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O Estado do Paraná

Plano para evitar os futuros engarrafamentos

Publicado em 31 agosto 2008

São Paulo (Agência Fapesp) - Tendo crescido sem um plano de mobilidade urbana, as grandes metrópoles sofrem hoje com o trânsito excessivo e com poucas alternativas de transporte público. Para evitar que as cidades médias tenham os mesmos problemas no futuro, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) desenvolveram um sistema online que permite a participação da população no processo decisório de planejamento da mobilidade urbana.

O Sistema de Suporte à Decisão Espacial para o Planejamento Urbano e de Transportes Integrado e Sustentável (Planuts) é resultado da pesquisa de doutorado de Renata Cardoso Magagnin, professora do Departamento de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo da Unesp, em Bauru (SP).

A tese foi defendida no Departamento de Transportes da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, com orientação de Antônio Nelson Rodrigues da Silva. O sistema, projetado para cidades de pequeno e médio porte, está sendo testado em Bauru (SP), que tem 350 mil habitantes.

“A idéia é fazer com que os processos decisórios fiquem mais próximos da realidade da população. Com a ferramenta, os planos de mobilidade poderão ser elaborados com base em avaliações feitas por especialistas e por moradores”, disse Renata.

O Planuts, segundo ela, poderá ser utilizado durante a fase de planejamento e desenvolvimento do plano diretor do município, servindo também, mais tarde, para a avaliação do plano implementado. A pesquisadora aponta que a ferramenta ajudará as cidades médias a se adequar à legislação.

“O Ministério das Cidades estabeleceu que todas as cidades com mais de 500 mil habitantes são obrigadas a ter um Plano Diretor de Mobilidade. E o Estatuto das Cidades também estimula a adoção de planos semelhantes por cidades com mais de 100 mil moradores”, afirmou.

A ferramenta permite que os moradores e especialistas avaliem os problemas, necessidades e prioridades da cidade em termos de mobilidade urbana, gerando uma série de indicadores que podem ser usados pelos gestores para traçar o planejamento. “O sistema tem quatro módulos de avaliação da mobilidade: avaliação de categorias, escolha de indicadores, definição das prioridades e escolha dos cenários”, disse Renata.

A professora da Unesp também explica que, para permitir a participação popular, o sistema foi construído com recursos de multimídia, incluindo textos, imagens e vídeos didáticos, que permitem a realização do processo de avaliação das categorias, temas e indicadores de forma bastante intuitiva.

“O sistema tem também caráter pedagógico, já que as pessoas muitas vezes não têm consciência de seus próprios problemas de mobilidade. As imagens e textos dão definições dos conceitos básicos e ajudam a relacionar problemas cotidianos ao planejamento público de mobilidade e transportes”, explicou Renata.