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Piauiense que integra equipe do Prêmio Nobel vai continuar pesquisa sobre o câncer

Publicado em 05 janeiro 2020

Após estágio de um ano, a pesquisadora teresinense Joana Darck Carola Correia Lima foi convidada a compor a equipe do professor e cientista britânico Sir Peter Ratcliffe, que venceu o prêmio Nobel de Medicina em 2019 . A piauiense conclui o doutorado na USP em fevereiro com um emprego garantido na Europa após quase 12 meses de pesquisas na Universidade de Oxford, na Inglaterra.

No grupo do professor Ratcliffe desde dezembro de 2018, Joana Carola é bolsista de doutorado da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, de onde foi encaminhada para o estágio no exterior.

“Eu já estou de volta ao Brasil, irei defender meu doutorado em fevereiro e já fui convidada pelo professor Sir Peter Ratcliffe para retornar para trabalhar no laboratório dele como pesquisadora. Só posso dizer que estou completamente realizada com essa chance de acabar o doutorado e já ter um emprego nesse laboratório”, comemora a piauiense.

Formada em Licenciatura em Ciência Biológicas pela Universidade Federal do Piauí e mestre pela Universidade de São Paulo, Joana Carola revela que enfrentou inseguranças com a oportunidade que teve na equipe do cientista britânico.

“Esse ano foi incrível, aprendi muito cientificamente, tive oportunidades de realizar ciência de ponta em um ambiente incrível. No começo eu tinha muito medo de não ser suficientemente capaz para estar nesse laboratório, tive medo do idioma, tive medo da nova cidade. Porém eles sempre foram muitos cuidadosos, respeitosos e me ensinaram muito. Sou muito feliz por ter tido essa oportunidade”, relembra a jovem.

No mestrado em São Paulo, Joana se dedicou a estudar a perda de peso em pacientes com câncer. No doutorado a pesquisa focou nos estudos da baixa oxigenação em células cancerígenas, o que tinha muito a ver com a linha de estudos de Peter Ratcliffe .

A contribuição da pesquisa da piauiense foi tamanha que Ratcliffe citou o seu nome na cerimônia oficial de recebimento do prêmio Nobel em Estocolmo, na semana passada. “Ele apresentou meus resultados obtidos durante esse ano e também citou o meu nome. Um ponto muito forte de reconhecimento na vida de qualquer cientista. Sou apenas grata por tudo isso e quero utilizar tudo isso que vem acontecendo comigo como um grande incentivo para muitas pessoas”, disse Joana.

Nascida em Teresina, as famílias paterna e materna de Joana são do interior do Ceará. Segundo ela, sua mãe é sua maior influência para os estudos. “Minha mãe foi uma pessoa que não teve oportunidade de estudos e enxergava desde sempre que era a única forma de mudar o mundo. Minha mãe sempre foi e é minha base e é completamente minha referência única de valores, família e princípios”, afirmou.

Contato com a ciência

O contato da jovem pesquisadora com a ciência começou na escola, por afinidade com as disciplinas que envolviam biologia e ciências da natureza, e continuou na graduação.

“Durante meus estágios em escolas públicas bem como em laboratórios de pesquisa, o meu interesse em trabalhar e descobrir o mundo científico foi aumentando. Trabalhar com ciência se tornou uma realidade propriamente dita durante o mestrado na Universidade de São Paulo”, contou Joana Carola.

Escola Pública

Joana é aluna egressa do ensino público e conseguiu bolsas de estudo em escolas particulares de Teresina, onde continuou seus estudos.

“Além da escola, minha formação completa foi realizada em ensino público e graças às oportunidades que tive me tornei atualmente uma militante de causas que envolvem a educação pública de qualidade e acesso a todos”, afirmou a jovem.

Vontade de ensinar

Sob influência da minha avó materna que foi professora no interior do Ceará, Joana Carola sempre teve a educação como horizonte. No seu trabalho de conclusão de curso na UFPI, a jovem desenvolveu um jogo didático no ensino de biologia, para utilizar como uma ferramenta facilitadora da aprendizagem.

O estudo das células relacionadas ao câncer foi algo fora do planejado na carreira da piauiense, que surgiu durante o mestrado. Para o futuro, a jovem cientista quer trabalhar na formação de futuros pesquisadores.

“Sendo honesta, nunca imaginei. Ainda tenho muito o que conseguir e atuar em prol da educação, acredito que meu papel agora é como formadora e educadora de outras pessoas. Quero focar minha energia e utilizar esse poder de voz que venho tendo para incentivar muitas pessoas, para mostrar que é possível”, conta.

Desistir também é necessário

“Eu desisti muitas vezes para conseguir o que eu queria e quero. Acredito que desistirei muito mais. Desistir também é um processo importante. Ensina, molda, forma, induz. Muitas vezes também não precisa saber o que você quer, você não precisa ter respostas concretas. Acredito que vale muito mais se aceitar no mundo como você é, com a família que tem, com a casa e o lugar que nasceu, com as dores e alegrias que te formaram. Acredito que depois disso, é mais fácil mover para o que você queria ser ou se tornar. Toda forma de movimento é válida!”, aconselha a jovem.

Fonte: Valmir Macêdo / CidadeVerde