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Marília em Destak

Plataforma sobre Biodiversidade reunirá dados de pesquisas para orientar políticas ambientais no país

Publicado em 22 fevereiro 2017

Plataforma sobre Biodiversidade reunirá dados de pesquisas para orientar políticas ambientais no país
A distância – em alguns casos, abismal – entre Ciência e decisões e políticas ambientais está por um fio. Para tornar menos árido esse caminho, a Fapesp, por meio de seu Programa Biota*, lançou, hoje, em sua sede em São Paulo, a Plataforma Brasileira sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (PBBSE).

Trata-se de uma base de dados de pesquisas que resultará em um diagnóstico inédito e deverá integrar e consolidar informações científicas de todo o Brasil. Ela está focada, principalmente, na importância dos serviços ecossistêmicos para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Um ótimo exemplo é a Mata Atlântica: sua biodiversidade protege os recursos hídricos de cerca de 130 milhões de brasileiros, além de manter alta diversidade de polinizadores, imprescindíveis na produtividade agrícola do país.

“Pretendemos cobrir a lacuna de dados com a participação de cientistas de todas as regiões do Brasil, trabalhando para que sejam considerados elementos para o planejamento do desenvolvimento sustentável no país e no mundo”, diz Carlos Joly, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), coordenador da PBBSE e co-chair do Painel Multidisciplinar de Especialistas, da PIBSE.

Para criar esse diagnóstico, serão utilizados conceitos, metodologias e indicadores de quatro outros diagnósticos regionais – Américas; África; Ásia e Pacífico; e Europa e Ásia Central – desenvolvidos por uma entidade internacional, a Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Sistêmicos (PIBSE), criada em 2012 com o mesmo objetivo da lançada hoje, só que em nível planetário. Todos esses dados servirão de base para o Diagnóstico Global que será publicado em 2019.

“Dados ambientais de alta qualidade produzidos em todas as regiões do Brasil estão reunidos principalmente no Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), que desenvolve o SiBBr (Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira), e no Ministério do Meio Ambiente (MMA), mas também estão dispersos em outros ministérios e instituições”, ressalta o pesquisador, que também é coordenador do Programa Biota/FAPESP*. Por isso, a coordenação da Plataforma Brasileira tem promovido reuniões com representantes do governo federal em diferentes ministérios, de ONGs e do setor empresarial.

Em ação anterior do Biota/Fapesp, chegou-se à implementação do zoneamento agroambiental no setor de açúcar e álcool, à identificação de áreas prioritárias para conservação e restauração da biodiversidade e também à utilização da base científica para aperfeiçoar a legislação ambiental no estado de São Paulo.

Assim, a Plataforma Brasileira foi criada para suprir as mesmas necessidades que levaram cientistas de São Paulo a criar, em 1999, o Programa Biota/Fapesp e seu Sistema de Informação Ambiental (SinBiota). Este sistema relaciona informações dos pesquisadores com uma base cartográfica digital sobre a biodiversidade paulista e, em seguida, divulga esses dados para a comunidade científica, educadores, tomadores de decisão e formuladores de políticas ambientais.

A Plataforma Brasileira sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos reúne 28 pesquisadores – entre eles, o biólogo José Sabino, autor do blog Sapiens e Outros Bichos, aqui, no Conexão Planeta – de diversas instituições de todas as regiões do país, especializados em ecologia da conservação, economia ecológica, conhecimento tradicional e desenvolvimento sustentável. Parte dos cientistas responsáveis por sua estruturação e coordenação está envolvida em diversos grupos de trabalho da plataforma internacional.

Este grupo faz parte da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e tem o apoio do MCTIC, do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), do Programa Biota/Fapesp e da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS).

*Programa Biota/Fapesp – Programa de Pesquisa em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade.

Mônica Nunes

http://conexaoplaneta.com.br/blog/plataforma-sobre-biodiversidade-reunira-dados-de-pesquisas-para-orientar-politicas-ambientais-no-pais/