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Planta da Amazônia contra tuberculose

Publicado em 09 janeiro 2010

A tuberculose figura no rol das chamadas doenças negligenciadas, ainda que um terço da população mundial esteja infectada pelo bacilo de Koch, seu agente causador, e que a doença mate quase 2 milhões de pessoas anualmente. Após mais de 50 anos sem o surgimento de novas drogas contra a tuberculose, uma substância extraída do óleo da copaíba (Copaifera sp), planta originária da Amazônia, poderá vir a ser a base de um fitomedicamento a ser usado no tratamento da doença.

O princípio ativo, identificado e isolado, mostrou ser eficaz e apresentou atividade antibacteriana em testes in vitro & feitos em macrófagos (células que fagocitam elementos estranhos ao corpo) infectados & e in vivo, em camundongos. O estudo, conduzido pela equipe de Maria das Graças Henriques, do Laboratório de Farmacologia Aplicada do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) da Fundação Oswaldo Cruz, encontra-se na etapa chamada de toxicologia aguda. O trabalho é feito em parceria com pesquisadores do Departamento de Farmácia da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto.

Reconhecida como planta medicinal, a copaíba começou a ser pesquisada por sua ação anti-inflamatória. "Isolamos um dos princípios presentes e vimos que ele tinha atividade contra a tuberculose. Fizemos isso por curiosidade, uma vez que estávamos pensando no processo inflamatório da tuberculose", contou a pesquisadora.

A partir daí, o grupo passou a investigar se a substância mataria a bactéria causadora da doença. "Vimos que sim", contou Maria das Graças. Para chegar a esse resultado, os pesquisadores administraram doses por via oral da substância em camundongos e coletaram o material do pulmão dos animais para então fazer um teste bacteriológico.

A equipe pretende, até o fim de 2010, finalizar o dossiê pré-clínico e, então, pedir autorização para começar os testes em humanos, divididos em fase 1 (em torno de 20 voluntários sadios), fase 2 (pacientes geralmente adultos jovens) e fase 3 (testes em centros médicos).

(Agência Fapesp)

E-Mais

O problema da pesquisa é a resistência existente em relação a fitoterápicos no tratamento da tuberculose. "Tem de haver um controle rígido da matéria-prima. Pode haver mudança na quantidade de matéria-prima presente em cada planta. As condições climáticas e do ambiente influem", explica a pesquisadora Maria das Graças Henriques.

Ela lembra que medicamentos para a tuberculose têm que ser baratos, já que a doença atinge principalmente a população de baixa renda. No Brasil, o controle é feito pelo governo federal, que distribui medicamentos gratuitamente pela rede pública.

"Há outra pesquisa com uma planta que visa ao tratamento da tuberculose: a chalmugra."

Utilizada na primeira metade do século 20 contra a hanseníase & doença provocada por bactérias da mesma família do bacilo de Koch & a chalmugra, planta da Mata Atlântica, apresentou atividade antibacteriana promissora nos testes realizados.

"Começamos a trabalhar com a chalmugra (Carpotroche brasiliensis) em um resgate histórico e confirmamos sua ação antibacteriana", disse a bióloga Fátima Vergara, integrante da equipe responsável pelos estudos.

FONTE: Agência Fapesp