Pobreza afeta desenvolvimento motor de bebês desde os seis meses, aponta estudo da UFSCar Um estudo pioneiro da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) revela que a pobreza tem um impacto significativo no desenvolvimento motor de bebês já a partir[…]
Pobreza afeta desenvolvimento motor de bebês desde os seis meses, aponta estudo da UFSCar
Um estudo pioneiro da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) revela que a pobreza tem um impacto significativo no desenvolvimento motor de bebês já a partir dos seis meses de idade. A pesquisa, publicada na revista científica Acta Psychologica, acompanhou 88 bebês no interior de São Paulo e identificou que crianças em condições socioeconômicas desfavoráveis demonstram atrasos em marcos importantes como agarrar objetos, virar-se e sentar.
Esses bebês, segundo a pesquisa, apresentam um repertório motor menor, variando menos os movimentos ao tentar sentar ou pegar um brinquedo. A constatação acende um alerta sobre as consequências a longo prazo desses atrasos, que, segundo estudos prévios, podem levar a dificuldades de aprendizado e transtornos como o TDAH e problemas de coordenação no futuro.
No entanto, a investigação também trouxe uma luz de esperança: os atrasos motores podem ser rapidamente revertidos com estímulos adequados. Aos oito meses, bebês que receberam intervenções simples, como o engajamento das mães em exercícios específicos, já não apresentavam problemas significativos. Conforme informação divulgada pela UFSCar, a pesquisa foi financiada pela FAPESP.
A importância do estímulo e a reversão dos atrasos
A principal constatação da pesquisa é que, aos seis meses, esses bebês apresentam um menor desenvolvimento motor, ou seja, têm um repertório menor de movimentos. A autora do estudo, Caroline Fioroni Ribeiro da Silva [Carolina Fioroni Ribeiro da Silva], explica que a variação de movimentos ao sentar e ao pegar um brinquedo é menor, e em alguns casos, eles sequer conseguem realizar certas ações. Esses prejuízos podem ter implicações futuras no aprendizado escolar.
Intervenções simples e acessíveis para o desenvolvimento infantil
A pesquisa da UFSCar demonstrou que a reversão dos atrasos motores pode ocorrer de forma surpreendentemente rápida com os estímulos certos. Aos oito meses, bebês avaliados já não apresentavam problemas significativos. A melhora é atribuída principalmente ao engajamento das mães, que reproduziram exercícios simples como o tummy time (colocar a criança de barriga para baixo), usaram papel amassado como brinquedo, conversaram e cantaram para os bebês. Esses estímulos não exigem brinquedos caros, apenas orientação e tempo dedicado.
Fatores que influenciam o desenvolvimento motor
Nas casas mais pobres, os bebês passavam mais tempo contidos em carrinhos ou outros dispositivos, com menos oportunidades de explorar o ambiente, muitas vezes por falta de espaço. A presença de mais adultos no domicílio, ao invés de ser um fator positivo, foi associada a um ambiente mais “caótico”, com menos oportunidades seguras de movimentação. Em contrapartida, a presença de ambos os pais e uma maior escolaridade materna estiveram associadas a melhores resultados, pois os responsáveis solo tendem a ficar mais sobrecarregados e com menos tempo para estimular o bebê.
A necessidade de apoio especializado
A pesquisadora destacou que muitas mães em situação de pobreza são adolescentes e não possuem o conhecimento necessário para estimular seus filhos. Nesses casos, o apoio especializado, com visitas de agentes de saúde e fisioterapeutas, torna-se fundamental. “Como não é possível eliminar a pobreza ou a gravidez na adolescência, eu recomendaria visitas de profissionais de saúde para orientar sobre os estímulos nessa fase da vida”, afirmou Caroline [Carolina]. Ela ressalta que o chão é o espaço mais seguro para o bebê explorar seus movimentos livremente, fortalecendo músculos e preparando-o para marcos como rolar, sentar e engatinhar no tempo certo.