Notícia

Brasil Econômico

Petrobras se une à KLE para produzir etanol de celulose

Publicado em 25 agosto 2010

Por Ricardo Rego Monteiro

Disposta a produzir etanol celulósico emescala comercial a partir de 2013, a Petrobras assinou contrato com a americana KL Energy Corporation (KLE) para desenvolvimento de tecnologia conjunta. Firmado por intermédio da subsidiária da estatal nos Estados Unidos, o acordo prevê investimentos de US$ 11 milhões da Petrobras Biocombustíveis, basicamente na adaptação da tecnologia da KLE para fabricar o produto a partir do bagaço da cana-de-açúcar. A intenção, segundo a estatal, é implantar, nos próximos três anos, uma unidade de segunda geração próxima a uma convencional, de modo a combinar a produção das duas.

O etanol é o mesmo. O que muda é a matéria-prima. Se tudo correr como o esperado, pretendemos partir para uma unidade de produção de escala maior de etanol de segunda geração , afirmou o gerente de Gestão Tecnológica da Petrobras Biocombustíveis, João Norberto Noschang Neto. Com o bagaço resultante da produção do etanol a partir da cana-de-açúcar, será possível produzirmais40%do combustível, sem o plantio em novas áreas ou o deslocamento de produção.

Comprazo inicial de 18 meses, o contrato prevê exclusividade mútua no desenvolvimento do novo etanol celulósico,mas assegura à Petrobras a opção de licenciamento da tecnologia da KLE.

Do investimento total previsto, US$ 6 milhões se destinam à construção da nova unidade produtora, enquanto os outros US$ 5 milhões visam ao pagamento de royalties à empresa americana, pela venda da tecnologia.

Considerada a nova fronteira dos biocombustíveis, o etanol celulósico tornou-se condição fundamental para o futuro das empresas do setor. Outras petrolíferas, como a anglo-holandesa Shell,mantêm investimentos no desenvolvimento de tecnologias próprias do produto, mas ainda sem escala comercial.

Mesmo antes de firmar a parceria com a KLE, a Petrobras já desenvolvia estudos para uma nova modalidade. O acordo permitirá a complementação desses trabalhos, com a utilização da unidade de demonstração da empresa americana.

A KLE consolidou-se como líder no desenvolvimento e comercialização de biocombustíveis celulósicos, como a biolignina, produzida a partir de resíduos de madeira, o etanol e químicos intermediários. A empresa, sediada em Upton, também fornece serviços de engenharia e técnicos para fábricas de biocombustível. O Brasil é líder mundial na produção de biocombustíveis competitivos de biomassa, e acreditamos que o bagaço de cana seja uma matéria-prima adequada para o nosso processo , disse o presidente da KLE, Peter Gross.

Com capacidade para 389 milhões de litros de biodiesel em quatro usinas no Brasil, a Petrobrás Biocombustíveis pretende investir US$ 2,8 bilhões até 2014, segundo o novo Plano de Negócios.

O objetivo é alcançar uma produção de 3,9 milhões de litros de etanol e outros 640 milhões de biodiesel. Recentemente, a empresa anunciou acordo de cooperação tecnológica com a petrolífera portuguesa Galp, para o desenvolvimento e produção, no Pará - a partir de 2015 -, do chamado greendiesel, uma espécie de biodiesel processado do óleo de palma. Embora tenha centrado o foco no biodiesel desde a fundação, em 2005, a estatal brasileira decidiu acelerar investimentos neste ano, depois do acordo de joint venture da Shell coma também brasileira Cosan. Tanto que, no fim de abril, como resposta, anunciou a compra da Açúcar Guarani por R$ 1,6 bilhão.

O bagaço de cana é utilizado nas usinas para a produção de energia para alimentação de caldeiras ou mesmo para venda para as distribuidoras de eletricidade. Mas, como relata José Luiz Olivério, vice presidente da Dedini, o maior fornecedor mundial de tecnologia para usinas de etanol, apenas as empresas mais novas, construídas nos últimos cinco anos, foram projetas para este fim. Das 450 usinas de etanol do país, por volta de 380 não aproveitam adequadamente o potencial.

O bagaço de cana é utilizado nas usinas para a produção de energia para alimentação de caldeiras ou mesmo para venda para as distribuidoras de eletricidade. Mas, como relata José Luiz Olivério, vice presidente da Dedini, o maior fornecedor mundial de tecnologia para usinas de etanol, apenas as empresas mais novas, construídas nos últimos cinco anos, foram projetas para este fim. Das 450 usinas de etanol do país, por volta de 380 não aproveitam adequadamente o potencial.

TECNOLOGIA

Empresas buscam solução nacional para o produto Há vários projetos em andamento no país para o desenvolvimento de uma tecnologia brasileira para a produção de etanol celulósico.

A Suzano Papel e Celulose, por exemplo, realiza estudos para o uso de resíduos de floresta na produção do etanol, mas ainda não há previsão sobre quando a tecnologia estará disponível.

O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), de Piracicaba (SP), quer aproveitar o bagaço de cana e a palha para produzir etanol.

Desde 2007, matém uma parceria com a dinamarquesa Novozymes, uma das maiores produtoras munidiais de enzimas, com este objetivo.

As enzimas decompõem os resíduos agrícolas permitindo a fermentação do etanol. O projeto mais antigo é o do fabricante de equipamentos para usinas Dedini. Entre 2003 e 2007 a empresa manteve um projeto piloto em Pirassununga (SP) em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a Copersucar. O projeto previa o uso de uma rota química para fazer a hidrólise, ou seja, quebrar a celulose do bagaço da cana e da palha em açúcares para posterior fermentação. Mas a empresa não chegou a uma viabilidade econômica para a produção em escala industrial.

Em 2010, a Dedini também procurou a dinamarquesa Novozymes com a qual anunciou recentemente um memorando de entendimento para o desenvolvimento de um processo utilizando enzimas biológicas para a realização da hidrólise. Segundo José Luiz Olivério, vice presidente da Dedini, o momento é de elaboração de um projeto industrial para o sistema, que deverá ser testado a partir de 2011. A expectativa da companhia é concluir uma solução para produção em escala industrial de etanol celulósico até 2013. Domingos Zaparolli