Notícia

Jornal do Commercio (RJ)

Plantas e animais terão código de barras genético

Publicado em 11 fevereiro 2005

Uma equipe internacional de cientistas lançou um projeto ambicioso para identificar geneticamente - com códigos de barras - todas as espécies vegetais e animais do planeta. Os pesquisadores querem construir o maior banco de dados do tipo obtendo uma amostra de DNA de cada espécie e associando-a a fotografias, descrições e informações científicas.
"Descobrimos que é possível ter uma curta seqüência de DNA capaz de caracterizar praticamente todas as formas de vida do planeta", disse Richard Lane, diretor científico do Museu de História Natural de Londres. Menos de um quinto das estimadas 10 milhões de espécies de plantas e animais da Terra tem um nome.
Os pesquisadores que integram o projeto "Código de Barras da Vida" esperam que a identificação genética de todas as espécies de uma maneira padronizada acelere a descoberta de novas plantas e animais. As técnicas usadas atualmente são consideradas complicadas, demoradas e muito especializadas.
"O que estamos buscando é um novo método que permitirá que qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, reconheça organismos sem a ajuda específica de um especialista", explicou Lane. A iniciativa foi apresentada durante a Conferência Internacional para o Código de Barras da Vida, em Londres, por um consórcio de museus, zoológicos, agências governamentais e organizações que estudam a biodiversidade.
"Nossa missão é desenvolver um código de barras de DNA como uma ferramenta científica para a rápida identificação de espécies e fazer que essa ferramenta trabalhe em prol da ciência e da sociedade", disse o presidente do consórcio, Scott Miller, do Instituto Smithsonian (EUA).
Segundo Miller, o consórcio já tem a participação de 50 entidades, espalhadas por 25 países de seis continentes, e as adesões continuam. As informações coletadas também poderão ser usadas para identificar agentes patogênicos e monitorar espécies ameaçadas.
A iniciativa começará com três subprojetos. Um proverá códigos de barras para 10 mil espécies conhecidas de pássaros até 2010. Outro abrangerá 23 mil tipos de peixes marinhos e de água doce e o último fornecerá "rótulos" genéticos para 8 mil plantas da América Central.

Novo dicionário padroniza termos ambientais
Uma publicação que pretende fazer com que pesquisadores de diferentes regiões do Brasil falem a mesma língua. Essa é a proposta da segunda edição do Vocabulário Básico de Recursos Naturais, lançado no final do ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O livro reúne verbetes técnicos relacionados à área ambiental. O objetivo é explicar, de maneira simples e concisa, o significado de termos usados em disciplinas como agronomia, astronomia, biologia, botânica, cartografia, climatologia, cristalografia, ecologia, engenharia florestal, física, fitogeografia, geologia, geomorfologia e silvicultura.
O primeiro volume do dicionário foi lançado em 2002 com 2,5 mil definições que incluíam curiosidades como "feto" (tipo de planta) ou "suíte" (tipo de formação rochosa). A segunda edição é resultado de uma grande revisão feita para adequar alguns termos a conceitos científicos atuais. Mais de 300 novos verbetes foram incluídos, referentes principalmente aos campos da zoologia, da paleontologia e dos indicadores ambientais.
"O livro é dividido em dicionário, glossário e vocabulário", diz o biólogo Celso José Monteiro Filho, coordenador da área de Recursos Naturais do IBGE. "O dicionário dá o significado da palavra, enquanto o glossário e o vocabulário conceituam os termos e os inserem em uma determinada ciência ou trabalho científico", explica.
O Vocabulário Básico de Recursos Naturais e Meio Ambiente está disponível em formato impresso e com um CD-ROM interativo, a R$ 30. Uma versão em pdf pode ser baixada gratuitamente no endereço: www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/vocabulario.pdf. (Agência FAPESP)