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Horizonte

Plástico de calçados reciclado vira mobiliários escolares

Publicado em 08 abril 2019

No Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) da USP, em São Carlos, pesquisadores desenvolveram uma técnica de reciclagem de plásticos não reutilizáveis, que poderão ser empregados na produção de mobiliários escolares. O material reciclado, produzido a partir dos resíduos gerados por uma indústria de calçados, é isolante térmico, elétrico e possui excelente resistência mecânica, além de ser antichamas. Além da fabricação de cadeiras e estantes, entre outros móveis, o material pode ser aplicado na construção civil, na construção de forros e paredes.

O plástico reciclado foi desenvolvido no Laboratório de Construção Civil do IAU. No que se refere ao comportamento frente à temperatura, existem dois tipos de plásticos (polímeros): os termoplásticos que, ao serem aquecidos, tornam-se maleáveis e, portanto, podem ser reutilizados. Já os polímeros termofixos, mesmo aquecidos, não são maleáveis e, portanto, não reutilizáveis. O professor Mazariegos Pablos, os alunos de doutorado Gustavo Ribeiro Palma e Victor José dos Santos Baldan, e o arquiteto Everton Randal Gavino decidiram reciclar os polímeros termofixos, construindo mobiliários escolares.

A matéria-prima vem de uma indústria calçadista de Nova Hamburgo (Rio Grande do Sul), que utiliza polímeros termofixos para produção de saltos de sapatos, rodas de skate, entre outras coisas. E é justamente com as sobras desses materiais que os pesquisadores trabalham. “As indústrias não sabem o que fazer com essas sobras, e mandam tudo para os aterros sanitários”, explica o professor.

Mobiliários escolares e paredes

O material, cujo nome técnico é compósito de poliuretana termofixa reciclada, está em processo de patenteamento. Já o projeto de confecção de mobiliários escolares foi submetido à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, tendo sido aprovado como Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas, e recebido uma verba de cerca de R$ 200 mil. “A ideia é fazer pranchetas, cadeiras, estantes etc.”, conta Javier.

Entretanto, por apresentar tantas características promissoras, o compósito oferece infinitas possibilidades de uso, entre elas como forro e como paredes em sistemas de steel frame. Tecnologia inovadora que não utiliza água para sua construção, rápida de montar e muito leve. “Esses sistemas já são largamente utilizados no Japão e na Europa, mas no Brasil ainda não”, diz Pablos. A metodologia proposta pode ser adaptada a diversos outros materiais que podem ser mais um fardo para o meio ambiente, a exemplo das cápsulas de café.