Notícia

Associação Paulista de Jornais

Pólo de tecnologia terá investimento do Estado

Publicado em 07 julho 2007

Por Adriana Leite

O governador do Estado de São Paulo, José Serra (PSDB), quer o avanço do desenvolvimento do Parque Tecnológico de Campinas. Ontem, em reunião entre o secretário estadual de Desenvolvimento e vice-governador, Alberto Goldman, e o prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos (PDT), o Estado se colocou a disposição da municipalidade para ações que fomentem o crescimento do parque.

"A ação principal é da Prefeitura de Campinas, mas o Estado tem o papel de auxiliar na implementação do parque", disse Goldman. O secretário citou que na esfera estadual há formas de captação de recursos para apoio às empresas de base tecnológica por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O Estado também está em fase de estruturação de uma agência de fomento para o setor de tecnologia. "Esse aparato é uma questão de infra-estrutura. O nosso objetivo é mostrar que somos parceiros", afirmou o secretário.

Goldman lembrou que há um decreto em vigor que determina a constituição de cinco parques tecnológicos no Estado: São Paulo, Campinas, São José dos Campos, São Carlos e Ribeirão Preto. "A área com maior vocação e que já estruturou um parque é Campinas. Em São Paulo, as iniciativas estão muito espalhadas. Os outros parques têm situações pontuais que estão sendo trabalhadas", comentou. Goldman salientou que a conversa com Hélio sobre o parque foi um pedido do governador José Serra.

O prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT) garantiu que o governo municipal está empenhado em ocupar a área do parque tecnológico com empresas de ponta. "O parque tecnológico de Campinas já é uma realidade. Nos últimos dois anos, várias novas empresas se instalaram na área como a Natura, o Instituto de Pesquisa Eldorado, Tata, o Centro de Pesquisas Avançadas Wernher von Braun e o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Tecnologia da Informação do Exército", enumerou


Plano diretor

O prefeito afirmou que a parceria com o Estado vem agregar valor e impulsionar a ocupação do espaço do parque. "O trabalho conjunto vai alavancar a complementação do parque. Sem esquecer que já está garantida a proteção ao Parque Ambiental do Anhumas. O parque tecnológico será ocupado essencialmente por empresas de cunho tecnológico", explicou Hélio. O prefeito lembrou que os parques nasceram a partir de um projeto estruturado pelo físico e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Rogério Cézar de Cerqueira Leite.

O novo Plano Diretor de Campinas, aprovado pela Câmara Municipal no ano passado, estipulou um aumento no tamanho do Pólo Ciatec II: o local passou de 7 milhões de metros quadrados para 7,9 milhões de metros quadrados. A gleba agora chega até a Rodovia D. Pedro I. A intenção da Prefeitura é basear nessa nova área atividades de bens e serviços. A assessoria de imprensa da Prefeitura, informou que o Pólo de Tecnologia I tem três empresas instaladas. Já o Pólo II conta com 14 empresas no local e mais quatro em construção. Já a Companhia de Desenvolvimento da Alta Tecnologia de Campinas (Ciatec) tem 23 empresas incubadas.

Boeing estaria interessada na cidade

Informação não é confirmada pela multinacional, mas há especulação na imprensa

O secretário de Desenvolvimento e vice-governador do Estado de São Paulo, Alberto Goldman, confirmou ontem que consultores de uma grande empresa do setor aeronáutico, cujo nome não teria sido informado, sondaram Campinas para abrigar uma planta de produção de peças para o setor. Mas, por falta de áreas próximas a Viracopos, o negócio não teria sido concretizado. Os recursos foram injetados numa unidade fora do País.

O fato aconteceu antes da atual gestão estadual. Contudo, já na administração de José Serra, os mesmos consultores informaram ao secretário que a empresa pretende continuar a investir e está de olho no Estado. O mercado acredita que um dos interesses poderia ser em áreas no aeroporto- indústria que será estruturado em Viracopos, já que a produção seria para exportação.

Na última semana, o colunista Ancelmo Gois, de O Globo, informou que a Boeing, gigante mundial do setor aeronáutico, estudaria a construção de uma planta no Brasil e que o local em análise seria Campinas. A assessoria de imprensa da multinacional informou que não há nenhum estudo em curso na empresa para implantação de uma fábrica no País.

Outro assunto na pauta de reunião entre Alberto Goldman e o prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT) foi o processo de ampliação do Aeroporto Internacional de Viracopos. O governo do Estado já mostrou várias vezes a sua preocupação com a falta de espaços para a implantação de empreendimentos industriais ao lado do aeródromo campineiro. Hélio garantiu a Goldman que já existe um decreto de utilidade pública para fins de desapropriação, na qual há áreas destinadas as atividades industriais.

Uma das reclamações do governo de São Paulo é que o Estado está perdendo investimentos importantes porque os empreendedores vêm atrás de áreas próximas a Viracopos e não as encontra. "O aeroporto é hoje o maior cargueiro do País e será no futuro. Mas andamos perdendo importantes investimentos porque na região retroportuária não há áreas disponíveis", comentou.

O prefeito disse que apresentou o decreto de utilidade pública dos 9 quilômetros quadrados para a ampliação de Viracopos. O pedetista também disse que informou ao secretário e vice-governador que a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) deve apresentar em breve a revisão do plano diretor que define áreas dentro do aeródromo para a instalação de indústrias. (AL/AAN)


Expresso Bandeirantes volta à mesa de discussão

Presidente da República teria conversado com o governador José Serra sobre a viabilidade

A sinalização do presidente Luiz Inácio Lula da Silva do interesse do governo federal na concretização do projeto do Expresso Bandeirantes, ligação férrea entre Campinas e São Paulo, interferiu no ânimo do governo estadual em estudar o empreendimento. Até o momento, o Estado afirmava que a análise realizada na gestão passada, do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), não tinha viabilidade econômica. O posicionamento favorável da União é visto como fato novo.

Mas isso ainda não significa o sinal verde para os trilhos voltarem a ser um dos caminhos para o transporte de passageiros entre as duas cidades. O Estado começou um novo estudo para analisar a viabilidade do empreendimento e também incluir no projeto a ligação até o Aeroporto Internacional de Viracopos, que não estava contemplada no trabalho realizado no governo passado. Outro detalhe que será abordado nessa nova análise é o caminho de entrada do trem nas cidades de São Paulo e Campinas.

"O estudo de ligação entre São Paulo e Campinas aprovado no Conselho Gestor para projetos de Parcerias Público-Privadas (PPP) não tinha viabilidade econômica. O investimento era próximo de R$ 3 bilhões e simplesmente só o governo estadual deveria arcar com grande parcela dos recursos. Nem mesmo para a iniciativa privada havia atratividade. Outro ponto é a necessidade de um estudo mais aprofundado do caminho que o trem fará para chegar até o Centro de Campinas e São Paulo. Qualquer obra que se faça na Capital significa cortar a cidade", afirmou o secretário Alberto Goldman.

Ele havia afirmado, em outras ocasiões, que o governo estadual ainda não enxergava viabilidade, hoje, no projeto como fora constituído. Chegou-se a ventilar de que o trem seria engavetado, mas o próprio governador José Serra (PSDB) afirmou que não havia uma desistência, contudo seria necessário encontrar um caminho para viabilizá-lo. Entretanto, lideranças políticas da região estavam preocupadas de que a sinalização do Estado significasse mais atraso na estruturação de uma ligação entre as duas cidades já que essa possibilidade é discutida há muitos anos.

Agora, o Estado disse que o aceno positivo do governo federal abre perspectivas de implementação do projeto. O discurso surgiu após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversar com Serra. Ele demonstrou que o governo federal está interessado que o empreendimento se viabilize. "O fato novo é a disposição do presidente da República em relação ao projeto", afirmou Goldman. (AL/AAN)