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DCI

Polibrasil desenvolve resinas para embalagens e veículos

Publicado em 01 julho 2005

Polibrasil, Orbys e Unicamp avançam em nanotecnologia
São Paulo

A indústria brasileira se prepara para entrar a todo vapor na era de nanotecnologia e programa lançamentos de produtos nos segmentos de resinas termoplásticas, elastômeros, setor petrolífero, automotivo, de embalagens e energia neste ano e em 2006. "Essa ciência é a quinta revolução industrial e não podemos ficar fora dela", afirma Cláudio Marcondes, gerente de desenvolvimento de novos produtos da Polibrasil , empresa que lançará até o final deste ano dois grades de polipropileno com nanotecnologia, para a indústria automobilística e de embalagens.
Segundo Marcondes, a utilização de nanotecnologia pode ampliar em 70% a resistência física do material, aumentar em quase 126% a flexibilidade a resistência ao calor de 65ºC para mais de 150ºC. "Comparado com um grade convencional utilizado hoje, o peso do material não muda muito. Então começamos a competir com o metal, substituindo laterais de automóveis, peças para o motor e outras aplicações no veículo".
No segmento de embalagens as resinas de polipropileno com nanotecnologia promovem a maior eficiência de barreiras contra a entrada de gases, odor e luz. "Para a indústria de cosméticos, por exemplo, essas propriedades são muito importantes para não comprometer o produto, assim como no segmento alimentício", afirma Marcondes.
Os produtos da Polibrasil serão as primeiras resinas com nanotecnologia a serem lançadas no mercado brasileiro e devem custar de 15% a 20% mais do que as commodities. De acordo com José Ricardo Roriz, presidente da Polibrasil, o mercado para produtos com nanotecnologia, principalmente no segmento de plásticos, é muito promissor. "Até 2010 os produtos com base em nanotecnologia podem chegar a representar de 5% a 8% de nossas vendas. A nanotecnologia será uma de nossas rotas de pesquisa e o potencial para desenvolvimento é enorme", diz Roriz.
A Polibrasil já está negociando e realizando testes com montadoras para viabilizar a utilização dos grades de polipropileno com base em nanotecnologia.
Outra novidade criada com nanotecnologia é o diamante fabricado a partir do álcool da cana-de-açúcar, tecnologia que chamou a atenção da Petrobras . Segundo Vitor Baranauskas, professor da Faculdade de Engenharia da Universidade de Campinas (Unicamp) e responsável pelo projeto, a petrolífera quer obter uma broca que facilite a extração de petróleo em rochas de difícil acesso. "O diamante é um ótimo elemento neste caso, porque é o muito duro", diz o professor.
Baranauskas completa que hoje a Petrobras importa as brocas para extração, que custam em média US$ 5 milhões. "Com o projeto, algum empresário pode se interessar e abre a possibilidade de nacionalização de brocas com diamante", diz. O equipamento pode também ter outras aplicações, como na obtenção de água em regiões do Nordeste brasileiro. Segundo o professor, a empresa investiu R$ 150 mil para dois anos de pesquisa junto ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
O diamante foi obtido a partir da extração do carbono do álcool e resultou na sua transformação em diamante. "Normalmente quando ocorre a decomposição do álcool, o resultado é o grafite (outra forma de estruturar o carbono)", diz Baranauskas. O diamante feito pela equipe do professor da Unicamp chama atenção não só pela fabricação de um produto tão valorizado no mercado a partir de matérias-primas baratas, mas também pelas características químicas necessárias a alguns ramos industriais, como boa condução de eletricidade, estabilidade e resistência física.
Um segundo projeto, este junto com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), estuda a substituição do titânio por diamante em próteses internas ou fixas. "O tempo de cicatrização do titânio leva seis meses, enquanto com o diamante o tempo diminui para duas semanas", afirma Baranauskas. Segundo ele, a Fapesp investiu R$ 2 milhões em três anos de projeto.
No mercado de polímeros outra companhia deverá iniciar em 2006 sua atuação no mercado. A Orbys , empresa incubada no Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec) da Universidade de São Paulo, está desenvolvendo um processo para produzir nanocompósitos de polímeros e argila, com base numa pesquisa da Unicamp.
O processo consiste em produzir laminas nanométricas de argila que aderem a resinas plásticas e elastômeros, como borracha natural, conferindo ao material resistência física maior e outras qualidades como barreira a gases e resistência a variações de temperatura. "Somos licenciados pela Unicamp, que detém a patente desse processo, e estamos a seis meses desenvolvendo os nanocompósitos para o mercado. Em meados de 2006 devemos ter um nanocompósito com borracha natural pronto para ser comercializado", diz Eduardo Figueiredo, diretor-geral da Orbys.
Ele afirma que a empresa já está entrando em contato com a indústria através de centros tecnológicos para viabilizar a utilização dos nanocompósitos. "Estamos falando, por exemplo, com o centro tecnológico de couros, calçados e afins de Novo Hamburgo (RS). Temos um programa de cooperação com eles para estudar a aplicação dos nanocompósitos na indústria calçadista".