Notícia

O Povo

Plantas da Meruoca usadas no combate à dengue

Publicado em 24 abril 2010

Por Giselle Soares

Um grupo de pesquisadores de três universidades cearenses estuda a composição química de algumas espécies de plantas existentes na Meruoca, Zona Norte do Estado. O projeto começou em 2006 e tem como objetivo realizar um estudo biomonitorado dos óleos essenciais, extratos e frações das espécies selecionadas por seu valor medicinal. O biomonitoramento pode ser útil no combate à dengue, através do estudo de componentes produzidos pela planta que a protegem contra microorganismos e insetos predadores, podendo ser utilizados em novos produtos para combater o mosquito Aedes aegypti.

O monitoramento de extratos de plantas para a procura de substâncias bioativas têm se tornado cada vez mais comum em laboratórios de produtos naturais, principalmente em estudos sobre as atividades larvicida e antimicrobiana, ou em ensaios que visam avaliar o potencial citotóxico, antioxidante e anticolinesterásico inibidor da enzima acetilcolinesterase, utilizado no tratamento de alzheimer. Esses estudos podem resultar em dados importantes para o tratamento de doenças como câncer, enfisema, cirrose, aterosclerose, alzheimer e artrites, relacionadas ao estresse oxidativo, que ocorre quando os mecanismos de proteção antioxidante do organismo se tornam ineficientes por fatores como idade e deterioração das funções fisiológicas.

De acordo com a professora Maria Rose Jane Ribeiro, da Universidade Estadual Vale do Acaraú UVA, coordenadora do projeto, foram estudadas nove espécies de plantas encontradas na Meruoca, próximo a Sobral, duas delas, Eupatorium ballotaefolium e Eupatorium betonicaeforme, tiveram a composição química volátil e não-volátil analisadas a volatibilidade de uma substância se refere à facilidade que ela tem de passar do estado líquido ao estado de vapor ou gasoso. Das outras espécies estudadas, Baccharis trinervis, conhecida como assapeixe-fino ou assapeixe-branco, apresentou atividade antimicrobiana, e Blainvillea rhomboidea, cujo nome popular é erva-palha ou picão grande, apresentou atividade citotóxica frente a células tumorais da mama e do cólon. Além dessas, os óleos essenciais obtidos das folhas de Eupatorium ballotaefolium picão-roxo demonstraram potencial anticolinesterásico, podendo ser fortes candidatos no tratamento do alzheimer.

Segundo a pesquisadora, o grupo de pesquisa em Química Orgânica da UVA também estuda outras espécies que têm demonstrado ação larvicida significativa contra as larvas do Aedes aegypti, como o óleo essencial das raízes de Eupatorium betonicaeforme, ou elevada atividade antimicrobiana, como o óleo essencial de Baccharis trinervis assapeixe-fino .

E-Mais

> Além da professora Maria Rose Jane, da Universidade Vale do Acaraú UVA, colaboram com o projeto os professores da Universidade Federal do Ceará UFC

Edilberto Rocha Silveira, Letícia Costa Lotufo e Otília Deusdênia Loiola Pessoa, a professora Jane Eire Silva, da Universidade Estadual do Ceará Uece e os professores Elnatan de Souza, Paulo Bandeira e Helcio dos Santos, também

da UVA.

> O projeto é intitulado Estudo Fitoquímico e Avaliação da Atividade Farmacológica de Plantas Nativas da Serra da Meruoca Sobral Ceará .

Bactéria contra o vírus

Uma bactéria que pode bloquear a duplicação do vírus da dengue em mosquitos foi descoberta por cientistas da Universidade do Estado de Michigan, nos Estados Unidos.

O achado poderá ajudar no desenvolvimento de tratamentos contra a doença que ameaça cerca de 2,5 bilhões de pessoas em todo o mundo e para o qual atualmente não existe vacina.

Na natureza, cerca de 28% das espécies de mosquitos são hospedeiros da bactéria Wolbachia, mas esse não é o caso do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. Verificamos que a Wolbachia é capaz de parar a duplicação do vírus da dengue e, se não houver vírus no mosquito, ele não se espalhará para as pessoas. Ou seja, a transmissão da doença poderia ser bloqueada, disse Zhiyong Xi, um dos autores do estudo.

O estudo foi publicado na edição de abril da revista PLoS Pathogens. Xi e colegas introduziram a bactéria em mosquitos Aedes aegypti por meio da injeção do parasita em embriões.

DESCOBERTA

Os pesquisadores mantiveram a Wolbachia em insetos no laboratório por quase seis anos, com a bactéria sendo transmitida de uma geração a outra.

Quando um macho com a bactéria cruza com uma fêmea não infectada, a Wolbachia promove uma anormalidade reprodutiva que leva à morte precoce de embriões.

Mas a Wolbachia não afeta o desenvolvimento embrionário quando tanto o macho como a fêmea estão infectados, de modo que a bactéria pode se espalhar rapidamente, infectando uma população inteira de mosquitos. A bactéria não é transmitida dos mosquitos para humanos.

Um estudo anterior feito na Austrália, com abordagem diferente, também destacou o potencial da Wolbachia. A linhagem que usamos tem uma taxa de transmissão maternal de 100% e faz com que os mosquitos vivam mais. No trabalho australiano, a linhagem usada faz com que os mosquitos morram cedo, disse Xi.

Os dois métodos têm suas vantagens. Quanto mais o mosquito viver, mais chances ele terá de passar a infecção para seus descendentes e de atingir uma população inteira de mosquitos em um determinado período. Mas se o mosquito viver menos, ele não picará as pessoas e não transmitirá o vírus da dengue. Os dois exemplos demonstram o potencial do uso da bactéria para controle da transmissão, explicou. Os dois estudos reforçam a preocupação de cientistas com o problema.

Agência Fapesp