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Jornal Agora (RS) online

Por ampla maioria, população não confia no Congresso

Publicado em 02 julho 2007

A cada nova crise envolvendo parlamentares, juízes ou políticos a confiança dos brasileiros no funcionamento da democracia é abalada. O regime democrático parece estar consolidado no país, mas as pessoas têm uma relação paradoxal com ele. Ao mesmo tempo em que a maioria diz preferir a democracia, grande parte da população também desconfia de instituições como partidos, Congresso e Justiça.

Essa é a conclusão de uma pesquisa inédita patrocinada pela Fapesp e coordenada pelo cientista político José Alvaro Moisés, da USP (Universidade de São Paulo). Em junho de 2006, foram feitas 2.004 entrevistas em todo o País. O número de pessoas que dizem preferir a democracia a qualquer outro sistema ficou em 68,1%. Em 1989, eram 51%. Apesar dessa preferência, 81% das pessoas desconfiam dos partidos, e 76%, do Congresso.

"A desconfiança decorre da experiência e da avaliação prática que as pessoas fazem das instituições", diz Moisés. "É como se os brasileiros dissessem que amam a democracia como um ideal, mas odeiam as instituições porque desconfiam do seu funcionamento prático." Segundo o professor, de imediato, isso não representa um perigo. Mas no longo prazo podem surgir problemas.

Moisés - autor do livro "Os Brasileiros e a Democracia" - realiza pesquisas empíricas sobre o tema desde 1989. Para ele, "a democratização não é uma questão de tudo ou nada, democracia ou ditadura. Ela tem de ser vista em termos de uma gradação que afeta a qualidade da democracia".

O estudo mostra que 31,5% dos entrevistados acreditam que a democracia pode funcionar sem partidos e 28,7% acham que pode funcionar sem o Congresso. Além disso, 51,8% concordam em algum grau com a idéia de que, "quando há uma situação difícil no Brasil, não importa que o governo passe por cima das leis, do Congresso, das instituições para resolver os problemas do País". "É extremamente preocupante que cerca de um terço dos cidadãos brasileiros desprezem os meios de se fazer representar no sistema político", afirma o cientista político.

A pesquisa também testou o grau de desconfiança entre as pessoas. Com exceção da família, ou de colegas das mesmas igrejas, as pessoas têm pouca confiança nos brasileiros, nos colegas de trabalho e nos vizinhos. As três instituições em que mais se confia são bombeiros (86,1%), Igreja (75,3%) e Exército (61,4%).