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Petrobras compra supercomputador Galileu de 160 TFLOPS

Publicado em 03 dezembro 2009

A Petrobras acaba de concluir o projeto Galileu, que consiste na instalação de um supercomputador com capacidade de 160 teraflops - o equivalente à realização de 160 trilhões de cálculos por segundo. O projeto envolveu uma parceria com cinco universidades e investimento de R$ 24,2 milhões. O supercomputador é o maior da América Latina e figura entre as 30 máquinas mais velozes do mundo, de acordo com um levantamento feito pela organização americana Top 500.

Essa supermáquina, na verdade, é constituída por 3,3 mil processadores e mais de 13 mil servidores (computadores de grande porte) que operam em conjunto, o chamado cluster. Todo esse aparato está instalado em cinco instituições - Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade de São Paulo (USP). A última etapa do projeto foi concluída nesta semana, com o início das operações do sistema na USP, que recebeu investimento de R$ 10 milhões.

O gerente-geral de gestão tecnológica do centro de pesquisas (Cenpes) da Petrobras, José Roberto Fagundes Netto, observa que a maioria das universidades com as quais a estatal mantêm parceria em pesquisas precisavam de infraestrutura adequada para desenvolver novos produtos e tecnologias em menos tempo. Faltava infraestrutura ou havia equipamentos obsoletos. O desafio com o pré-sal é criar uma infraestrutura que torne o país independente em termos de pesquisa, diz.

A opção da empresa foi investir inicialmente nessa estrutura física. Pela legislação, a Petrobras é obrigada a investir 1% da receita bruta gerada por campos gigantes (com capacidade de extração superior a 1 bilhão de barris) em pesquisa, sendo que 50% desse total deve ser aplicado em instituições nacionais. Nos últimos três anos, a Petrobras investiu R$ 1,8 bilhão em recursos nas chamadas redes temáticas. São redes de pesquisa que a estatal mantém em parceria com universidades e que incluem projetos como o Galileu.

Neste ano, o investimento nas redes temáticas foi de R$ 490 milhões, com projeção de R$ 400 milhões para 2010. A maior parte dos recursos foi utilizada até agora na instalação de infraestrutura, mas a expectativa para os próximos anos é de que 60% dos recursos sejam aplicados em pesquisa pura e aplicada, o que representará um ganho em termos de resultados, afirma Fagundes.

A conclusão do projeto Galileu exemplifica o rápido avanço dos equipamentos de alto desempenho (conhecidos como HPC ou High Performance Computing). Antes desse projeto, a Petrobras já havia lançado um supercomputador no Brasil. No ano passado, com investimento de R$ 5,8 milhões, a estatal criou o Netuno, instalado no Núcleo de Computação Eletrônica (NCE) da UFRJ, que possui uma capacidade de 16 teraflops e é composto por 256 servidores.

Juntos, o projeto Galileu e o Netuno vão ajudar a compor a Grade BR, composta por cerca de 14 mil núcleos de processamento e uma capacidade total de 200 teraflops. Essa rede fornecerá infraestrutura computacional suficiente para que 300 pesquisadores das universidades envolvidas desenvolvam novos programas e simuladores para os trabalhos de pesquisa e perfuração de poços do pré-sal.

No ano passado, o Brasil dispunha de dois supercomputadores de alto desempenho, mas apenas o Netuno entrou no ranking elaborado pela Top 500. A USP também já operava um supercomputador com capacidade de 3,6 teraflops, que chegou a ser elencado em edições anteriores do estudo da Top 500.

Neste ano, em setembro, a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) iniciou o uso do seu GridUnesp, de 33,3 teraflops, e que recebeu investimento de R$ 3,6 milhões. O cluster está distribuído em uma rede que integra 2.944 unidades de processamento, distribuídas em sete polos de acesso, nos campi de São Paulo, Araraquara, Bauru, Botucatu, Ilha Solteira, Rio Claro e São José do Rio Preto.

Até janeiro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) também prevê concluir o processo de licitação para aquisição de um supercomputador de 15 teraflops. A proposta de licitação foi anunciada no ano passado e prevê um orçamento de R$ 50 milhões, dos quais R$ 35 milhões serão investidos pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Outros R$ 15 milhões virão da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), informou o Inpe. Quando concluído, esse cluster constituirá um dos seis maiores centros mundiais de previsão numérica de tempo e clima e de modelagem de mudanças climáticas.

Esses projetos não figuram no ranking mais recente da Top 500, publicado em novembro, mas, juntos, farão com que o Brasil se aproxime da Índia, que hoje dispõe de três supercomputadores, que, juntos, somam uma capacidade próxima a 279 teraflops. Os supercomputadores da Petrobras, mais os equipamentos da Unesp, da USP e do Inpe, chegam a 252 teraflops de capacidade.

Trata-se de um número pequeno em comparação com os países desenvolvidos. O supercomputador mais potente do mundo é o Jaguar, localizado em uma unidade do Departamento de Energia dos Estados Unidos. Sozinho, o equipamento tem capacidade de 1,76 petaflops (quatrilhões de cálculos por segundo), ou mais de dez projetos Galileu juntos. Ainda assim, a evolução dos investimentos em supercomputadores no Brasil é significativa considerando que a capacidade das máquinas instaladas no país não chegava a 20 teraflops em 2008.

Para o gerente de desenvolvimento de mercado da Intel (fornecedora dos processadores do projeto Galileu), Marcel Saraiva, o mercado brasileiro de supercomputadores tende a crescer com mais vigor nos próximos anos, dada a procura recente pelo setor empresarial. Segundo ele, empresas como Volkswagen e Embraer já dispõem de equipamentos do tipo para a realização de simulações e testes no Brasil. Além dos setores automotivo e de aviação, as indústrias farmacêuticas também avaliam a instalação de supercomputadores no Brasil, diz Saraiva.

Fonte: Valor Econômico