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Página Rural

Política e mercado ditarão os rumos da pesquisa agropecuária os próximos anos

Publicado em 15 novembro 2008

Terminou nessa quinta-feira, 13, o 1º. Encontro dos Pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG). O evento reuniu, em um hotel-fazenda na região metropolitana de Belo Horizonte, 200 pesquisadores da empresa (ao todo, são 206).

Depois de palestras, debates e discussões em grupos, de traçados diferentes cenários brasileiros para até 2.023, os pesquisadores apresentaram suas expectativas com relação à pesquisa agropecuária. Em até trinta dias um documento final, oficial, será publicado pela EPAMIG contendo as diretrizes que nortearão as pesquisas para os próximos 15 anos.

O encontro foi aberto pelo presidente da EPAMIG, Baldonedo Arthur Napoleão, que lançou a nova edição do Informe Agropecuário "Efeito das mudanças climáticas na agricultura". Segundo Baldonedo, "a pesquisa tem que estar à frente das mudanças climáticas. Mais uma vez o produtor rural será um dos mais atingidos e a EPAMIG está aqui para fazer sua contribuição para Minas Gerais e para o Brasil.

Em seguida, o presidente da empresa homenageou o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), José Geraldo de Freitas Drumond: "Este encontro dos pesquisadores da EPAMIG é um momento histórico para a empresa. A Fapemig, neste governo, tem sido uma grande parceira da EPAMIG, o que propiciou à empresa um aumento dos recursos para as pesquisas. De 2004 a 2007 foram investidos nas pesquisas da EPAMIG, pela Fapemig, R$3 milhões 779 mil. Temos, hoje, 224 bolsas destinadas aos nossos pesquisadores. Tudo somado passa de R$19 milhões destinados à EPAMIG", explicou Baldonedo.

Já José Geraldo de Freitas Drumond, disse que "a EPAMIG é, hoje, a segunda em execução orçamentária, vindo depois apenas da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp); que a EPAMIG dá a direção à pesquisa nesta área e faz com que a agropecuária de Minas Gerais possa se destacar no contexto nacional, depois de ter sido reestruturada nos últimos cinco anos".

Em seguida, o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Gilman Viana Rodrigues, destacou a importância dos pesquisadores para o desenvolvimento de Minas e do país: "Nós precisamos de vocês, pesquisadores, precisamos dos seus conhecimentos. Não fiquem estagnados; aprendam mais, ensinem mais, Minas Gerais precisa de vocês. Sejam consistentes, teimosos, insistam em defender o que sabem; precisamos da soma dos seus conhecimentos. Nós queremos ver vocês nos ajudando. A EPAMIG tem sido um laboratório para todos nós. Sei das angústias pelas quais ela passou, mas hoje esta empresa olha para o futuro", disse.

Em sua palestra "O desenvolvimento de Minas Gerais, o agronegócio e a pesquisa agropecuária", Gilman destacou o crescimento da população mundial e, conseqüentemente o aumento "assustador", segundo ele, da demanda por alimentos e alimentos com qualidade cada vez melhor. "E isto é demanda para os nossos pesquisadores", alertou. Outros desafios, segundo Gilman, são produzir mais e em condições piores, por causa das mudanças climáticas, e avançar prestando atenção às incertezas externas. "Por exemplo, ainda não sabemos o tamanho da crise que estamos vendo na economia mundial", disse.

O diretor executivo da Embrapa, José Geraldo Eugênio, chamou a atenção para as grandes tendências do agronegócio. Segundo ele, além do aumento da demanda mundial por alimentos, haverá cada vez mais aumento da conscientização por melhor gerenciamento dos recursos hídricos, maior demanda por produção de energia, progressivo aumento do uso de biotecnologia e da informática nos sistemas produtivos agrícolas.

Da abertura, também participaram o coordenador executivo da Rede de Inovação e Prospecção Tecnológica para o Agronegócio (Ripa), que falou sobre pesquisa, desenvolvimento e inovação para o setor; o secretário adjunto da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Evaldo Vilela, que falou sobre redes sociais e Web 2.0; e o superintendente Federal de Agricultura no Estado de Minas Gerais, Humberto Ferreira de Carvalho Neto.

Por onde caminhará a pesquisa agropecuária nos próximos anos?

Para estipular diretrizes que nortearão as pesquisas nos próximos 15 anos, os pesquisadores da EPAMIG trabalharam, durante o encontro, com base em sete fatores: macroeconomia; meio ambiente; mercado; pesquisa, desenvolvimento e inovação; política; social; e tecnologia. Foram analisadas oportunidades e ameaças para quatro cenários: Política de desenvolvimento agrícola favorável - Mercado em evolução; Política de desenvolvimento agrícola desfavorável - Mercado em evolução; Política de desenvolvimento agrícola desfavorável - Mercado estagnado; Política de desenvolvimento agrícola favorável - Mercado estagnado. "A metodologia não é para engessar nada, mas para nortear os trabalhos e as diretrizes", explicou a chefe da Assessoria de Desenvolvimento Organizacional da EPAMIG, Thaissa Goulart Bhering Viana.

Na avaliação do pesquisador (e um dos coordenadores do encontro), Ivair Gomes, o evento foi positivo: "Um grande sucesso, pois atingiu seus principais objetivos, a integração dos pesquisadores, a troca de experiências. Nós precisávamos, mesmo, de um encontro como este, pois nos últimos três anos tem entrado grande número de jovens pesquisadores na EPAMIG", avalia.

O documento com as diretrizes da pesquisa agropecuária será divulgado nos próximos dias, mas o pesquisador adianta as linhas que nortearão as futuras pesquisas: "Até o momento, nós conseguimos enxergar dois direcionadores muito importantes para as pesquisas da EPAMIG, para o agronegócio como um todo, que são a política, pois precisaremos dos apoios necessários, de legislação e estrutura adequadas para a pesquisa, por exemplo. E o mercado, pois teremos que saber, principalmente, quais as demandas e o mercado nos dirá os rumos a tomar. E nós, pesquisadores, entendemos mercado num sentido bem amplo, não apenas a agricultura familiar ou um mercado diferenciado, como, por exemplo, a agroecologia. Pensamos num mercado socialmente justo. Estes são os direcionadores principais com os quais trabalharemos nos próximos anos", explica o pesquisador.

Para a chefe do Departamento de Pesquisa da EPAMIG, Lélia Simões, o resultado foi muito importante, as discussões aconteceram com entusiasmo dos pesquisadores: "Eu sabia que o encontro teria boa receptividade, mas não com tanta intensidade. O trabalho que foi feito nesses três dias, com as avaliações de diversos cenários externos, vai nos deixar muito mais seguros quanto à identificação das nossas fragilidades, nossos pontos fortes e fracos, e, junto com os cenários analisados, teremos definidas as nossas diretrizes que, pelo que vimos nas discussões, estarão muito ligadas às mudanças climáticas e às exigências dos mercados nacional e internacional.

Já o presidente da EPAMIG, Baldonedo Napoleão, diz que o encontro atingiu a expectativa da empresa: "Nós tivemos presença maciça dos pesquisadores, isto foi importante. Essa é uma matéria complexa, não é uma coisa comum na vida da EPAMIG participar desse trabalho de prospecção do futuro. Então, a idéia de pensar a prática da pesquisa em relação às políticas públicas e em relação ao mercado foi bem assimilada, vimos isto. Nós avançamos no processo de elaboração do documento final, que começou há dois meses, teve nesse encontro o envolvimento de todo o corpo de pesquisadores, e a terceira e última etapa, que antecede a produção do documento, será a sistematização do que foi discutido aqui", avaliou.

Mais recursos para as pesquisas da EPAMIG

A EPAMIG tem hoje 206 pesquisadores. Tinha 145 em 2002, ano em que registrou 150 eventos de difusão de tecnologia (dias de campo, palestras, reuniões técnicas, visitas técnicas, cursos de curta duração, seminários, congressos, etc.). A meta para este ano é de 1.115 eventos. Em 2007 foram realizados 1.061. A empresa, em 2002, elaborou 36 projetos de pesquisa. Em 2008, até o momento, foram elaborados 128 projetos. Em 2002 teve R$3 milhões 225 mil investidos em pesquisas. Em 2008 tem R$19 milhões 310 mil, até agora. E até o final deste mês, virão recursos do PAC/MAPA/EMBRAPA/CONSEPA.

Segundo Baldonedo (também presidente do Conselho Nacional dos Sistemas Estaduais de Pesquisa Agropecuária - Consepa), a EPAMIG receberá a primeira parte dos recursos do PAC no valor de R$3 milhões 200 mil. "Nós propusemos um piso para as Organizações Estaduais de Pesquisa Agropecuária (Oepas) e o Ministério do Planejamento e a Embrapa dividiram as $17 Oepas em três grupos. A EPAMIG ficou no 1º. grupo, com teto máximo dos recursos, juntamente com SP, PR e SC, o que comprova o reconhecimento que a EPAMIG está tendo do Governo Federal. As Oepas do 2º. Grupo receberão, cada uma, R$1 milhão 800 mil e o 3º. Grupo, R$ 900 mil", explica o presidente da EPAMIG.

E mais recursos são esperados pela EPAMIG: "Este quadro pode melhorar. Estou em negociação, como presidente do Consepa, com ministérios em Brasília para recebermos recursos diretamente do Governo Federal, fora dos editais, que são, hoje, as principais fontes financiadoras das pesquisas e são elas que definem as áreas de pesquisa, os objetivos, quanto de recursos serão colocados nessas pesquisas. Isto dará mais liberdade para os pesquisadores atenderem às demandas dos produtores, dos municípios e, também, das macrodemandas do mercado", pois a EPAMIG, ao contrário das universidades, tem compromisso com a realidade social dos municípios, é ela quem trabalha pelo desenvolvimento tecnológico da agropecuária das cidades e também do País", explica o presidente da empresa.

Novos projetos para 2009-2010 e a EPAMIG em 2023: Em todas as regiões de Minas

Novos projetos foram anunciados/confirmados pela EPAMIG durante o encontro: Museu do Leite no Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT), em Juiz de Fora; curso superior de Laticínios no ILCT; curso de pós-graduação no ILCT (parceria EPAMIG/UFJF/EMBRAPA); modernização da estrutura de gestão dos centros tecnológicos e fazendas experimentais, aumento do número de fazendas experimentais, dentre outros.

"O objetivo é colocar a EPAMIG em todas as regiões de Minas. A EPAMIG terá, por isto, outro quadro. E eu espero que daqui a 15 anos, ou seja, em 2023, a empresa tenha: 16 Centros Regionais (hoje são cinco); 40 Fazendas Experimentais (hoje tem 23); 2.000 empregados (tem 1.000); 400 pesquisadores (hoje, 206); 25 pesquisadores em cada Centro Regional; orçamento de R$200 milhões (hoje o orçamento total é de R$89 milhões)", anunciou o presidente da EPAMIG, Baldonedo Napoleão. Segundo ele, a empresa, desta forma, será em 2023 excelência e modelo de gestão em pesquisas, pois além da melhoria da estrutura física, a empresa trabalhará para a profissionalização das unidades descentralizadas, para dar boa retaguarda às pesquisas.

Fonte: Epamig