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Poesia da periferia cativa público do Café Literário

Publicado em 29 novembro 2018

O ‘Café Literário’, em comemoração ao Dia da Consciência Negra (20 de novembro), recebeu poetas e amantes da poesia para assistir ao documentário ‘Poéticas das Diásporas’, sobre a poetisa Carolina Maria de Jesus, a principal homenageada desta edição , na quarta-feira (28) no Solar dos Mellos. A plateia também apreciou poemas de autores negros de expressão para a língua portuguesa e para a cultura brasileira. Fora isto, o projeto ofereceu ao público um cronograma, baseado em pesquisa na legislação nacional desde o século XIX (1837) aos dias atuais, sobre a desigualdade racial no país. O evento foi encerrado com show de saxofone do professor de sax e clarineta da Escola Municipal de Artes Maria José Guedes (Emart), José Rangel.

A produtora do ‘Café Literário’, Helen de Freitas, apresentou inicialmente Zumbi dos Palmares, patrono da Consciência Negra, e, em seguida, a pesquisa e o documentário ‘Poéticas das Diásporas’ produzido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) sobre a trajetória de vida e obra de Carolina Maria de Jesus. Helen interpretou o poema de Carolina ‘Muitos Fugiam ao me ver’.

O coletivo de poetas ‘Língua do P’, também produtor do evento, trouxe um vídeo de apresentações de poemas da escritora contemporânea, Mel Duarte. A exibição foi seguida da palestra da professora e poetisa, Isabela Ingra, sobre a autora e sobre a produção cultural de representantes da cultura negra. Isabela interpretou poesias de Elisa Lucinda, de Adão Ventura, Solano Trindade, entre outras, e fez uma dinâmica de criação de versos com o público, o que gerou um poema coletivo. "Quis mostrar o campo de observação de uma mulher negra sobre política e sociedade… Uma opinião que é muitas vezes colocada em um âmbito secundário. Outro ponto importante é enaltecermos a poesia e a literatura negra que ficou por muito tempo escondida", destacou.

"Cada vez que venho aqui me sinto mais feliz", disse o autor do verso “Hoje revivi a cor da consciência” (o último de um poema composto durante o evento juntamente com um desenho), Aristóteles José, sustentabilista. Também o estudante, Pedro Sales, interpretou um poema que escreveu.

Educação e cultura são destaques

A diretora do museu, Viviane Chaves, destacou a heterogeneidade do público. "A presença de três turmas de Formação de Professores do Colégio Estadual Luiz Reid, no Centro, merece destaque. No início desta semana, entregamos 40 certificados de participação a estudantes do Ensino Médio. Esperamos que a cultura integre o currículo e a vida deles. Isto, com certeza, é fundamental para a formação de futuros educadores", disse a diretora do museu, Viviane Chaves.

Esta foi a terceira vez que a estudante Eveling de Souza participa dos projetos culturais realizados pela Secretaria de Cultura no Solar dos Mellos este ano. “Quis voltar porque os temas tratados são sempre embasados com bons argumentos e documentos e as apresentações são muito boas. Depois que passei a frequentar os eventos comecei a escrever poemas. Vou continuar vindo no próximo ano”, afirmou.

Homenagem – Nascida em Sacramento (MG), a maior homenageada desta edição, Carolina Maria foi para a capital paulista em 1947, momento em que surgiam as primeiras favelas na cidade. A agricultora, que cursou apenas as séries iniciais do primário, passou a trabalhar como doméstica ou como catadora de lixo para criar três filhos, sozinha, na favela do Canindé. A escritora foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, em 1950, e, uma década depois, o seu diário “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada” foi publicado. A autora, que tinha livros encontrados no lixo, teve sucesso com seu lançamento, que foi seguido de três edições, num total de 100 mil exemplares vendidos em mais de 40 países e traduzido para 13 idiomas. Ela é uma das percussoras da literatura das periferias.

Este foi o último ‘Café Literário’ do ano. O evento é realizado a cada última quarta-feira de cada mês, das 19h às 21h. O Solar dos Mellos está localizado na Rua Conde de Araruama, 248, Centro. Mais informações pelo telefone 2759-5049.

fonte: Prefeitura de Macaé – November 29, 2018 at 09:11AM

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