Notícia

Jornal de Piracicaba

Piracicaba é a terceira em ranking de coleta de esgoto

Publicado em 22 março 2011

Por Solange Strozzi

O Dia Mundial da Água é lembrado hoje, 22, e Piracicaba foi destaque em estudo citado ontem, 21, no 6º Fórum Água em Pauta, promovido pelo Portal Imprensa em Jundiaí.

A pesquisa sobre coleta de esgoto desenvolvida pelo Instituto Trata Brasil coloca a cidade na terceira posição entre 81 municípios com mais de 300 mil habitantes avaliados. À frente de Piracicaba no ranking estão apenas Montes Claros (MG) e Santos (SP).

O objetivo do estudo é traçar um paralelo entre o esgotamento sanitário e a saúde pública, entre 2003 e 2008, analisando a relação entre a falta de esgotamento, a pobreza e a ocorrência de diarreia.

As maiores vítimas são crianças com até cinco anos de idade. A diarreia é o sintoma mais comum de infecções gastrointestinais causadas por agentes como bactérias, vírus e protozoários.

A ocorrência desses agentes está diretamente ligada à falta de esgotamento correto, e as doenças associadas mais comuns são hepatite A, febres entéricas, esquistossomose, leptospirose, teníase, micoses e conjuntivites.

No ranking de médias de internação por diarreia entre as dez cidades com melhores índices de coleta de esgoto, Piracicaba ocupa a oitava posição, com 67,5 internações por grupo de 100 mil habitantes.

Apesar da boa notícia em relação ao afastamento do esgoto doméstico, a cidade ainda precisa se desenvolver muito quando o assunto é tratamento de efluentes.

No último ranking divulgado pelo instituto com dados de 2008, a cidade caiu da 10a posição em 2007 para a 17a em 2008 por reduzir os investimentos no tratamento, segundo a justificativa do estudo. Hoje o município trata 36% do esgoto coletado, mas deve ampliar essa margem para 70% com a inauguração da ETE Ponte do Caixão, que deve ser entregue ainda este ano.

A coordenadora de comunicação do Trata Brasil, Milena Serro, lembrou que 57% da população brasileira não tem acesso à rede de esgoto e que o Brasil é o nono no chamado "ranking da vergonha", com 13 milhões de pessoas sem acesso a banheiros. As 81 cidades pesquisadas, despejam, in natura, 5,9 bilhões de litros de esgoto em seus mananciais.

Mestre em direito e pesquisadora da Fapesp, Carolina Mota afirmou que nem mesmo a Lei Federal 1.445/2007, promulgada para dai" diretrizes ao saneamento básico no Brasil, estabeleceu de quem é a responsabilidade pelo tema. "Ainda não fica claro se o investimento em saneamento é dever do Estado ou dos municípios."

Até 2013, todas as cidades devem ter concluído o Plano Municipal de Saneamento Básico. O objetivo é a universalização da coleta e do tratamento de esgoto, mas isso ainda está longe da realidade da maioria. "Por lei, esses planos devem ser articulados, com participação e controle social, e existe a necessidade da regulação dos serviços por um órgão independente, que deve agir com transparência", disse Carolina.

ENCONTRO - Com foco na qualidade da água, o encontro promovido pela revista e pelo Portal Imprensa reúne representantes de empresas, ONGs, da imprensa e do poder público para debater a importância do tema no jornalismo brasileiro.

Colunista da revista Carta Capital, o jornalista Reinaldo Canto lembrou que cabe à imprensa a propagação das informações. "É preciso tratar a questão ambiental em todas as editorias, não somente em cadernos especiais. Precisamos trabalhar de forma transversal, incluindo a sustentabilidade em todos os debates.

Falando sobre a indústria e o desenvolvimento sustentável, Canto lembrou que é preciso colocar um freio no consumismo em busca de uma produção que preserve o meio ambiente. "Em 2050 serão 10 bilhões de habitantes nesse planeta, e o overconsumo está nos levando ao crescimento insustentável."

O Jornal de Piracicaba participa do evento, que termina hoje com dois painéis. O primeiro é sobre Conservação dos Mananciais e Políticas Públicas e o segundo tem como tema China: Terra, Água e Alimentação.