Notícia

Revista Pack

Pólo de tecnologia

Publicado em 01 outubro 2007

Não é de hoje que a questão das embalagens, entendida como a importância do contínuo aprimoramento desse veículo tão relevante para uma economia moderna, preocupa o meio empresarial e acadêmico brasileiro. Prova disso é que nosso país conta com um centro de pesquisas voltado exclusivamente para isto. Trata-se do Cetea (Centro de Tecnologia de Embalagem), criado em 1982, por meio de expansão da antiga seção de embalagem e acondicionamento do Ital (Instituto de Tecnologia de Alimentos), que, por sua vez, havia surgido em 1969. Assunto embalagem, vê-se logo, é tema de pesquisas e debate nesse país já há um bom tempo.

O Cetea possui fortes vínculos com a iniciativa privada e fornece, com suas pesquisas, importantes contribuições para o desenvolvimento da indústria brasileira de embalagem. Sobre isto Assis Euzébio Garcia, diretor técnico do Cetea, conta que, ao longo dos 25 anos de história, as pesquisas e treinamentos revelaram verdadeiros marcos para a área. "Alguns deles podem ser facilmente relembrados por profissionais do setor e pelos consumidores, dado o impacto que alcança ram no mercado brasileiro". Entre eles podem ser citados trabalhos com os seguintes temas: retortable pouch, garrafas plásticas para óleo vegetal comestível, embalagem com atmosfera modificada, migração de componentes da embalagem para o produto, garrafa PET, lata eletrossoldada, garrafa de vidro de uso exclusivo para cerveja, embalagem e meio ambiente, desenvolvimento de embalagens de papelão ondulado e simulação das condições de transporte em laboratório.

"Considerando esses exemplos, quatro trabalhos específicos podem ser destacados pela importância que adquiriram no setor e nas atividades do Centro e pela atualidade: as pesquisas com retortable pouch, os estudos de migração, o Ecodata e os trabalhos com avaliação dos ciclos de vida", destaca Garcia.

A partir 1979, o Cetea, numa iniciativa pioneira, começou a trabalhar com embalagens plásticas esterilizáveis, denominadas retortable pouch. Essas embalagens são utilizadas no acondicionamento de produtos prontos para consumo como semi-elaborados, dispensando a refrigeração e oferecem produtos de alta qualidade uma vez que os alimentos são submetidos a um menor tempo de exposição ao calor. Na década de 80, consolidou-se o conhecimento na área, que começava a incluir também embalagens totalmente feitas de materiais plásticos, flexíveis ou rígidas, com diferentes barreiras a gases.

"Nos anos 80 e início dos anos 90, foi gerado farto material científico e tecnológico com o apoio de diferentes órgãos públicos nacionais e internacionais e de empresas privadas que acreditavam no potencial desta tecnologia", explica Garcia. Ele continua: "Com o conhecimento e a infra-estrutura adquiridos no período e, graças à visão de longo prazo de alguns dos colaboradores do Centro foi possível auxiliar as empresas pioneiras na implantação dessa tecnologia no País. As embalagens plásticas esterilizáveis estão presentes hoje em diferentes mercados, a exemplo dos supermercados, merenda escolar, forças armadas, e fazem parte da pauta de exportação do país".

A migração é um fenômeno de transferência de substâncias da embalagem para o produto alimentício devido ao contato ou interação entre eles. As substâncias migrantes, por não serem previstas nem desejadas, são consideradas aditivos acidentais e podem acarretar a contaminação toxicológica ou sensorial dos produtos acondicionados. O Centro de Tecnologia de Embalagem vem se dedicando, desde 1982, ao desenvolvimento e implantação de metodologias para análise de migração total, migrações específicas de monômeros e metais de materiais de embalagem como plásticos, celulósicos, vernizes e revestimentos, avaliação de pigmentos e corantes, parafinas, adesivos, entre outros. "A equipe técnica cicie iniciou esse trabalho foi capacitada por meio de treinamentos no exterior, principalmente, Alemanha, Inglaterra, França e Estados Unidos, em Institutos de Pesquisa e Universidades com tradição em estudos de migração", afirma.

O Cetea participou, ainda, como membro oficial, do processo de harmonização das legislações referentes a materiais para contato com alimentos do Mercosul e participa atualmente do Grupo de Embalagens e Equipamentos em Contato com Alimentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "Em 2003, foi o primeiro Laboratório Habilitado, Segundo a norma ISO 17025, pela Rede Brasileira de laboratórios Analíticos em Saúde (Reblas), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para análise de materiais de embalagem para contato com alimentos, segundo a legislação brasileira e do Mercosul ". Assim, desde o início dos estudos sobre migração, o Centro de Tecnologia de Embalagens presta assessoria técnica às indústrias nacionais sobre a adequação de materiais para contato direto com alimentos, colaborando com a melhoria da qualidade, segurança das embalagens nacionais e enfatizando que os fabricantes de embalagem devem ter ciência de suas responsabilidades como elos da cadeia produtiva de alimentos.

Também se adiantou às demandas que hoje se mostram consolidadas na área de embalagens. Exemplo disso são  trabalhos voltados à preocupação com o meio ambiente,  tendência que se fortaleceu a partir da década de 90. Desse modo, em 1993, foi criado o Ecodata, um banco de dados que abrange desde legislação, coleta seletiva e reciclagem de embalagem até informações sobre equipamentos industriais para o reprocessamento dos mais diversos materiais no Brasil e no mundo. "Mas, com um diferencial: disponível gratuitamente para a população. Esse passo foi pioneiro entre as instituições internacionais que trabalham com embalagens", diz Garcia. Os dados atuais comprovam essa permanente dinamicidade do banco de dados: atualizando regularmente e de fácil acesso, contém 8 578 artigos. "Os pesquisadores do Centro passaram, ainda nesse sentido, a dar maior atenção a uma ferramenta que vinha sendo usada no exterior no sentido de discutir ambiental causado por um processo produtivo: a avaliação dos ciclos de vida (ACV)". A ACV, diferente de outros processos que envolviam a preocupação ambiental com embalagens, não se ocupava apenas do pós-consumo, mas com o processo como um todo. "Esse especificidade atraiu o interesse dos pesquisadores do centro que começaram a estudar o tema em 1995. Dois anos depois, foi apresentada para a Fapesp uma proposta que tinha o objetivo de aplicar o estudo de ciclos de vida para analisar o sistema de embalagens no Brasil ", salienta. O Centro continua trabalhando com ACV,  respeitando uma tendência cada vez mais consolidada da preocupação com o meio ambiente. "Os projetos realizados atualmente se referem a materiais que ainda não foram analisados e à de manda espontânea de empresas dispostas a mapear e melhorar seu processo e que já entenderam a importância da Avaliação de Ciclo de Vida", ressalta Garcia.

E como o Cetea está se preparando para o futuro? Ele responde: ''Para detectar e promover ações que aparelhem mais e mais o Centro e capacitem seu corpo técnico para demandas crescentes e emergentes, o Cetea desenvolveu um plano denominado Cetea 2015. Apesar infra-estrutura excelente e modernizada, precisamos nos adiantar aos imperativos do setor de embalagens. O plano se baseia em três pontos principais: a prestação de consultoria para inserção de empresas no mercado a prestação de consultoria para o investimento em mercados emergentes; e ações de pesquisa e desenvolvimento (P&D) na área de embalagens com foco em aplicação", explica, confiante.

É também pelo mérito de instituições como esta que hoje a indústria de embalagens brasileira é a força formidável que conhecemos. Saber que os líderes do Centro estão, desde já, agindo para que o mesmo leve adiante, pelos próximos anos, o excelente trabalho que até aqui desenvolveu é algo que tranqüiliza e entusiasma a todos nós. Longa vida ao Cetea!