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Revista Analytica

Poluição de Manaus causa impacto brutal na Floresta Amazônica, aponta estudo

Publicado em 17 abril 2019

Grupo de pesquisadores descobriram que a poluição de Manaus, capital do Estado do Amazonas, aumenta para além do esperado a formação de aerossóis produzidos pela floresta Amazônicas.

A poluição de Manaus implica em um aumento médio de 200% na formação de aerossóis orgânicos secundários, sendo que alguns momentos registraram picos de até 400%. Em situações regulares, ou seja, em que a poluição urbana não afetasse a floresta, tais aerossóis seriam encontrados no solo e em menor quantidade.

As mudanças climáticas globais estão impactando significativamente em aspectos importantes da maior floresta tropical do mundo, como por exemplo, produção de nuvens, na produção de chuva e também na taxa de fotossíntese das plantas.

Comparando a poluição na floresta amazônica com outros estudos que relacionam a poluição com as florestas boreais, um tipo de floresta base da modelagem climática global, notou-se um aumento de 60% dos aerossóis orgânicos secundários.

O que são os aerossóis orgânicos?

Aerossóis são partículas que podem assumir diferentes estados físicos: podem ser sólidas, liquidas ou gasosas. Sua produção natural pelas florestas como partículas primárias, ou podem ser partículas secundárias, quando produzidas a partir de precursores gasosos emitidos pelas florestas, ou por queima de combustíveis fósseis (atividade humana).

Tais partículas possuem um papel importantíssimo para a transmissão de radiação solar na atmosfera, para formação e desenvolvimento de nuvens e produção de chuva. Henrique Barbosa, professor do IF-USP e também autor do artigo afirmou que a Amazônia é um ambiente extremamente limpo, e qualquer mudança, ainda que mínima neste sentido, causa uma grande perturbação no ecossistema.

Nuvens, chuva e fotossíntese: o impacto da poluição nos processos naturais

“Observamos como, por causa da quantidade de aerossóis ultrafinos nas nuvens, muda a velocidade do ar ascendente. Isso deixa as nuvens mais vigorosas e com mais água precipitável”, comentou Barbosa.

Além das chuvas, outro aspecto vital que é brutalmente afetado é a fotossíntese. Para ocorrer a fotossíntese da floresta é necessária radiação solar para a fixação do carbono. Assim, até certo ponto é possível que os aerossóis tornem ainda mais eficaz a fotossíntese, uma vez que eles prendem a radiação solar. Contudo, depois deste limite ótimo, a fotossíntese passa a ser mais lenta.

Segundo Barbosa, isso ocorre porque existem dois tipos de radiação: direta e difusa. A radiação direta é a que faz sombra, uma vez que ilumina só as camadas mais altas das árvores, enquanto a difusa é a radiação com maior facilidade de penetrar na copa das árvores. “No balanço final, o aerossol acaba diminuindo tanto a luz solar que a planta não consegue fixar muito carbono”, afirmou o pesquisador.

Informações: Agência Fapesp