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Valor Econômico

Polo de SP é destaque em pesquisas

Publicado em 04 fevereiro 2011

Um novo modelo de gestão e incentivo à inovação tecnológica está sendo colocado em prática nas instalações do parque tecnológico de São José dos Campos. A iniciativa foi inspirada no modelo de construção da indústria aeronáutica brasileira, que teve como base a criação do Centro Técnico Aeroespacial (CTA) e do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), diz o diretor do parque, Marco Antônio Raupp.

Em dezembro, o parque de São José dos Campos recebeu o credenciamento definitivo do Sistema Paulista de Parques Tecnológicos. Segundo o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, o parque de São José tornou-se a primeira referência para a criação de um marco nacional, com novas regras e políticas de incentivo fiscal, voltadas às entidades de pesquisa e empresas que integram esse mesmo ambiente. O local já recebeu cerca de R$ 1 bilhão em investimentos públicos e privados.

Inaugurado em 2006, o local abriga quatro Centros de Desenvolvimento Tecnológico (CDTs) que contam com empresas-âncora como Embraer, Vale Soluções em Energia (VSE) e Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Estão presentes também instituições de ensino e pesquisa, como o ITA e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

Entre os centros de desenvolvimento destaca-se o da Aeronáutica, que abriga dois laboratórios de ponta, únicos na América do Sul: um de estruturas leves e outro de integração de sistemas e software embarcado. Com investimentos de R$ 90,5 milhões, o laboratório de estruturas leves tem a missão de ajudar o país a dominar tecnologias de novos materiais, capazes de reduzir o peso das aeronaves e essenciais para manter a competitividade da indústria brasileira no cenário internacional, segundo seus administradores.

O laboratório está em fase de implantação e a previsão é de que num prazo de um ano esteja completamente operacional. Quatro projetos de pesquisa serão desenvolvidos no local, com o apoio financeiro da Fapesp, Finep, Embraer e IPT: dois na área de compósitos (materiais compostos como fibras de carbono em matriz polimérica) e dois de estruturas metálicas.

Segundo o diretor de desenvolvimento tecnológico da Embraer, Jorge Ramos, com as pesquisas desenvolvidas nesse laboratório a empresa estará preparada para projetar, desenvolver, fabricar e até contratar fornecedores para trabalhar com as novas tecnologias, de acordo com seus interesses estratégicos. ``Os novos aviões da Embraer terão um volume cada vez maior de material composto. Precisamos ter o domínio tecnológico para avaliar o custo benefício da utilização dessas novas tecnologias``, afirmou o executivo.Ramos considera o ambiente do parque estratégico fundamental para o desenvolvimento das pesquisas da Embraer, por permitir uma cooperação com outras empresas e universidades do setor aeroespacial. ``Além da indústria aeronáutica, as estrutura leves desenvolvidas no laboratório também podem ser aplicadas na indústria automobilística, de petróleo e gás, e de bioprocessos``, disse.

Entre professores e pesquisadores, o laboratório terá cerca de 200 profissionais, com nível de mestrado, doutorado e experiência internacional, prevê o diretor.

O laboratório de sistemas, por sua vez, estará focado no desenvolvimento de soluções integradas para os segmentos de comando, controle, comunicação, computação e inteligência, conhecidos pela sigla C4I, destinados ao setor de defesa. Outro projeto que será desenvolvido é o de um simulador reconfigurado de engenharia, utilizado em vários tipos de aviões, além de sistemas computacionais embarcados e de avançados sistemas eletrônicos de comandos de voo, conhecidos como ``fly-by-wire``.

O ``fly-by-wire`` desenvolvido pela Embraer, segundo Ramos, foi aplicado com sucesso nos jatos executivos Legacy 450 e Legacy 500, que ainda não estão operacionais. No ano passado, o sistema recebeu o prêmio internacional Flightglobal Achievement Award, promovido pela revista americana ``Flight International``. O prêmio reconhece pessoas, equipes e inovações nas indústrias de aviação e aeroespacial. Esses são os primeiros jatos da Embraer a ter sistema ``fly-by-wire`` completo, com todas as superfícies de comandos de voo controladas digitalmente.

Segundo o presidente da Embraer Defesa e Segurança, Luiz Carlos Aguiar, com base em seus planos de negócios e no monitoramento do cenário tecnológico mundial, a companhia está investigando e desenvolvendo sistemas para enfrentar os principais desafios que a indústria aeronáutica brasileira poderá enfrentar nos próximos anos.

O objetivo dessas iniciativas, diz o executivo, é tornar as aeronaves da empresa mais leves, silenciosas, confortáveis e eficientes em consumo de energia e em emissões, além de poderem ser projetadas e fabricadas em menos tempo e com melhor aproveitamento de recursos.

``A estratégia de pesquisa e desenvolvimento pré-competitivo da Embraer é algo intermediário entre a ciência pura e uma pesquisa já vinculada a um produto específico. Algumas aplicações, quando amadurecem, começam a ser colocadas em prática, como o `fly-by-wire`, que futuramente será colocado no KC-390 [projeto de aeronave]``, disse Aguiar.

A Embraer, de acordo com o executivo, investe entre US$ 50 milhões e US$ 60 milhões anualmente nesse conjunto de programas pré-competitivos, o que garante a perenidade da empresa em termos tecnológicos e a sua sustentabilidade. ``É um recurso que vem 85% do nosso fluxo de caixa``, afirmou.

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