Notícia

Brasil Econômico

Planejamento e acesso a crédito são fundamentais a novos negócios

Publicado em 29 dezembro 2010

Por Amanda Vidigal Amorim

Enquanto o país espera a definição sobre um possível Ministério de Micro e Pequenas Empresas, novos negócios não param de surgir em todo o país, e quase 30% deles terão fechado as portas antes de comemorar um ano. Tales Andreassi, coordenador do centro de empreendedorismo e novas empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV), acredita que o principal erro cometido pelos brasileiros é a falta de planejamento. "É fundamental fazer um plano de negócio, pensar em como conseguir o dinheiro para viabilizar o projeto e, acima de tudo, entender sobre o assunto", afirma.

Para quem pretende se aventurar em um negócio próprio, Andreassi ensina. "Se você pretende abrir um restaurante, que fique durante seis meses como ajudante de cozinha e garçom. É preciso dominar aquilo que você vai se propor a fazer", diz.

Para conseguir viabilizar financeiramente um projeto, o professor explica que também é preciso se informar. Os bancos devem ser a última opção de um empreendedor. "Se uma empresa recorre a um banco, terá um juro grande sobre o empréstimo. Mas existem algumas opções melhores. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por exemplo, oferece linhas com taxas baixas. E é possível comprar máquinas e equipamentos com carência", afirma Andreassi.

Ele acredita que, quanto mais detalhado o projeto, maiores são as chances de sucesso. Outro ponto importante, mas ainda pouco praticado no país, é o de empreender por oportunidade e não por necessidade. "Não adianta fornecer um produto ou serviço igual a tantos outros no mesmo mercado. É preciso achar uma oportunidade, inovar", afirma Andreassi.

Por outro lado, Marcelo Nakagawa, consultor e professor de empreendedorismo e inovação, afirma que é possível que as pessoas, mesmo empreendendo por necessidade, encontrem uma boa oportunidade. Mas ele concorda com Andreassi que é necessário pesquisar antes de abrir a própria empresa. "O pouco tempo que as pessoas investem na pesquisa e desenvolvimento de seus próprios negócios muitas vezes é determinante para o fracasso", afirma Nakagawa.

Desde pequeno

Todos os especialistas também concordam que falta ao brasileiro cultura empreendedora. Iniciativas como a da prefeitura de São José dos Campos, no interior de São Paulo, que implementou o ensino de empreendedorismo em escolas públicas desde a primeira série, podem contribuir para a formação de um adulto que encara o próprio negócio como opção profissional. "Poucos políticos e governantes entendem que são esses futuros empresários, aqueles que vão movimentar a economia do país e gerar empregos", afirma Nakagawa.

Mara Sampaio, psicóloga e especialista em empreendedorismo, afirma que essa valorização é fundamental. "Precisamos de ações que valorizem a cultura empreendedora. Dessa maneira, conseguiremos mostrar às crianças características importantes como a atitude inovadora", afirma Mara.

Além disso, ela afirma que é preciso conscientizar as pessoas de que são esses empreendedores que vão gerar novos empregos no futuro, movimentando a economia. Para valorizar e reforçar ainda mais a cultura empreendedora do país, ela afirma que é preciso criar uma rede de contatos entre novos empreendedores e grandes empresários. "Essa troca é fundamental. E isso é algo simples de se fazer com a tecnologia que temos disponível hoje".

Plano estratégico determina do sistema tributário às metas da empresa

Se, por um lado, os brasileiros hoje têm mais facilidade de abrir a própria empresa, conseguir recursos para iniciar ou ampliar o negócio não é tão simples assim. As linhas de crédito de bancos públicos ou privados devem ser evitadas, afirma Tales Andreassi, coordenador do centro de empreendedorismo e novas empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV). "Começar com empréstimo em banco não é uma solução e sim um problema. As taxas de juros costumam ser altas, e o micro e pequeno empresário não consegue se organizar financeiramente para pagá-las", diz.

Ele recomenda aos micro e pequenos buscar informações sobre os financiamentos oferecidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pela Financiadora de Pesquisas e Projetos (Finep). Em geral, os juros são mais baixos, afirma.

Marcelo Nakagawa, consultor e professor em empreendedorismo, diz que o planejamento financeiro é fundamental para qualquer tipo de negócio. "Toda empresa precisa de capital de giro. É preciso entender que, quanto menos você gastar com montagem e equipamentos, mais você pode direcionar para o capital de giro", afirma.

Andreassi lembra também que existem financiamentos exclusivos para a compra de equipamentos. A Caixa Econômica Federal e o BNDES são algumas das instituições que oferecem financiamento a baixo custo para isso. "As pessoas precisam se informar melhor sobre os recursos que estão disponíveis", afirma o professor.

Na abertura de empresas, é preciso levar em consideração ainda outros pontos, a partir do plano estratégico. A parte estratégica leva em conta toda a preocupação com o planejamento prévio do negócio e a determinação de metas para a nova empresa. Com base nele, faz-se o planejamento legal para escolher a melhor estrutura de constituição da empresa. As necessidades de registros, autorizações e alvarás precisam ser estudados. E, com isso, a adoção do melhor regime tributário. Informações sobre todos esses aspectos podem ser conseguidas nos escritórios do Sebrae, órgão responsável pelo auxilio ao micro e pequeno empresário.

Incubadoras

O dinheiro é mais fácil para empresas que estão em incubadoras. Isso porque o processo de seleção estipulado pelas entidades já separa as empresas com alto potencial de crescimento. "Essas empresas incubadas apresentam produtos inovadores, por isso, se enquadram em programas de subvenção financeira, como o Primeira Empresa (Prime) da Finep", afirma Nakagawa. A.V.A.

Tipos de Financiamento por Porte de Empresa

Nanoempreendedor deve se formalizar para ter crédito

Criado em 2010, o programa Micro Empreendedor Individual (Mei) busca formalizar empresas com faturamento anual de até R$ 36 mil. Com a formalização, é possível buscar linhas de microcrédito em bancos privados e públicos. Para este ano, a expectativa do Sebrae era alcançar um milhão de formalizações. Mas, a meta não se cumpriu. O número atingido foi o de 800 mil formalizações. Para o próximo ano, a expectativa é ter mais de um milhão de inscritos no programa.

Primeiro passo das Micro e pequenas empresas é o Simples

Para essas empresas, é fundamental se inscrever no Simples Nacional, regime tributário diferenciado e simplificado. Elas podem buscar recursos do Prime da Finep, do Programa Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (Pipe) da Fapesp, ou do Programa de Apoio à Pesquisa em Empresas (Pappe) da Finep, que opera em parceria com fundações estaduais de amparo à pesquisa. Outra opção é obter o cartão BNDES, que financia maquinário. Além disso, existem investidores anjo, fundos de capital semente e subvenção da Finep.

Pequenos negócios têm várias opções de financiamento

Para obter recursos, especialistas indicam aos pequenos empresários inovadores buscar informações sobre o Programa de Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (Pipe), e sobre as linhas de financiamento das fundações estaduais de amparo à pesquisa. Para montagem da empresa, existe o Proger, linha da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil e também o cartão BNDES, que permite efetuar compras a juros baixos. Programas de subvenção da Fineo, fundos de capital semente e de venture capital também são as outras alternativas.

Médias empresas têm mais acesso a crédito

Empresas mais estruturadas e com faturamento maior conseguem crédito mais facilmente. Isso porque elas têm garantias reais para oferecer aos credores. O BNDES apresenta várias opções de financiamento para companhias deste porte, basta se informar sobre a melhor opção junto ao banco. Há ainda o programa Pite, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e linhas da Finep - reembolsáveis, como o Inova Brasil; e não-reembolsáveis, como a Subvenção Econômica além de fundos de venture capital e private equity.

Opções de financiamento para grandes empresas

Para empresas com faturamento acima de R$ 48 milhões anuais, ou seja, as de grande porte, estão disponíveis as mesmas linhas de financiamento das médias empresas, além de alternativas que a própria companhia pode tomar, como a abertura de capital. Elas, porém, não têm acesso a programas como o Primeira Empresa, da Finep, e não se adequam aos financiamentos oferecidos por empresas de capital semente e investidores anjo, que em geral são de pequeno volume.