Uma árvore nativa da Mata Atlântica brasileira pode ajudar no desenvolvimento de novos tratamentos contra a covid-19. Pesquisadores identificaram compostos presentes nas folhas da Copaifera lucens capazes de neutralizar o SARS-CoV-2 em testes laboratoriais, segundo um estudo publicado na revista científica Scientific Reports, da Nature.
A pesquisa destacou que os compostos encontrados na planta apresentam conseguem atacar diferentes estruturas do vírus ao mesmo tempo, o que pode dificultar o surgimento de variantes resistentes.
Os compostos analisados pertencem a uma classe chamada galloylquinic acids (GQAs), extraída das folhas da Copaifera lucens, árvore encontrada principalmente na Mata Atlântica. Segundo o estudo, essas substâncias demonstraram capacidade de bloquear tanto a proteína spike, usada pelo coronavírus para invadir células humanas, quanto mecanismos ligados à replicação viral.
“Um aspecto importante revelado por essas informações é o mecanismo multitarget do composto, que reduz a probabilidade de desenvolvimento de resistência”, afirmou o farmacêutico Jairo Kenupp Bastos, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da USP e coordenador do projeto, em declaração a Agência FAPESP.
Nos testes conduzidos em laboratório, os pesquisadores observaram até 93% de inibição viral em determinadas concentrações. O estudo também mostrou que os compostos conseguiram interferir em diferentes etapas do ciclo do vírus, incluindo adsorção, replicação e infectividade.
Os cientistas compararam os resultados com antivirais já conhecidos, como remdesivir e molnupiravir. Embora ressaltem que ainda não exista comprovação clínica, os autores afirmam que os compostos naturais apresentaram um “alto índice seletivo” e potencial para atuar como alternativa complementar em futuras terapias contra a covid-19.
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que ainda faltam etapas importantes antes que a substância possa virar medicamento. Entre elas estão testes em animais, ensaios clínicos e estudos contra variantes mais recentes do coronavírus.