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Jornal São Paulo - Zonal Sul

Poluição traz riscos para vida marinha

Publicado em 23 janeiro 2014

Aquilo que muitos já intuem agora foi comprovado por uma pesquisa desenvolvida por um grupo de especialistas do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB/USP). Após a coleta de amostras de água do mar e de plâncton na Baixada Santista, em Ubatuba e em São Sebastião, os pesquisadores comprovaram que quanto menos poluída a água do mar, maior é a diversidade de bactérias importantes para a vida marinha.

Foram encontrados 13 gêneros de bactérias quitinolíticas na Baixada Santista, 19 em Ubatuba e 28 em São Sebastião, somando as amostras de água do mar e de plâncton. O foco estava neste tipo de bactéria, porque elas liberam carbono e nitrogênio, utilizados em processos biológicos, fisiológicos e bioquímicos ao longo de toda a cadeia alimentar. Por meio de estudos anteriores realizados pelo próprio ICB/USP, os pesquisadores conheciam os níveis de poluição resultante da ação humana nos três locais: alto na Baixada Santista, médio em São Sebastião e baixo em Ubatuba.

Cruzando os resultados, concluiu-se que a maior diversidade é encontrada onde há poluição baixa ou mediana. “Os microrganismos nativos de um sistema competem com outros que chegam até ele,por meio de esgotos não tratados, por exemplo. E sobrevivem os mais fortes - no caso, aqueles associados aos poluentes’: disse Irma Nelly Gutierrez Rivera, professora e pesquisadora do ICB/USP. A redução na diversidade de bactérias quitinolíticas gera preocupações em ao menos três esferas. A primeira remete aos prejuízos diretos para a cadeia alimentar marinha, que necessita do carbono e do nitrogênio liberados pela metabolização da quitina.

A segunda diz respeito a perdas para uma série de processos biotecnológicos nos quais essas bactérias são aplicáveis, como controle de insetos e fungos. Já a terceira implica em riscos relacionados à perda de biodiversidade nos ecossistemas costeiros do país. “Há espécies desaparecendo antes mesmo de serem catalogadas. Isso é ruim porque devemos saber o que é nosso e o que não é – caso, por exemplo, dos microrganismos que chegam com a água de lastro dos navios e cuja interação com as espécies locais pode dar origem a espécies patogênicas que, por sua vez, podem causar doenças para o homem, para os animais marinhos e para o próprio ecossistema”, disse Rivera. A pesquisa foi realizada com apoio da FAPESP.