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A Semana (Curitibanos, SC) online

Pomada contra lesões causadas pela aranha-marrom é testada em SC

Publicado em 26 dezembro 2018

Uma pomada voltada ao tratamento de picadas provocadas pela aranha-marrom está em fase de testes em Santa Catarina. A previsão é de que até 250 pacientes com lesões causadas pela aranha em municípios catarinenses participem dos chamados ensaios clínicos. Para que a eficácia da pomada seja analisada, metade irá receber uma versão placebo e a outra metade receberá o medicamento verdadeiro. Se a experiência for bem-sucedida, a pomada poderá ser incluída no protocolo de tratamento de pacientes que desenvolveram lesão causada pela picada.

A fórmula é a base de tetraciclina, uma substância usada como antibiótico, e tem estudos desenvolvidos pelo Instituto Butantan de São Paulo. Os ensaios clínicos ocorrem em Santa Catarina porque o Estado tem alta ocorrência de picadas por aranha-marrom - apenas o Paraná registra mais casos, conforme dados do Ministério da Saúde.

A produção da pomada para o período de testes foi concentrada por uma farmácia de Florianópolis, com o acompanhamento de órgãos reguladores estaduais e possibilidade de distribuição para todo o Estado. Os primeiros pacientes foram submetidos ao tratamento nas últimas semanas. A expectativa é de que o grupo planejado de 250 pacientes seja alcançado dentro de um ano.

Em fases anteriores, a eficácia da pomada foi verificada em testes em cultura celular e modelo animal, considerados promissores.

-A comunidade nessa área aguarda pelos resultados. Uma vez que eles sejam positivos, isto vai nos levar a conversar com o Ministério da Saúde para que a pomada seja incluída na cartilha para o tratamento de pacientes lesionados pela aranha - diz Denise Tambourgi, pesquisadora do Instituto Butantan e do Centro de Toxinas, Resposta Imune e Sinalização Celular, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Se a fase de testes em Santa Catarina cumprir os resultados previstos e a pomada receber o aval da comunidade médica, Denise espera que a produção do medicamento possa ser custeada em algum modelo de parceria e oferecida ao Ministério da Saúde para distribuição gratuita.

-Vamos tornar isso muito público. A divulgação dos resultados ocorrerá no ambiente nacional e internacional. A distribuição se daria em vários postos, lugares do Brasil inteiro - reforça.