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Correio Popular

Pinhal quer ser centro mundial do café

Publicado em 18 novembro 2001

Por Maria Teresa Costa - Da Agência Anhangüera - teresa@cpopular.com.br
A cidade de Espírito Santo do Pinhal, a 110 quilômetros de Campinas, está se preparando para se transformar em centro de referência nacional e internacional do café. A cidade, de 41 mil habitantes, é uma das principais exportadoras de café, respondendo por 12% do produto nacional destinado ao mercado internacional. Projeto coordenado pela geógrafa Maria Adélia Aparecida de Souza, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e parceria da Prefeitura local pretende desenvolver economicamente a cidade para melhorar a qualidade de vida da população. O café, explica a pesquisadora, será o mote para a formulação de políticas de turismo e de divulgação da economia local. "Pinhal tem, em uma ponta, riqueza se acumulando e na outra a pobreza. A elite faz o gancho com o mundo e não olha o seu lugar. O território vai ficando descuidado e aberto para a marginalidade, como aconteceu em Campinas. Pinhal já tem favela, roubos, seqüestros", conta. O desenvolvimento econômico da cidade poderá ser alcançado, acredita, com a revitalização do comércio, do turismo, de forma que haja a reciclagem dos espaços da cidade, vitalidade cultural e a cidade se torne catalisadora e difusora das atividades ligadas à cultura cafeeira. Na primeira fase do projeto foi investigado seja existia em algum lugar um Centro Internacional de Informação da Cultura do Café como o que está sendo pretendido. Maria Adélia lembra que existem bibliotecas, mas nada como o que vai ser instalado. A segunda fase, que é a implantação de um grande banco de dados, depende ainda da aprovação da Fapesp. BANCO DE DADOS SERÁ INFORMATIZADO O Centro Internacional de Informação da Cultura do Café será virtual e nele estará um banco de dados informatizados referentes ao conhecimento técnico e científico sobre o café e sobre as políticas públicas existentes. Haverá também um banco de dados georreferenciado sobre o cultivo do café no município. O projeto se propõe a identificar e cadastrar todo o patrimônio cultural da cidade vinculado ao café, identificando e projetando políticas públicas e atividades que revigorem a economia urbana e municipal. A movimentação que a cidade ganhará virá das reuniões, colóquios, seminários, painéis que o centro realizará, das atividades econômicas e turísticas que poderá gerar. Pinhal tem toda a linha produtiva do café. De lá saem 12% do café exportado pelo Brasil, lá está a maior exportadora de máquinas agrícolas relacionadas à cultura do café (Máquinas Pinhalense), está a indústria cosmética que utiliza o café (azeite de café verde). O município tem 8 mil hectares plantados com café, abrigados em 12 milhões de covas. A cada ano, 500 mil novos pés de café são plantados gerando uma produção anual de 200 mil sacas. A cidade, no entanto é grande comercializadora de café, com um comércio anual de 2 milhões de sacas, metade das quais destinada à exportação. A cidade vive do café e é auto-suficiente em toda a cadeia produtiva dessa cultura. "O que precisamos é unir tudo isso, desenvolver a cidade, incluir os habitantes nesse processo que gere melhoria da qualidade de vida para todos", afirma. CENTRO SERÁ NA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA O Centro Internacional de Informação da Cultura do Café será instalado na estação ferroviária cedida pela Prefeitura e irá dividir espaço com a associação dos cafeicultores da região. O prédio atual, construído em 1909, pertenceu a Companhia Mogiana de Estrada de Ferro, quando a ferrovia tinha um ramal até Pinhal. A estação original de Pinhal foi construída pelo (empreiteiro Nicolau Rehder e também chamada, por algum tempo, com o mesmo nome da cidade (Espírito Santo do Pinhal), conta Ralph Mennucci Giesbrecht que mantém uma página sobre a histórias das estações na Internet. Ela foi aberta como ponta do ramal do mesmo nome, em 1889. O prédio foi ampliado em 1909, de acordo com 'relatório da Mogiana para esse ano, mas há quem diga que o prédio atual foi feito em substituição ao original, que por sua vez ficaria mais à direita do prédio atual. A estação foi fechada definitivamente, com o ramal, em 1961, tendo sido transformada em estação rodo-ferroviária nesse ano. Não ficou nessa condição por muito tempo. Fica no centro da cidade, e serve hoje como sede de uma cooperativa, tendo sempre caminhões estacionados a seu redor. Era uma estação conjugada com armazém, ocupando por isso uma área bastante grande. A proposta é restaurar o prédio, que está razoavelmente conservado, abrir auditório para abrigar as reuniões técnico-científicas, local de exposição. "Nossa idéia é abrir concurso para o projeto de restauro e buscar recursos junto ao Ministério da Cultura", conta a geógrafa Maria Adélia de Souza.