Notícia

Agência C&T (MCTI)

População de baixa renda fuma mais, diz pesquisa

Publicado em 11 abril 2008

Os indivíduos de menores renda e escolaridade fumam mais. Esta é uma principais conclusões de um estudo feito por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) com habitantes do município de Parazinho (RN). O trabalho pode ajudar a direcionar políticas públicas para o combate ao tabagismo em pequenas cidades.

De acordo com um dos autores, Thales Jenner Falcão, a pesquisa constatou também que os homens fumam mais. Os resultados refletem um cenário nacional.

"A pesquisa foi desenvolvida com o objetivo de traçar um perfil dos fumantes locais para a construção de um projeto ambulatorial cujos medicamentos seriam custeados pelo Ministério da Saúde, visando à elaboração de programas de controle do tabagismo no município", explicou Falcão.

A pesquisa foi realizada por Iris do Céu Clara Costa, professora do Departamento de Odontologia da UFRN, e por Falcão, dentista, especialista em saúde coletiva pela UFRN e ex-coordenador da vigilância sanitária de Parazinho. O estudo foi publicado no Jornal Brasileiro de Pneumologia.

O estudo se baseou em um questionário apresentado a 150 pessoas — o que representa 25,6% do universo de fumantes do local. Os participantes, das zonas rural e urbana, responderam a perguntas objetivas e subjetivas sobre assuntos como condição econômica, tempo de tabagismo, idade no início do uso, motivação para fumar, vontade e tentativa de parar, síndrome de abstinência, amigos e familiares fumantes, doenças relacionadas ao uso do tabaco ou da ingestão alcoólica.

Início precoce

Os dados indicaram que, do universo de fumantes, 57,8% eram do sexo masculino, contra 42,2% de mulheres. Em relação ao perfil sociodemográfico, verificou-se que, na população acima dos 19 anos, 26,4% dos homens e 20,4% das mulheres eram tabagistas.

Um dado chamou a atenção: 66% dos entrevistados ganhavam até um salário mínimo. Além disso, cerca de 39,3% eram analfabetos e 51,3% tinham o ensino fundamental incompleto. Os dados destacam, de acordo com os autores, a forte relação entre tabagismo, baixa escolaridade e baixa renda.

"As pessoas de menor rendimento e com baixa escolaridade fumam mais. Algumas não acreditam na ciência e chegam a contestar o fato de que o cigarro mata. Apresentamos palestras educativas em escolas e unidades de saúde, que são muito importantes, assim como o fornecimento de medicamentos. Mas é essencial diminuir as desigualdades sociais", explicou o pesquisador.

Segundo o estudo, 86,6% das pessoas entrevistadas tinham televisor e 54,6% tinham rádio, o que "favorece trabalhos educativos que utilizem esses meios de comunicação".

A pesquisa detectou também que 45% dos entrevistados começaram a fumar com até 12 anos de idade. Mais de 78% começaram antes dos 18 anos.

É fundamental, na visão do pesquisador, um aconselhamento e o trabalho com grupo de fumantes.

O mais marcante, no desenvolvimento da pesquisa, foi ver muitos usuários querendo largar o vício e não conseguindo. " Devido ao alto custo desses medicamentos, as pessoas carentes não podem ter uma ajuda adequada. Algumas chegaram a suplicar por ajuda. Essa necessidade só é percebida no convívio", alertou Falcão.

(Da Agência Fapesp)