netos e ter visão de futuro.

Observatório

Estadual – Três dias antes de finalizar o seu governo, Marcio França em um dia tirou e no outro devolveu o dinheiro que havia tirado da Fapesp correspondente a R$140 milhões destinado a pesquisas, tudo via Diário Oficial. Ele alegou que ia pagar despesas de outras secretarias com o dinheiro desviado. O artigo 271 da constituição estadual determina que 1% da receita tributaria do estado seja destinado à Fapesp que coordena as pesquisas no estado. Que vexame!

Federal – O dinheiro da pesquisa este ano termina em setembro e é igual ao de 2013. O presidente da Academia Brasileira de Ciências Luiz Davidovitch disse: “É preciso correr o máximo possível para permanecermos no mesmo lugar. Estamos andando para trás, temos que nos comparar com outros países. Não adianta só correr, tem que correr mais que os outros.” Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), a Financiadora de Projetos (Finep) e Capes: os pesquisadores estão apreensivos!