Notícia

Jornal de Piracicaba

Pólo Nacional é incorporado pela USP

Publicado em 24 março 2009

Pólo Nacional de Biocombustíveis será absorvido pelo Centro de Bioenergia da USP (Universidade de São Paulo), unidade em fase de criação e que estará sediada na Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) ainda neste ano. A biomassa gerada pela agroenergia será o foco principal das pesquisas de uma rede que integra os campi de Lorena, Pirassununga, São Carlos, Ribeirão Preto e as áreas de química, biociência e física de São Paulo. O diretor da Esalq Antonio Roque Dechen, que ocupará o cargo de coordenador geral do centro de bioenergia, afirma que o pólo não será desmantelado e nem perderá o objetivo de sua criação.

O Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria Estadual de Ensino Superior, está disponibilizando recursos para três centros de bioenergia. Outros dois serão instalados na Unesp (Universidade Estadual de São Paulo) e Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). A Fapesp será responsável por coordenar cada um dos projetos nas três universidades. "Todas terão que apresentar um projeto e o de Piracicaba está pronto e até já apresentamos sua primeira formatação. Ainda não se sabe o valor que virá para implantação desse centro, mas é certo que cada universidade construirá um modelo", relata. Segundo Dechen, o pólo não perderá a sua principal característica de atuar em âmbito nacional e internacional. "Um dos quesitos desse centro é a participação de entidades internacionais, que será assegurada por meio dos principais parceiros da Esalq".  Dechen se refere às universidade de Illinois (EUA), de Ohio (EUA), Rutegers (EUA), Wagenigen (Holanda), de Tokio (Japão) e de Tsukuba (Japão). "Essas entidades já trabalham de alguma forma com bioenergia e contribuirá conosco, principalmente, com aporte intelectual. A vinda à Esalq do primeiro-ministro da Holanda, Jan Peter Balkenende, no início deste mês, teve como objetivo específico selar essa parceria entre universidades", informou o diretor da Esalq.

Ainda conforme Dechen, haverá captação de recursos para contratação de pessoas para trabalha na unidade em Piracicaba e construção de um prédio para abrigar a nova empreitada. "Mas a verba para a viabilização inicial desse centro vão ser alocadas ainda neste ano", relatou Dechen. O diretor da Esalq informa que a transição do pólo ­ concebido pelo Governo Federal e sediado na Esalq ­ para as mãos da USP teve início em dezembro.

Até a semana passada, o professor do departamento de Produção Vegetal, Edgar Gomes Ferreira de Beauclair, era o coordenador do pólo. Segundo Dechen, será definida uma nova coordenação para o pólo, porém, não há data para que a decisão seja tomada. Na posição de vice do Centro de Bioenergia ficará Igor Podgorski, da USP de São Carlos.

Criado em 16 de janeiro de 2004 e implantado em novembro do mesmo ano, o Pólo Nacional de Biocombustíveis nasceu para pensar novos contextos de energia, como o biodiesel, para o Brasil. Sob as mãos do então ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, a importância do lançamento era tamanha que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

O objetivo era o de coordenar esforços e definir estratégias para uso de diferentes fontes de biomassa, como girassol, milho, amendoim, mamona, soja, gordura animal, madeira, carvão e a própria cana-de-açúcar para fins energéticos, bem como contribuir para o desenvolvimento de uma política de promoção e produção dos biocombustíveis no país. Desde a sua criação até 2008, o professor da Esalq Weber Antonio Neves do Amaral foi o coordenador do pólo.