Notícia

Todas noticia

Por que a indústria hospitalar é tão dependente do exterior

Publicado em 23 novembro 2020

Nos últimos meses, quem acompanhou as notícias relacionadas aos efeitos drásticos do avanço do coronavírus no brasil e no mundo, deve ter percebido que além de mudar completamente a dinâmica social, através da necessidade de isolamento e quarentena, todos os setores, como a educação, economia, e saúde foram afetados terrivelmente.

De maneira geral, a pandemia agravou carências e deficiências que a maioria dos brasileiros já enfrentavam antes da presença do vírus, principalmente na área da saúde, como a falta ou cortes em investimentos básicos, de comprometimento com o país e uma boa gestão dos equipamentos médicos públicos.

A urgência em resolver e lidar com esse problema intensificou as necessidades de reavaliar os caminhos percorridos no Brasil no que diz respeito às pesquisas e trouxe questões decisivas na definição de diretrizes para os gastos e investimentos neste setor, como é o caso da dependência brasileira de tecnologia e insumos estrangeiros.

Os países mais ricos do mundo são aqueles que têm a ciência mais desenvolvida e dominam as áreas tecnológicas de forma a serem capazes de produzir bens e serviços mais avançados.

Isso nos mostra o quanto ciência e tecnologia está intimamente ligada ao nível de desenvolvimento de um país, e nos diz de forma muito precisa o quanto estes elementos são importantes para melhorar a qualidade de vida das pessoas.

No Brasil esses recursos estão em falta e isso explica a situação de pobreza e desigualdade que enfrentamos, esse quadro não é nada animador, o que torna cada vez mais inadiável investir nesse campo.

Apesar da defasagem e carência, muitos cientistas brasileiros conseguem alcançar uma posição de destaque frente à ciência mundial, mas esses profissionais enfrentam uma série de dificuldade relacionadas à falta de investimentos, ao ceticismo e descrédito cada vez maior da sociedade e do governo às pesquisas científicas nos últimos tempos, o que impedem que por mais reconhecidamente promissoras avancem de forma expressiva.

O Brasil ocupa o 11º lugar no ranking de produção científica, índice associado à quantidade de trabalhos publicados, mas ainda é um desafio expandir o impacto da ciência brasileira na sociedade, e aliá-la às inovações tecnológicas.

Para ter uma noção, segundo informações da Fapesp – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – o investimento em Pesquisa e desenvolvimento sofreu um recuo a partir de 2016, com a retração da produção industrial e restrições no orçamento.

Esse quadro comprometeu o financiamento de projetos em universidades, instituições científicas e empresas inovadoras. Consequentemente esses fatores afetam o andamento de pesquisas na área da saúde e as dificuldades de acentuam.

A área hospitalar é uma questão complexa, e tudo piorou com a alta demanda de atendimentos e aumento premente de casos associados à Covid-19, que lotou e saturou o sistema único de saúde, evidenciando a dificuldade e a incapacidade de lidar com uma situação de calamidade pública provocada por anos de precarização.

Historicamente, a indústria hospitalar no Brasil possui muitas deficiências e em cada cenário ela é mais ou menos grave, fruto de uma tradicional dependência de ciências e tecnologias externas, causado por décadas de incentivo à reprodução em detrimento do domínio do processo produtivo.

Esse contexto provoca uma forma de operar onde toda indústria farmacêutica estava concentrada em copiar a produção de medicamentos estrangeiros, principalmente aquela proveniente dos Estados Unidos.

Em 1996 com a lei da patente instituída, a indústria brasileira sofre um baque, o que dá continuidade à produção de medicamentos, mas não a dos princípios ativos presentes neles, os chamados farmoquímicos e este quadro se repete até os dias de hoje.

Para ter uma ideia 90% dos medicamentos e princípios ativos de genéricos produzidos nacionalmente são importados trazidos de fora, principalmente da China e da Índia.

Barrar essa dependência seria crucial para a priorização do mercado brasileiro, que é promissor devido aos profissionais qualificados, e para remediar à população em suas necessidades.

O que seria um alívio na guerra mercadológica internacional por medicamentos e equipamentos (agravados durante a pandemia), para incentivo à pesquisa, produção e distribuição de ferramentas e equipamentos básicas, à participação do governo em pesquisa e inovação e o trajeto em direção à capacidade de construção de um projeto nacional que acolhe e atende toda a população.

Fernando Alves 15 posts Contagem de comentários 0