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O Imparcial (Presidente Prudente, SP)

Planta chinesa é alternativa contra malária

Publicado em 04 maio 2000

Alguns tipos de malária mais graves já não reagem adequadamente ao tratamento tradicional, à base de cloroquina, porque o Plasmodium falciparum, hematozoário causador da doença, já apresenta tolerância ao remédio. A alternativa é a artemisinina, produto isolado de uma planta chinesa, a Artemísia annua, da qual se extraem derivados semi-sintéticos. O medicamento à base de artemisinina inibe o crescimento do Plasmodium ao limitar sua respiração. Por se tratar de uma espécie de clima temperado e sensível ao fotoperiodismo (duração do dia), no entanto, a planta precisa de aclimatação para ser cultivada nos trópicos. O paciente trabalho, no Brasil, é coordenado pelo Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas, CPQBA, da Universidade Estadual de Campinas, Unicamp, em um Projeto Temático da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, Fapesp." "Além de fazer a aclimatação através do melhoramento genético tradicional, fizemos clonagem in vitro com raízes transformadas (melhoramento biotecnológico) e verificamos se as plantas obtidas mantêm as características que nos interessam", informa Simone Kirszenzaft Shepherd, da Unicamp. Segundo ela, a artemisina é uma substância secretada pela planta para se defender contra insetos herbívoros e produzida em maior quantidade na fase vegetativa, ou seja, antes do florescimento. Por isso para obter mais artemisinina é necessário retardar seu florescimento. "Verificamos que tanto as variedades produzidas pelo método tradicional, como as de raízes transformadas têm a substância e, mais, que as raízes modificadas produzem um precursor da artemisinina - o ácido artemisinínico- com o qual também se podem obter os compostos" acrescenta Simone. Ela já orientou três teses e agora investiga as propriedades antigastrite da mesma artemisinina. Mais informações podem ser obtidas na CPQBA (http://www.cpqba.unicamp.br) ou pelo email kirszenzaft@bol.com.br. Laser para monitorar poluição Um novo sistema de monitoramento de gases e particulados pode simplificar o controle da poluição por órgãos ambientais e até permitir que as indústrias façam - o autocontrole de suas emissões. O sistema funciona à base de raios laser e será capaz de distinguir dezenas de gases diferentes dispersos na atmosfera e suas respectivas concentrações. 0 primeiro protótipo está em fase de testes e calibração na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que o pesquisa junto com a Universidade de São Paulo (USP), campus São Carlos. SISTEMA "Fazemos uma varredura de raios laser e depois analisamos as freqüências absorvidas ou espalhadas: cada poluente, cada particulado, cada substância em uma ressonância diferente, então podemos inferir quais estão presentes na atmosfera, mesmo que dezenas estejam misturadas", explica Frederico Dias Nunes, da UFPE,- que trabalha no sistema com José Manuel Martins, da USP, desde 1998. Juntos, eles orientam três teses de mestrado sobre o tema, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp), e do Programa de Núcleos de Excelência do Ministério da Ciência e Tecnologia (Pronex), além de bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), deR$ 50 mil reais em dois anos. "O sistema deve permitir o monitoramento da poluição ambiental a longa distância", acrescenta Welson Siqueira e Silva, mestrando que trabalha na análise e calibração do sistema definindo padrões de resposta para cada poluente a ser monitorado.