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Pílulas de saber: Anticorpo brasileiro será usado para criar um novo medicamento anticâncer

Publicado em 13 agosto 2015

Por Carlos Tonussi

Novo tratamento do câncer

Uma tecnologia de produção de um anticorpo monoclonal, desenvolvida pelo laboratório brasileiro Recepta Biopharma, com apoio financeiro da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), foi licenciada para a companhia americana Mersana Therapeutics. Por esse acordo, a companhia americana produzirá um medicamento que será empregado para o tratamento do câncer. 

Anticorpos são moléculas produzidas pelas células do sistema imunológico, tanto de humanos como de animais, para a defesa contra agentes infecciosos ou mesmo contra células tumorais que aparecem no organismo. 

Os linfócitos do sangue aprendem a pegar pedacinhos dos vírus ou bactérias que nos contaminam e produzem anticorpos contra eles. As vacinas são misturas de pedacinhos de vírus ou bactérias, que injetamos na gente para que nosso sistema imunológico produza seus próprios anticorpos contra esses agentes infecciosos, antes que eles nos peguem primeiro!

Cavalo de Troia

Já os anticorpos monoclonais são produzidos em laboratório por clones únicos de linfócitos B — um tipo de célula de defesa — tomadas de camundongos, que foram estimulados com antígenos de interesse. 

Ou seja, os roedores são "vacinados" com uma proteína de interesse e, depois, recolhem-se os linfócitos desses animais para cultivá-los em tubos de ensaio. Apenas um tipo de linfócito B será multiplicado em cultivo (clonado) e, por isso, o anticorpo produzido por ele se chama monoclonal.

Os anticorpos desenvolvidos pela Recepta foram produzidos vacinando os camundongos com pedacinhos de um tipo de tumor cancerígeno, por isso, eles produziram anticorpos que são capazes de se ligar às células tumorais alvo de uma forma altamente específica, sem qualquer efeito sobre o tecido saudável!

Quando esse anticorpo específico se liga na célula tumoral, ele é carregado para dentro dela. Aqui entra o laboratório americano. A Mersana possui a tecnologia para juntar esse anticorpo com uma toxina. Resultado, quando o anticorpo se ligar na célula tumoral, esta célula vai carregar para dentro uma toxina que irá matá-la! Algo parecido com a história do Cavalo de Troia!

Tecnologia, emprego e renda

A brasileira Recepta irá fornecer à Mersana direitos internacionais exclusivos para seu anticorpo inovador, e a Mersana usará sua tecnologia Fleximer proprietária para desenvolver um imunoconjugado contra as células tumorais alvo. 

Esse acordo poderá render até 86 milhões de dólares para a empresa brasileira. Além disso, a Recepta receberá uma porcentagem sobre as vendas da droga fora do Brasil pela Mersana e terá direitos exclusivos de comercialização da droga no Brasil. Vale ou não vale a pena o Estado investir em ciência e tecnologia?