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G1

Pinotti pede demissão da Secretaria de Ensino Superior

Publicado em 09 agosto 2007

O lingüista Carlos Vogt é o novo secretário.

Segundo assessoria, Pinotti alegou "motivos pessoais".

O professor José Aristodemo Pinotti pediu demissão no final da tarde desta quinta-feira (9) do cargo de Secretário de Ensino Superior. A pasta, criada em janeiro, foi combatida pelo movimento de alunos da Universidade de São Paulo (USP) durante a ocupação da reitoria, que durou 51 dias, e inspirou movimentos semelhantes em outras universidades do país.

De acordo com nota divulgada pela assessoria de imprensa, o governador José Serra lamentou a decisão do ex-secretário. "Insisti que permanecesse no cargo, face à sua impecável lealdade de conduta em todos os momentos", escreveu Serra na carta em que aceitou a demissão. Segundo a assessoria do governo, Pinotti alegou motivos "estritamente pessoais" para deixar o cargo.

O novo secretário será o professor Carlos Alberto Vogt. Lingüista, Vogt é doutor em Ciências pela Universidade Estadual de Campinas(Unicamp). Antes da nomeação, ocupava a presidência do Conselho Superior da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Pinotti foi secretário municipal de Educação quando Serra era prefeito da capital paulista nos anos de 2005 e 2006. Médico, ele é deputado federal pelo DEM e presidente do Instituto Metropolitano de Altos Estudos (IMAE) da UniFMU, uma instituição privada de ensino. Foi reitor da Unicamp (1982-1986) e secretário de Estado da Educação e da Saúde (1986-1991).

Desgaste

À frente da Secretaria de Ensino Superior, Pinotti sofreu desgaste político e viu sua pasta perder força com a ocupação da reitoria da USP. Um dos principais pontos da pauta de reivindicações dos estudantes era o fim da secretaria.

O secretário nem participou do processo de negociação com os alunos. Questionado sobre o movimento ele disse que os estudantes estavam "mal informados" e que o movimento tinha motivação política.

A secretaria foi criada para propor políticas e diretrizes para o ensino superior e tinha sob sua responsabilidade as universidades de São Paulo (USP), de Campinas (Unicamp) e Estadual Paulista (Unesp). Os alunos criticavam o fato de o governo ter separado as universidades das Faculdades de Tecnologia (Fatecs), que ficou sobre a gerência da  Secretaria de Desenvolvimento.

Após mais de 20 dias da ocupação o governo cedeu e editou um decreto declaratório que retirava grande parte dos poderes da secretaria. A medida foi vista como uma vitória do movimento dos estudantes.

Uma das polêmicas do decreto que criou a secretaria foi instituir Pinotti como  presidente do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp). Após reclamações das universidades, a questão foi modificada e a presidência voltou para os administradores das entidades. Pinotti afirmou, na época, ter pedido a retirada dessa função.

Também durante a crise na USP, uma notícia de que Pinotti teria pedido uma bolsa em um curso da universidade para um assessor causou constrangimento. O caso está sendo investigado pelo Ministério Público. O secretário afirmou que seu objetivo era apenas "ajudar o servidor que tem dificuldades financeiras e méritos próprios, e orientá-lo para os requisitos necessários a fim de concorrer de modo regular a uma bolsa."