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Agência Gestão CT&I

Poluentes e moléculas da biodiversidade serão estudadas em novos INCTs

Publicado em 03 abril 2017

Um workshop realizado no Instituto de Química de Araraquara (SP) iniciou o trabalho de dois novos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) na Universidade Estadual Paulista (Unesp). As entidades, que atuarão nos próximos seis anos, são o INCT-Datrem (Instituto Nacional de Tecnologias Alternativas para Detecção, Avaliação Toxicológica e Remoção de Contaminantes Emergentes e Radioativos) e o INCT-Bionat (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Biodiversidade e Produtos Naturais).

O INCT-Datrem vai trabalhar com contaminantes que afetam a água e com a importação e exportação de produtos que envolvem micropoluentes, substâncias que podem ser prejudiciais à saúde humana e animal mesmo quando estão presentes em concentrações muito pequenas. Serão inicialmente 20 pesquisadores de instituições paulistas e 12 cientistas de outros estados, como Sergipe e Rio de Janeiro.

As pesquisas analisarão tanto os processos que levam à liberação de tais moléculas no ambiente e em produtos industrializados quanto o ciclo de vida das substâncias e de seus derivados na natureza. A equipe também estudará processos mais rápidos e baratos para detectar sua presença no ambiente, incluindo o desenvolvimento de sensores mais seletivos e específicos e novos reatores para o tratamento de água.

Já o INCT-Bionat tem o objetivo de estudar os organismos da biodiversidade brasileira. A coordenadora do instituto, Vanderlan Bolzani, explica que apesar do enorme potencial da biodiversidade brasileira, como produtos de alto valor agregado baseados em espécies nativas na área farmacêutica ou de cosméticos, ainda não existe no Brasil exemplos de inovação radical, seguindo esses princípios.

Bolzani espera que o novo INCT ajude a mudar esse quadro, tanto pelo esforço de obter mais conhecimento científico relevante quanto pelo objetivo de sistematizar o que já se sabe sobre o potencial da biodiversidade brasileira. A ideia é criar uma grande base de dados reunindo as dezenas de milhares de estudos já publicados sobre o tema e, de preferência, disponibilizá-la aos interessados por meio da internet.

“Percebemos que, apesar da enorme diversidade de espécies no Brasil, os pesquisadores que trabalham com química de produtos naturais acabam muitas vezes estudando sempre as mesmas plantas”, comentou Bolzani.

Um dos destaques do INCT-Bionat será o estudo de moléculas obtidas a partir de plantas medicinais do Nordeste. Outra área que o instituto pretende explorar é a biossíntese, ou seja, técnicas de produção de moléculas de interesse em organismos como bactérias e leveduras. Fazer novas coletas de espécies vegetais potencialmente úteis também está nos planos da equipe.

(Agência ABIPTI com informações da Agência Fapesp)