Notícia

Gazeta Mercantil

Plásticos conseguem superar entraves a seu crescimento no ABC

Publicado em 26 junho 2000

Por Márcio Venciguerra - de São Paulo
Empresários de transformação de plásticos do ABC - o principal vetor de crescimento do emprego industrial na região, segundo pesquisa da Unicamp - estão encontrando instrumentos para eliminar gargalos na cadeia produtiva. A falta de profissionais capacitados, por exemplo, está sendo resolvida com a requalificação de 12 mil trabalhadores até 2002. Só no ano passado, foram retreinados 630 empregados e diplomados 812 desempregados - 266, contratados. Iniciativas resolver vazios tecnológicos serão apresentadas hoje em seminário da Câmara do ABC, entidade que procura integrar os governos, empresários e trabalhadores da região. "Todas as reivindicações do empresariado foram atendidas em um ano, porém, os serviços estão sendo pouco utilizados, por falta de informação", lamenta Níveo Roque, ex-superintendente da fabricante OPP que coordena o Grupo Petroquímico e Plástico da Câmara. Como os empresários se queixavam dos custos para contratar, foi também criada a Central de Empregos, que se encarrega dos testes de seleção e a triagem inicial. Melhor exemplo de programa subutilizado é o Projeto de Unidades Móveis para o Atendimento Tecnológico às Micro e Pequenas Empresas (Prumo), Disponível também para outras regiões paulistas. Até agora, apenas 150 fábricas foram visitadas pelas duas vans com laboratórios e especialistas o instituto de Pesquisa Tecnológica de São Paulo (IPT) e do Instituto Nacional do Plástico (INP). "Os resultados são espantosos, mas há uma resistência dos pequenos empresários que acham que os engenheiros vão descobrir seus segredos", diz Paulo Dacolina, do INP. Segundo enquête com 20 fábricas, a consultoria ajudou a aumentar o faturamento conjunto em 29% e o quadro de empregados cresceu 16%. "Uma empresa pode fazer um bom produto, mas possíveis erros no processo jogam pelo ralo as chances de crescimento", explica. A visita de três dias da van custa R$ 2 mil ao Sebrae e R$ 900 ao industrial. "O Prumo ajudou a nos preparar para exportar agulhas de tricô", diz Elisete Pereira, da Plastifama. Segundo ela, o objetivo com as vendas externas é eliminar uma ociosidade de 30%. A Plastifama faz parte também da Central de Negociação de Compras, iniciativa que visa baratear a matéria-prima. Como usa 60 toneladas de resina por mês, a Plastifama consegue redução de 5%. "Mas fábricas pequenas, com menos de 10 toneladas por mês, têm descontos de até15%", enfatiza Elisete. RECICLAGEM: TRABALHADORES DO ABC RECEBEM TREINAMENTO Empresas não têm custos com a qualificação, mas comprometem-se a empregar os alunos Uma das dificuldades dos empresários de plásticos era a qualificação do operariado. Para isso a Câmara do ABC criou o Alquimia que irá beneficiar 12 mil trabalhadores até 2002, sem custo para as empresas. O R$ 1,03 milhão para a empreitada vem do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). "A única contrapartida é o compromisso de que as novas contratações serão de ex-alunos", diz Carlos Augusto César, o Cafu, diretor do Sindicato dos Químicos. Atualmente há 1750 alunos no projeto, que teve seu currículo modificado. As aulas de manutenção e qualidade de materiais foram diluídas nos cursos de extensão e de injeção. "As duas carreiras tinham pouca demanda, mas os conhecimentos são úteis para tornar o operador de máquina mais flexível", diz Cafu. Um operário que conheça manutenção, por exemplo, pode avisar antes de a peça quebrar Pesquisa vai verificar demanda real de 450 empresas da região ou resolver ele próprio os pequenos problemas. "Isso evita a parada da linha de produção", diz. E, para reduzir custos nas contratações, a Câmara oferece os serviços da Central de Trabalho e Renda, que conta com uma carteira de 68 mil desempregados de vários ramos, não só o plástico. "Os candidatos são encaminhados já pré-selecionados e com resultados de testes de admissão feitos por psicólogos e profissionais de RH, o empresário tem apenas de fazer uma entrevista e avaliar a documentação", diz o diretor executivo da Central, Valdenice de Araújo. CENTRAL DE COMPRAS Segundo o coordenador do Grupo dos Plásticos da Câmara, a idéia inicial de montar uma cooperativa de compras foi descartada por ser difícil de administrar. A alternativa foi um acordo com a distribuidora Piramidal, para que a negociação do preço fosse coletiva, mas as vendas, individuais. Quando a carteira da Piramidal for consistente, ela poderá barganhar com mais força junto ao fabricante de resinas, que levará a certeira para o restante da indústria química. "Com a negociação, política de cooperação da fábrica até a refinaria", prevê Roque. Ele diz que foi contratada uma pesquisa para encontrar novas demandas. "Nos próximos quatro meses, vamos fazer um censo das cerca de 450 fábricas para saber exatamente onde o calo aperta", diz. Um dos problemas a ser investigado é o uso de moldes ultrapassados, um componente importante para a perda de produtividade. "É preciso saber qual tecnologia é mais necessária para decidir como será possível facilitar o acesso a peças mais eficientes", diz. Para Roque, há a possibilidade de tentar atrair um fabricante de nível internacional. Além de concentrar cerca de 18% das 2,5 mil indústrias de plástico, o ABC está próximo a um mercado consumidor carente. Carros brasileiros, por exemplo, têm uma média de 90 quilos de plástico enquanto estrangeiros têm 120. O consumo per capita de plástico no Brasil é de 12,5 quilos anuais. A argentina é de 24 quilos; e a européia é de 58.