Notícia

O Diário (Mogi das Cruzes)

Pinotti deixa secretaria em SP

Publicado em 10 agosto 2007

O médico José Aristodemo Pinotti deixou ontem a Secretaria Estadual de Ensino Superior, criada no início do ano pelo governador José Serra (PSDB) para abrigar as três universidades estaduais de São Paulo. O novo titular da pasta será o ex-reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) o lingüista Carlos Vogt, atualmente na presidência da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Pinotti entregou a José Serra no fim da tarde uma carta com seu pedido de demissão, alegando motivos pessoais para a escolha. No entanto, há pelo menos um mês havia rumores de que o governo procurava um novo nome para assumir a secretaria. Respeitado no meio científico e acadêmico por sua atuação na Fapesp, Vogt assumirá uma secretaria envolvida em grande polêmica desde sua criação, feita por meio de um decreto publicado no Diário Oficial em janeiro.

Vogt é presidente do Conselho Superior da Fapesp desde 2002, cargo que o credencia automaticamente como presidente da fundação, uma das mais importantes do País. Seu mandato como presidente (o segundo, de três anos cada) terminaria em 2008, mas seu mandato de conselheiro, que começou 2001, acabaria na terça-feira.

Foi a segunda mudança até agora no secretariado de Serra Há pouco mais de duas semanas, Maria Lúcia Marcondes foi substituída na Secretaria de Educação pela ex-presidente Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais (Inep/MEC) e ex-secretária de Educação do Distrito Federal, Maria Helena Guimarães de Castro.

Pinotti estava desgastado no cargo desde janeiro, quando, pelo decreto que criou a secretaria, ele seria o presidente do Conselho de Reitores (Cruesp), cujo mandato tradicionalmente é revezado entre os titulares da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Após protesto liderado pelo atual reitor da Unicamp, José Tadeu Jorge, que considerou a medida uma interferência na administração das instituições, o governo voltou atrás e devolveu a presidência do conselho aos reitores.

Mesmo assim, a existência da secretaria continuou provocando discussões que, aliadas a outros decretos publicados pelo governo, culminaram no início de maio na ocupação da reitoria da USP por um grupo de alunos e funcionários, apoiados pelo sindicato dos professores. Eles pediam o fim da secretaria e a revogação dos decretos, entendidos como ameaça à autonomia universitária.