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Por que alguns países são mais eficientes que outros na luta contra a covid-19

Publicado em 18 janeiro 2021

Algumas nações que pareciam mais bem preparadas para lidar com pandemia global tiveram desempenho ruim contra coronavírus, enquanto outras com deficiências significativas se saíram melhor. Por quê? King é uma das coeditoras de um novo livro que compara as respostas nacionais à primeira onda de coronavírus no início de 2020. Sessenta acadêmicos de 30 países da Ásia, Europa, África e Américas contribuíram com artigos.

Fazer comparações internacionais é notoriamente desafiador porque os países usam diferentes padrões para medir como estão se saindo. A Bélgica, por exemplo, inclui casos suspeitos de covid-19 nas estatísticas de mortalidade, o que faz com que seu número total de mortes pareça maior do que em outros países. A Alemanha e a França sempre incluíram casas de repouso para idosos em seus números principais de mortalidade, enquanto no Reino Unido o foco está nos hospitais.

Comparar o número de casos é ainda mais complicado. Se você testar mais, encontrará mais casos, e a escala dos testes variou enormemente durante a pandemia, assim como as decisões sobre quem deve ser testado.

Comparações internacionais são desafiadoras porque países medem seus resultados de maneiras diferentesTambém há nuances a serem feitas sobre a composição demográfica em cada país: enquanto mais de um quinto da população italiana tem mais de 65 anos, o que a torna mais vulnerável à covid-19, a população da África é muito mais jovem - o continente tem 19 dos 20 países "mais jovens" do mundo.

No entanto, parece que o que um governo fez — e talvez ainda mais importante a rapidez com que agiu — teve efeitos profundos nos resultados nacionais durante a primeira onda da pandemia.Política e covid-19Indo além da comparação puramente entre os resultados, a professora King e seus colegas querem entender como as políticas de saúde pública também foram influenciadas por outros fatores.

Dizem que fatores como sistema de governo (seja democracia ou autocracia), instituições políticas formais (federalismo, presidencialismo, etc.) e capacidade do Estado (controle sobre sistemas de saúde e administração pública) moldaram as respostas do governo à covid-19.

Quando a China tomou a medida sem precedentes de isolar 50 milhões de pessoas na província de Wuhan, em janeiro de 2020, por exemplo, alguns argumentaram que os regimes autoritários podem ter uma vantagem sobre as democracias em sua luta contra a covid-19.

Governo russo tem sido criticado por apressar seu programa de vacinas por razões políticasMas o debate tornou-se mais matizado depois que as democracias ocidentais, começando com a Itália, começaram a se fechar também.

Sistemas políticos

Embora governos autoritários possam enfrentar menos oposição a quaisquer medidas que anunciarem, aplicá-las é outra questão.A professora King diz acreditar que, se governos autoritários minarem a confiança em suas populações, essas táticas podem não funcionar a longo prazo. Se as pessoas devem aderir a medidas restritivas, diz ela, "o fluxo de informações, a confiança no governo e nas instituições são importantes".

Ela ressalta que a resposta russa à pandemia foi inicialmente prejudicada pela falta de estatísticas. Mas ela acrescentou que mais recentemente o governo daquele país melhorou o fluxo de informações e apresentou um forte conjunto de políticas sociais destinadas a mitigar os efeitos da pandemia.

No entanto, uma investigação do serviço russo da BBC descobriu que a falta de transparência continuou a afetar a confiança do público, particularmente no que diz respeito à eficácia da vacina com fabricação 100% nacional, a Sputnik-V, que está sendo lançada enquanto ainda está em fase de testes. 

China foi primeiro país a impor bloqueios e continuou a usá-los em áreas onde a covid-19 ressurgiuInfelizmente, ela adverte, "vimos muitos regimes democráticos que não tinham um fluxo de informações muito bom".

O presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, tem repetidamente minado a mensagem a pandemia de coronavírus e vem sendo acusado de contribuir para números assustadores de casos e mortes no Brasil. Elize Massard da Fonseca, professora da FGV-SP, disse, em entrevista à agência de notícias FAPESP, que Bolsonaro mostrou "desprezo pela ciência" e negacionismo.

"O Brasil estava muito bem posicionado para lidar com a pandemia de maneira eficaz, mas infelizmente não o fez", assinalou.Mas, como o sistema federal dá aos Estados poder significativo sobre a saúde, os governos locais foram capazes de bloquear e comprar equipamentos e vacinas de forma independente. Caso de São Paulo, por exemplo.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também foi acusado de minimizar o vírus e entrou em confronto com Estados sobre como responder à pandemia.Depois de uma internação de três noites no hospital quando contraiu covid-19 em outubro, ele a comparou à gripe sazonal e insistiu que não era motivo para fechar o país.